Mercado de pet food segue tendência da indústria de alimentos nos Estados Unidos
Taxas de crescimento, impacto da inflação, saúde e bem-estar são tendências que influenciam consumidores em ambos os mercados
por Luis Gustavo Chambrone em
e atualizado em
O mercado pet americano vem reproduzindo movimentos já observados na indústria de alimentos para consumo humano. Tendências como a desaceleração do crescimento, o avanço das marcas próprias e a maior preocupação dos consumidores com saúde e nutrição passaram a influenciar também o segmento de pet food, reflexo das mudanças no comportamento de compra e nas estratégias da indústria.
O estudo Food Market Outlook 2026, divulgado pela Packaged Facts em novembro de 2025, trouxe à tona alguns fatores que avançam pelo mercado alimentício dentro do país. A partir do levantamento, os pesquisadores notaram aspectos comuns entre o setor humano e animal.
Crescimento perde ritmo nos dois mercados
Segundo o relatório, as principais categorias de alimentos embalados projetam uma taxa média anual composta (CAGR) com crescimento de 3% entre 2025 e 2030, gerando um faturamento que deve alcançar US$ 432 bilhões.
Essa projeção de crescimento lento se configurou como uma tendência também no mercado para animais. A pesquisa orientada para o setor revelou que o crescimento das vendas de alimentos para pets desacelerou.
No mercado pet, a desaceleração segue trajetória semelhante. Após crescimento estimado de 2,8% em 2025, as vendas de alimentos para cães e gatos devem avançar 2,1% em 2026, alcançando US$ 70,45 bilhões, segundo David Sprinkle, diretor de pesquisas da Packaged Facts. A projeção mantém um ritmo lento.
Seguindo a tendência de ritmo do mercado de alimentos para consumo humano, a consultoria espera um CAGR de 3,2% para o setor pet até 2030.
As projeções indicam um crescimento menor quando comparadas ao período de 2019 a 2025, devido ao enfraquecimento da inflação no país, de acordo com a consultoria.
Aumento dos preços afeta o setor
A alta dos preços em alimentos, tanto para humanos como para pets, afeta diariamente a vida do consumidor americano. Fatores geopolíticos, conflitos internacionais e questões tarifárias impactam diretamente os valores em produtos americanos, anulando a baixa na intensidade inflacionária.
Como consequência, consumidores passaram a buscar embalagens menores, esperar promoções e rever hábitos de compra, obrigando fabricantes e varejistas a adaptarem suas estratégias comerciais.
Crescimento do private label
O valor dos alimentos trouxe ao mercado outro fenômeno importante: a busca por produtos com marca própria. O modelo funciona a partir da relação entre empresas e fabricantes, de maneira que uma empresa contrata um fabricante terceirizado para produzir mercadorias que serão vendidas sob a sua própria identidade visual.
Enquanto marcas tradicionais avançaram apenas 1,2% em 2025, o modelo de marca própria registrou um avanço de 3,2% no mercado, é o que mostra o levantamento da Private Label Manufacturers Association (PLMA).
Dentro do segmento pet, a preferência pelo modelo em ascensão também acontece. A pesquisa realizada pela Packed Facts mostrou que 43% dos tutores trocaram a marca de rações ou sachês de seus pets, e 39% desse grupo afirmou que começou a consumir marcas próprias ou nacionais, que possuem preços menores.
Alimentação como fator de saúde
Mesmo com a alta dos preços, a pesquisa mostrou que 88% dos adultos acreditam que a alimentação funciona como prevenção às doenças e forma de promover saúde. Além disso, nove a cada dez norte-americanos acreditam que a alimentação é o caminho para uma vida saudável.
A valorização da alimentação como ferramenta de promoção da saúde também tem impulsionado o desenvolvimento de produtos com maior valor agregado, tendência observada tanto na indústria de alimentos quanto no mercado de pet food.