Mapa de cães e gatos revela diferenças regionais no mercado pet brasileiro
Dados do IBGE ajudam a identificar perfis distintos de demanda no mercado pet
por Gabriel Sartini em
A presença de cães e gatos nos domicílios brasileiros apresenta diferenças relevantes entre as regiões e pode orientar estratégias de varejo, distribuição e serviços veterinários. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do IBGE, cães estão presentes em 46,1% dos domicílios brasileiros, enquanto os gatos aparecem em 19,3%.
O mapa estadual mostra que a composição da demanda varia de acordo com o território. Estados do Norte, Centro-Oeste e Sul apresentam alguns dos maiores percentuais de domicílios com cães, enquanto o Nordeste concentra os maiores índices de presença de gatos.
Para a indústria e o varejo, porém, o dado regional é apenas o ponto de partida. A composição do público também pode mudar significativamente dentro de uma mesma cidade ou estado, exigindo maior precisão na definição de sortimento, posicionamento e distribuição.
Segundo Lohan Simões, especialista em desenvolvimento de categorias no mercado pet, entender essas diferenças é fundamental para evitar estratégias padronizadas. “O Brasil é um país continental, então fica ainda mais complexo analisar esse cliente para entender o que ele realmente precisa dentro do segmento pet”, analisa.
Para o consultor, essa lógica vale inclusive para grandes centros urbanos, onde diferentes perfis de consumidores convivem em uma mesma cidade. “Em cidades grandes, tem um segmento de clientes dentro da própria cidade”, explica.
Rondônia lidera presença de cães nos lares
Entre os estados, Rondônia registra o maior percentual de domicílios com algum cachorro, com 64,8% dos lares. O índice também supera 60% em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Acre.
No Sul, Paraná e Rio Grande do Sul chegam a 58,7%, enquanto Santa Catarina registra 53,3%. No Centro-Oeste, Goiás apresenta 58,2% e Mato Grosso do Sul, 61,5%. Os menores percentuais aparecem principalmente no Nordeste.
São Paulo, maior mercado consumidor do país em população, registra 45,5% dos domicílios com algum cachorro. Minas Gerais chega a 47,8%, enquanto Rio de Janeiro apresenta 38,1%.
Os dados, no entanto, não indicam apenas o tamanho potencial do mercado. Para o varejo, também é necessário entender qual é o perfil dos animais e de seus tutores em cada território, o que pode alterar diretamente o mix de produtos.
“Quando a gente vê a quantidade de cães em Rondônia, por exemplo, precisa entender quem são esses cães: são SRD? Têm raça? É preciso entender a fundo o cliente”, afirma Simões.
A mesma lógica se aplica à operação das lojas. Segundo o especialista, mesmo dentro de um estado como o Rio de Janeiro, o sortimento precisa considerar características específicas de cada região. “As lojas são obrigadas a regionalizar um mix de sortimento. O portfólio de um pet shop de Copacabana não vai funcionar em Duque de Caxias”, exemplifica.
Veja abaixo a relação de domicílios com cães por estado:
- Rondônia – 64,8% dos domicílios tem algum tipo de cão
- Acre – 60%
- Mato Grosso do Sul – 61,5%
- Mato Grosso – 61,2%
- Roraima – 58,9%
- Paraná – 58,7%
- Rio Grande do Sul – 58,7%
- Goiás – 58,2%
- Amapá – 54,4%
- Santa Catarina – 53,3%
- Pará – 50,2%
- Amazonas – 49,1%
- Tocantins – 49%
- Minas Gerais – 47,8%
- Piauí – 45,8%
- São Paulo – 45,5%
- Maranhão – 42,8%
- Distrito Federal – 41,1%
- Espírito Santo – 40,3%
- Rio Grande do Norte – 39,3%
- Ceará – 38,8%
- Rio de Janeiro – 38,1%
- Bahia – 36,4%
- Paraíba – 35,6%
- Sergipe – 34,7%
- Pernambuco – 34,2%
- Alagoas – 34%
Fonte: IBGE – Pesquisa Nacional de Saúde
Nordeste concentra maior presença de gatos
O cenário muda quando o recorte é a população felina. Piauí lidera o ranking nacional, com gatos presentes em 32,6% dos domicílios, seguido por Maranhão, com 31,5%, e Ceará, com 29,3%.
Tocantins aparece com 27,2%, enquanto Rondônia registra 26,9%. Acre e Pará têm 26,4% dos domicílios com algum gato.
No Sudeste, os percentuais são mais baixos. Espírito Santo registra 13,2%, Minas Gerais, 14,5%, e Rio de Janeiro, 14,6%. São Paulo apresenta 16%.
O Distrito Federal tem o menor índice do levantamento, com 10,3% dos domicílios com gatos.
As diferenças ajudam a explicar por que uma estratégia nacional de produtos e comunicação pode precisar de adaptações regionais. Para Simões, a regionalização não deve se limitar à localização da loja, mas considerar o comportamento e as necessidades específicas do consumidor.
“Hoje, a preocupação da indústria é fazer com que o produto performe melhor, independentemente de ser em uma rede de pet shops ou em uma loja de bairro”, sinaliza.
Confira a lista completa de domicílios com gatos por estado:
- Piauí – 32,6% dos domicílios têm algum gato
- Maranhão – 31,5%
- Ceará – 29,3%
- Tocantins – 27,2%
- Rondônia – 26,9%
- Pará – 26,4%
- Acre – 26,4%
- Rio Grande do Sul – 25,2%
- Alagoas – 24,8%
- Sergipe – 24,4%
- Roraima – 23,5%
- Amapá – 22,8%
- Mato Grosso – 22,6%
- Amazonas – 21,8%
- Paraíba – 21,7%
- Mato Grosso do Sul – 21,1%
- Rio Grande do Norte – 20,6%
- Bahia – 20,2%
- Pernambuco – 20,1%
- Santa Catarina – 19,5%
- Paraná – 18,2%
- São Paulo – 16%
- Goiás – 14,7%
- Rio de Janeiro – 14,6%
- Minas Gerais – 14,5%
- Espírito Santo – 13,2%
- Distrito Federal – 10,3%
Fonte: IBGE – Pesquisa Nacional de Saúde
Regionalização ganha peso diante do avanço do digital
Além de orientar o sortimento e a distribuição, conhecer o consumidor regional se torna ainda mais importante diante da concorrência com o comércio eletrônico.
Para Simões, o varejo físico precisa responder à facilidade de comparação e compra proporcionada pela internet com uma oferta mais adequada às necessidades locais. “O maior concorrente dele [varejista] está online. Ele tem que estar preparado com um mix interessante e atendimento especializado para poder competir”, completa.