Produção de ração para cães e gatos passa de 1 milhão de toneladas
Dados do primeiro trimestre de 2026 foram divulgados em prévia do Sindirações, que projeta 4,15 milhões de toneladas até fim do ano
por Gabriel Sartini em
e atualizado em
O mercado brasileiro de alimentos industrializados para cães e gatos superou 1 milhão de toneladas no primeiro trimestre de 2026, segundo a primeira prévia divulgada pelo Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações).
Para 2026, a expectativa é de que a demanda por alimentos para animais de companhia alcance 4,15 milhões de toneladas. Embora o desempenho do pet food esteja distante do ritmo acelerado observado nas cadeias voltadas à produção de proteína animal, o segmento preserva uma base de consumo consistente.
Em 2025, o segmento de rações para pets movimentou R$ 41,4 bilhões, o equivalente a 53% de todo o mercado pet nacional, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abempet).
Pet food mantém escala, mas enfrenta limites para crescer
A projeção de 4,15 milhões de toneladas em 2026 indica continuidade da demanda por alimentos para animais de companhia, embora o ritmo de crescimento permaneça abaixo do observado em algumas cadeias da alimentação animal voltadas à produção de proteínas.
Entre os fatores que limitam uma expansão mais acelerada estão a elevada carga tributária, a volatilidade cambial e a desaceleração do consumo, segundo avaliações do Sindirações e da Abempet.
Esses elementos afetam diretamente a estrutura de custos da indústria, especialmente em categorias que dependem de matérias-primas, aditivos, equipamentos ou embalagens sujeitas às variações de câmbio. Para os fabricantes, o cenário aumenta a pressão sobre as margens e reforça a necessidade de ganhos de eficiência na formulação, produção e distribuição.
Nutrição de precisão ganha espaço na indústria
O avanço da nutrição de precisão e das tecnologias de produção também aparece entre os fatores que devem contribuir para aumentar a eficiência das operações da indústria de alimentação animal.
No caso do pet food, a transformação está relacionada ao desenvolvimento de formulações mais específicas e ao maior controle sobre fatores como padronização, qualidade, aproveitamento de matérias-primas e desempenho produtivo.
“O desempenho do primeiro trimestre reforça a resiliência da cadeia brasileira de proteína animal, apoiada em ganhos de eficiência zootécnica, padronização nutricional e avanço das tecnologias de produção. Mesmo diante de desafios sanitários, medidas tarifárias e barreiras comerciais, a indústria mantém capacidade de adaptação e competitividade no mercado internacional”, avalia Ariovaldo Zani, CEO do Sindirações.
Indústria projeta mais de 98 milhões de toneladas em 2026
Considerando todas as cadeias acompanhadas pelo Sindirações, a indústria brasileira de alimentação animal deve produzir mais de 98 milhões de toneladas de rações em 2026, crescimento estimado em 4,5% sobre o volume registrado em 2025.
O avanço projetado é puxado principalmente pelas cadeias ligadas à produção de proteína animal, como avicultura de corte (10 milhões de toneladas consumidas até março) e suinocultura (5,5 milhões de toneladas).