Primeiros cães hipoalergênicos do mundo nascem nos Estados Unidos
Alterações genéticas eliminaram proteínas alérgenas antes do nascimento e estudo dá origem aos primeiros caninos com essa característica
por Luis Gustavo Chambrone em
e atualizado em
A busca por soluções voltadas à redução de alérgenos no mercado pet tem impulsionado o desenvolvimento de produtos especializados e novas pesquisas sobre o tema e, agora, chegou aos próprios animais. Um estudo publicado no The CRISPR Journal apresentou uma abordagem de edição genética para impedir a produção de uma das proteínas associadas a reações alérgicas em humanos. A informação é do Metrópoles.
Pesquisadores americanos utilizaram a ferramenta de edição genética CRISPR-Cas9 para modificar embriões que deram origem a dois beagles, Alfie e Bailey, com o objetivo de impedir a produção de uma proteína associada a reações alérgicas em humanos.
Processo interrompe proteína com agente alérgeno
O procedimento consiste na inativação do gene associado à produção da Can f 1, proteína que atua como um dos alérgenos caninos capazes de desencadear reações em pessoas predipostas.
Essa proteína, presente principalmente na saliva do cão, pode alcançar a pelagem quando o animal se lambe e, em seguida, pode ser dispersa pelo ambiente, aumentando a possibilidade de exposição de pessoas sensíveis ao alérgeno.
A exposição à substância pode desencadear reações como coriza, espirros, irritação e coceira. Além disso, a proteína pode estar relacionada ao agravamento de quadros de asma e rinite alérgica.
Can f 1 não é detectada em amostras dos dois beagles
Os dois cães nasceram a partir de 25 embriões produzidos durante o estudo. Posteriormente, exames confirmaram a alteração genética pela ausência da proteína Can f 1 na saliva dos animais.
Após a modificação, a proteína Can f 1 não foi detectada nas amostras analisadas de saliva, pelos e caspa dos cães. Nos testes realizados com material coletado dos animais, não foi registrada resposta imunológica associada ao alérgeno analisado.
Os pesquisadores também apontam que não foram observadas alterações ou sequelas visíveis na saúde dos animais durante o período de acompanhamento.
Apesar de avanços, teste apresenta limitações
Embora o estudo aponte avanços na redução de um alérgeno específico, não é possível afirmar que os dois cães modificados sejam incapazes de desencadear reações alérgicas. Isso porque cada indivíduo pode apresentar sensibilidade a diferentes proteínas, e outros alérgenos caninos não foram eliminados pela modificação genética.
O teste com participante humano envolveu apenas uma pessoa, que apresentava sensibilização específica à Can f 1. Por isso, os resultados não podem ser generalizados para toda a população alérgica a cães.