Mercado pet da China tem mais um recorde
Entenda como faturamento de US$ 43 bilhões, avanço dos suplementos e maturidade do e-commerce podem abrir horizontes também para o Brasil
A China deixou de ser apenas um polo mundial de produção para se consolidar também como um dos maiores mercados consumidores de produtos e serviços para animais de estimação. Segundo relatório do Escritório de Comércio Agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em Xangai, o mercado pet local já movimenta mais de US$ 43,4 bilhões (R$ 224 bi) por ano.
O setor cresce impulsionado por uma nova geração de tutores disposta a investir cada vez mais na longevidade e na qualidade de vida de cães e gatos. A dimensão desse mercado ajuda a explicar a crescente atenção de empresas brasileiras ao país asiático. Em setembro, um grupo de empresários e médicos veterinários deverá embarcar para uma missão técnica e empresarial organizada pela VetCoaches, liderada pelo consultor Marco Gioso,
A programação prevê visitas a fabricantes, hospitais veterinários de alta complexidade e centros de desenvolvimento tecnológico, permitindo contato direto com soluções que vêm transformando o setor de saúde animal.
“O mercado chinês evoluiu muito além da imagem de fabricante de baixo custo. Hoje encontramos empresas altamente inovadoras, equipamentos de ponta e um ecossistema extremamente dinâmico. Quem visitar a China perceberá que existe uma enorme oportunidade tanto para importar tecnologia como para identificar parceiros estratégicos e tendências que poderão ser adaptadas ao mercado brasileiro”, ressalta.
Saúde preventiva impulsiona nova fase do mercado
O crescimento do setor acompanha mudanças profundas no comportamento dos consumidores chineses. A humanização dos animais vem estimulando gastos mais elevados com alimentação premium, medicina preventiva e produtos voltados ao envelhecimento saudável dos pets.
Entre todas as categorias, os suplementos alimentares são o principal destaque. O segmento registrou expansão de aproximadamente 20%, desempenho superior ao observado em outras categorias do mercado pet. Produtos voltados ao fortalecimento da imunidade, da saúde articular e da qualidade de vida passaram a ocupar espaço relevante nas compras dos tutores, refletindo uma preocupação crescente com a prevenção de doenças.
A tendência também reforça um movimento observado em outros mercados desenvolvidos, onde suplementos, nutracêuticos e alimentos funcionais ganham importância dentro do conceito de wellness pet.
E-commerce cria ambiente favorável para inovação
Outro diferencial do mercado chinês está na sofisticação do comércio eletrônico. As plataformas digitais se consolidaram como principal canal de crescimento para alimentos, acessórios e produtos de saúde animal.
A segmentação das plataformas por nichos permitiu que fabricantes desenvolvessem ofertas altamente personalizadas, enquanto ferramentas baseadas em inteligência artificial ampliaram a capacidade de recomendação de produtos conforme o perfil dos consumidores e de seus animais.
Esse ambiente digital tornou o lançamento de novos produtos mais rápido e eficiente, além de favorecer categorias de maior valor agregado, como suplementos, alimentos premium e itens funcionais.
Missão técnica busca aproximar Brasil desse ecossistema
Na avaliação de Gioso, conhecer presencialmente esse ambiente pode acelerar a modernização das empresas brasileiras.
“O objetivo não é apenas comprar equipamentos. Queremos proporcionar uma visão estratégica sobre como a China vem transformando sua indústria veterinária, seu varejo e sua capacidade de inovação. Muitas soluções que veremos por lá poderão inspirar novos modelos de negócios no Brasil”, destaca.
Segundo o consultor, outro atrativo da missão está na possibilidade de aquisição direta de equipamentos veterinários com preços significativamente inferiores aos praticados no mercado nacional. Um dos exemplos citados é o de tomógrafos veterinários, que podem custar até R$ 1,5 milhão no Brasil, mas são encontrados na China por valores entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão, mesmo considerando custos de importação.