Indústria de nutrição animal acelera uso de IA e sai da fase experimental
Estudo mostra que tecnologia supera fase experimental e passa a gerar valor em escala na indústria
por Gabriel Sartini em
e atualizado em
O uso de inteligência artificial (IA) na indústria de nutrição animal está avançando de forma mais rápida do que o esperado, superando a percepção de que a tecnologia ainda estaria restrita a testes isolados.
Levantamento conduzido pela Datacor em parceria com a Tech-Clarity, que ouviu mais de 250 empresas com faturamento abaixo de US$ 300 milhões, aponta que a IA já está sendo incorporada às operações centrais, especialmente em formulação e controle de qualidade. Entre os respondentes, 29% atuam diretamente no segmento de pet food, conforme matéria publicada pelo Petfood Industry.
Formulação e laboratório lideram aplicações
A principal frente de adoção está na formulação de produtos, com mais da metade das empresas interessadas em utilizar IA para desenvolver receitas dentro de parâmetros nutricionais e técnicos.
Além disso, há registros de uso de ferramentas de IA para otimizar formulações diante de variações de insumos e para identificar e reaproveitar formulações já existentes. O estudo revela ainda que há registros de inteligência artificial utilizada para validar substituições de ingredientes que sem comprometer textura e palatabilidade dos alimentos.
No ambiente laboratorial, 47% das empresas pretendem aplicar IA na análise de amostras, movimento associado à escassez de profissionais qualificados em controle de qualidade.
Retorno rápido, mas com desafios na execução
Entre as empresas que já implementaram projetos dessa magnitude, 95% relataram geração de valor em até 12 meses, enquanto 45% obtiveram resultados em menos de três meses.
Apesar disso, 20% ainda não perceberam retorno, indicando desafios na execução e maturidade dos projetos.
O estudo também revela que 58% possuem pilotos ou provas de conceito em andamento, enquanto 31% já concluíram pelo menos um projeto. Apenas 5% dos entrevistados, no entanto, operam em escala com resultados mensuráveis.
Capacitação é o principal gargalo
Diferente do que se imaginava, o estudo mostra que a resistência à tecnologia não é o maior obstáculo. O principal desafio é a falta de habilidade em ciência de dados, apontado por 55% dos entrevistados.
Outros 49% indicaram falta de conhecimento geral sobre IA, mesma proporção daqueles que citaram falta de tempo para implementação dos projetos.
Menos de um terço menciona falta de apoio da liderança, o que aponta que a adoção já é uma prioridade estratégica, ainda que falte preparo operacional.
Uso assistido e preocupação com decisões críticas
O estudo também aponta cautela no uso da IA em decisões sensíveis, especialmente relacionadas à segurança e qualidade dos produtos.
A tendência predominante é o uso da tecnologia como ferramenta de apoio, mantendo a supervisão humana em processos críticos.