Cachorrandia aposta em modelo de negócios integrado para o mercado pet
Empreendimento de 10 mil m² reúne recreação, hospedagem, gastronomia, estética e atendimento veterinário e já avalia expansão por franquias
por Gabriel Sartini em
A Cachorrandia abriu as portas em São Paulo (SP) testando um modelo integrado que reúne parque de diversões, hospedagem, gastronomia, estética e atendimento veterinário em um só lugar. Criado pelos ilusionistas Cyrus e Juan Duran, o empreendimento ocupa aproximadamente 10 mil m² no bairro do Butantã, zona oeste da cidade. Foi desenvolvido ao longo de quatro anos, dos quais um ano e meio foi dedicado à construção.
A ideia nasceu da relação dos fundadores com os animais e da intenção de transformar esse universo em uma experiência lúdica, inspirada nos grandes parques de entretenimento. O resultado combina áreas de recreação, complexo aquático, espaços cenográficos, restaurante, hotel, centro de estética, clínica veterinária e programação de eventos.
O empreendimento foi financiado com capital próprio. A companhia não divulga o investimento realizado e também não estabeleceu projeções de faturamento ou prazo de retorno. “Tudo foi criado com o objetivo da realização de um sonho, visando a concretização do projeto. O retorno deverá vir em consequência, no decorrer dos anos. Não foram feitas projeções neste sentido”, comenta Cyrus, um dos fundadores da Cachorrandia.
A estreia ocorre em um setor estimado em R$ 78 bilhões em 2025, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet), com expectativa de crescimento de 9,6% e de superar R$ 80 bilhões. O Brasil é o terceiro maior mercado pet do mundo e reúne mais de 164 milhões de animais de estimação.
Segundo Cyrus, a criação da Cachorrandia partiu da análise do segmento e por percepções de amigos e clientes dos fundadores, e não houve um benchmarking internacional específico. “Foi tudo pensado e adaptado às necessidades do mercado brasileiro, porém facilmente aplicável para o mercado internacional”, explica.
A empresa não prevê inicialmente a comercialização de naming rights para as atrações, mas mantém a possibilidade em avaliação. A expansão por franquias, por outro lado, já aparece como uma alternativa mais concreta.
Cyrus revela que a empresa recebeu consultas de outros empresários interessados no modelo. “Mesmo antes da inauguração, já fomos procurados e vemos com bons olhos um sistema de franquias”, afirma o fundador.
Operação comporta até 400 cães por dia
A capacidade foi dimensionada de acordo com as áreas disponíveis. A Cachorrandia poderá receber até 200 animais por período, acompanhados de seus familiares, chegando a 400 cães por dia.
O hotel conta com 100 baias para animais de diferentes portes e raças, além de suítes VIP. A capacidade prevista é de até 100 hóspedes por dia. Os tutores podem acompanhar os animais em tempo real por câmeras IP, enquanto o deslocamento entre as acomodações e as áreas de recreação é feito por veículo elétrico.
Entre as principais atrações está o complexo aquático, com 130 mil litros de água e ambientação inspirada no fundo do mar. O espaço também conta com playground, área gramada, equipamentos de agility e tanque de areia, com acompanhamento de monitores e recreadores.
Triagem veterinária integra protocolo de acesso
O acesso às áreas de recreação é condicionado a protocolos definidos pela companhia. Os cães precisam estar com a vacinação em dia, ser microchipados e, no caso de machos com mais de um ano, estar castrados. Fêmeas no cio não podem utilizar os espaços.
A recepção conta com consultório e médico veterinário responsável pela triagem de saúde. Na sequência, os animais passam por uma avaliação social antes de serem liberados para as áreas coletivas, em uma medida voltada à redução do risco de conflitos entre os frequentadores.
Nos espaços de recreação, os cães permanecem soltos somente sob acompanhamento de monitores e recreadores treinados – os tutores não entram nessas áreas. Nas demais dependências, os animais devem permanecer de coleira e guia.
A preparação da equipe incluiu treinamentos especiais em comportamento e adestramento por meio de parceiros como a Clã House Dog. “Contamos com consultorias de diversas empresas especializadas, tanto na área comportamental como nos adestramentos”, diz Cyrus.
A operação mantém ainda um veterinário em período integral no parque. A clínica instalada no local possui sala cirúrgica e, segundo a empresa, está preparada para atendimentos de emergência.
Gastronomia e estética ampliam a oferta de serviços
A integração de diferentes atividades aparece também na alimentação. A operação dos restaurantes para humanos e cães é própria. No espaço destinado aos animais, a Dog Natural Food fornece alimentação natural e participa do desenvolvimento de pratos exclusivos, elaborados com a participação de nutrólogos e veterinários.
Na área de estética, a operação oferece banho, tosa e SPA, com banheiras, ofurôs, mesas pantográficas, máquinas automáticas de secagem e equipamentos com ozônio. Para essa frente, a companhia optou por trabalhar com fornecedores do mercado, como MBS e Hydra, sem contratos de patrocínio.
A oferta de cuidados se estende à Acãodemia, voltada à fisioterapia animal e equipada com esteira aquática. O local também reúne profissionais e serviços relacionados a odontologia, dermatologia e cirurgias.
Além das atrações fixas, o ambiente também organiza uma programação que inclui feiras de filhotes e adoção, encontros de raças, festivais, palestras, treinamentos, exposições, lançamentos, shows e outros eventos.