Exclusivo: Pet ganha espaço no carrinho
Estudo aponta avanço da categoria acima da média do varejo alimentar, impulsionada por alimentação para gatos e maior fluxo de consumidores
O mercado pet consolida sua presença no varejo alimentar brasileiro como uma das categorias mais resilientes do consumo, com base em estudo ao qual o Panorama Pet&Vet teve acesso exclusivo.
Enquanto diversos segmentos ainda enfrentam oscilações, a cesta pet segue em trajetória de expansão sustentada, combinando aumento de volume vendido, maior fluxo de consumidores nas lojas e preços mais competitivos. Levantamento da Scanntech aponta crescimento de 4% no faturamento da categoria entre janeiro e maio deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado, acompanhado por alta de 4,7% nas unidades comercializadas.
O resultado chama atenção por ocorrer justamente em um período de retração de 0,7% no preço médio por unidade, indicando que a expansão foi impulsionada pelo consumo efetivo e não pelo repasse inflacionário. Os indicadores fazem parte da nova edição do Radar Setorial Pet, estudo que monitora o desempenho da categoria em cerca de 85% dos estabelecimentos do varejo alimentar brasileiro, por meio da leitura de aproximadamente 15 bilhões de tíquetes anuais.
Crescimento da cesta pet x total do varejo alimentar

Muito além do efeito pandemia
Para Lanai Almeida, head da Scanntech para o canal pet, o desempenho deixa de ser um reflexo temporário do período pós-pandemia e passa a evidenciar uma transformação estrutural do mercado. A própria configuração das famílias brasileiras ajuda a explicar esse movimento.
“O aumento dos lares unipessoais e dos casais sem filhos amplia naturalmente a presença dos animais de estimação dentro das residências, fortalecendo o consumo frequente de alimentos e produtos para pets”, destaca.
Essa mudança também aparece na composição da demanda. A alimentação para gatos tornou-se o principal vetor de crescimento da categoria. Enquanto as vendas de ração para cães apresentam retração em volume, os alimentos destinados aos felinos registram expansão de dois dígitos, especialmente no Sudeste.
“O segmento de gatos já demonstra uma tendência bastante consolidada. O varejo alimentar vem captando esse comportamento do consumidor, que busca cada vez mais conveniência e encontra nesses produtos uma compra recorrente”, explica Lanai.
Embalagens menores mudam leitura dos preços
Outro aspecto que chama atenção no levantamento é a influência do tamanho das embalagens sobre os indicadores de preço. Embora o preço por unidade tenha apresentado queda no acumulado do ano, a análise mostra que parte do resultado decorre da migração para embalagens menores, fenômeno que ganhou ainda mais intensidade na comparação entre maio de 2026 e maio de 2025.
Na prática, o consumidor continua adquirindo produtos com desembolso menor por embalagem, mesmo quando o custo por volume apresenta comportamento diferente. “Quando analisamos apenas o preço unitário, existe o risco de interpretar uma queda maior do que realmente ocorreu. O tamanho da embalagem exerce um papel importante nessa dinâmica e precisa ser considerado na análise”, observa.
A estratégia acompanha um movimento já percebido em outras categorias de consumo, em que fabricantes buscam oferecer desembolsos mais acessíveis diante da maior sensibilidade do consumidor aos preços.
Decomposição do crescimento da categoria: fluxo em loja, unidades, preço por unidade e
tamanho das embalagens

Supermercados ampliam relevância
O estudo também mostra que o supermercado continua ampliando sua importância como canal para a categoria pet. Todos os formatos avaliados registraram crescimento nas vendas em unidades, com destaque para os supermercados de médio porte, enquanto o atacarejo apresentou evolução mais moderada.
Para Lanai, a diferença está diretamente relacionada ao papel que cada canal desempenha na jornada de compra. “O varejo alimentar concentra principalmente a missão de abastecimento. A categoria de alimentos representa aproximadamente 90% das vendas nesse ambiente. Já o varejo pet especializado oferece uma experiência muito mais ampla, com categorias como medicamentos, acessórios e serviços”, analisa.
Essa diferença também explica a baixa participação de segmentos como farmácia pet dentro dos supermercados. Embora apresente crescimento superior a 10%, essa categoria ainda representa menos de 1% das vendas no varejo alimentar.