China Vet Connection une conhecimento, intercâmbio e cultura de uma potência
Passagem por Pequim aproxima profissionais brasileiros da estrutura acadêmica, científica e cultural que sustenta a medicina veterinária chinesa
por Marco Antonio Gioso em
e atualizado em
A China Vet Connection 2026, realizada pela VetCoaches, por meio do VetSolution e Íntegra Health, reuniu 25 profissionais e empresários ligados à medicina veterinária em uma missão internacional por Xangai e Pequim, capitaneada pelo professor Marco Antonio Gioso, médico veterinário há quase 40 anos.
A experiência deu origem a dois artigos. No primeiro, Xangai revelou uma China marcada pela tecnologia, indústria, hospitais veterinários, escala empresarial e pela dimensão da Pet Fair Asia. Neste segundo, mostramos como Pequim aproveita a força acadêmica da medicina veterinária chinesa e uma cultura milenar ainda presente nas relações e nos valores do país.
China Agricultural University: um dos pontos altos da missão
A visita à China Agricultural University (CAU) representou um dos momentos mais importantes da viagem. O grupo teve contato direto com instituições de referência da China em ensino e pesquisa em medicina veterinária, conhecendo sua estrutura de formação profissional, pesquisa, laboratórios e hospital-escola.
A recepção teve participação destacada do Prof. Zhaofei Xia (夏兆飞), liderança acadêmica ligada à área clínica e à medicina de pequenos animais, além de integrantes da diretoria. Ali estavam reunidos pilares que sustentam o desenvolvimento da carreira – ensino, pesquisa, assistência, formação profissional, tecnologia, gestão e inovação. A delegação brasileira participou de apresentações, conversas e intercâmbio de experiências, em uma aproximação efetiva com os profissionais chineses.
Mais do que uma visita, intercâmbio de conhecimento
A passagem pela universidade não se resumiu a observar instalações. Os profissionais chineses apresentaram sua realidade, estruturas e modelos, enquanto os integrantes da missão também compartilharam experiências desenvolvidas no Brasil.
Um dado chamou a atenção. Segundo as informações apresentadas durante a visita, os gastos do hospital são financiados exclusivamente pela arrecadação de consultas, exames e procedimentos. Apenas o pet shop arrecada mais de R$ 40 milhões por ano.
O grupo também percorreu os diferentes setores de um hospital que chega a atender 700 pacientes em um único dia, realiza quase 9 mil cirurgias por ano e apresenta tíquete médio superior a R$ 1 mil.
Pude apresentar minha experiência ao grupo da universidade, estabelecendo um diálogo entre duas realidades da medicina veterinária separadas por milhares de quilômetros, mas com diversos interesses em comum.
Essa reciprocidade é fundamental. Internacionalização não significa colocar o brasileiro apenas na posição de quem viaja para aprender. O país também dispõe de profissionais qualificados, experiência clínica, hospitais, universidades, pesquisa, empresas e um mercado pet relevante. Na CAU, os brasileiros conheceram e apresentaram, perguntaram e responderam, abrindo espaço para futuras relações acadêmicas, científicas e comerciais.
A medicina veterinária vista como ecossistema
A etapa de Pequim complementou aquilo que já havia sido observado em Xangai. Primeiramente vieram os hospitais veterinários. Depois, a indústria de tecnologia e a Pet Fair Asia, com sua enorme dimensão comercial. Em Pequim, a universidade acrescentou formação acadêmica, pesquisa e produção de conhecimento.
Aos poucos, os participantes deixaram de observar instituições isoladas e passaram a enxergar um ecossistema de medicina veterinária. Uma profissão não se desenvolve apenas dentro dos hospitais. Ela depende de formação, pesquisa, especialização, tecnologia, indústria, mercado e da conexão entre esses elementos. O avanço do setor passa pela capacidade de diferentes agentes evoluírem em conjunto.
A cultura como ferramenta para compreender a China
Pequim também mostrou por que uma missão profissional não poderia se limitar a hospitais, empresas e universidades. Para compreender a China contemporânea, era necessário entrar em contato com sua história e cultura, não como simples turismo, mas como contexto para entender pessoas, relações e formas de pensar.
Essa coexistência aplica-se à medicina veterinária. Ao lado de tecnologia, especialização e estruturas modernas, os participantes tiveram contato com referências relacionadas à medicina tradicional chinesa, ampliando a visão sobre diferentes formas de pensar assistência e cuidado.