Primavera aumenta atenção à dermatologia veterinária
Mudanças sazonais podem agravar condições de pets com predisposição a doenças de pele
por Gabriel Sartini em
A chegada da primavera aumenta a atenção sobre a saúde da pele de cães e gatos. Com maior circulação de pólens, esporos de mofo e outros alérgenos ambientais, animais predispostos a problemas dermatológicos podem apresentar aumento de coceira, irritação e inflamação.
Para a médica-veterinária Mariana Diniz, especialista em marketing da Biofarm, a mudança de estação é especialmente relevante para pacientes com condições crônicas. “Nos animais atópicos, em época de mudança de estação, quando há mais suspensão de alérgenos no ambiente, se a pele não está regulada e íntegra, isso pode agravar o quadro”, explica.
A especialista destaca que os problemas dermatológicos podem ter diferentes origens. Entre os principais fatores estão alergias de contato, ectoparasitas, alergias alimentares e atopia. Identificar a causa é fundamental para estabelecer uma estratégia de controle adequada e definir o acompanhamento necessário para cada paciente.
Coceira vai além do desconforto e pode comprometer a qualidade de vida
O prurido é um dos sinais mais conhecidos das alergias e dermatites, mas seus impactos vão além do desconforto. Quando não controlado, pode provocar lesões e comprometer a integridade da pele, favorecendo infecções secundárias.
“Ele começa com a irritação na pele, que causa coceira. Um prurido não controlado pode predispor até a uma infecção secundária, com penetração de fungos e bactérias, trazendo o problema para outra esfera”, afirma Mariana.
Segundo ela, a questão pode afetar a qualidade de vida de maneira ampla. “Às vezes, o animal até para de se alimentar. No caso do gato, ele geralmente não se coça, mas vai se lamber. Essa agressão também pode gerar queda e falha de pelo”, pontua a especialista.
O controle, portanto, depende da causa e do perfil de cada paciente. Em quadros relacionados a pulgas e carrapatos, por exemplo, é necessário controlar os ectoparasitas e tratar os sintomas. Na atopia, o manejo tende a ser prolongado e multifatorial, podendo envolver medicamentos de uso contínuo, cuidados com a pele e banhos periódicos.
Adesão do tutor é um dos principais desafios
Na rotina clínica, estabelecer o protocolo é apenas uma parte do trabalho. “A principal dor do veterinário nesses casos é instituir um tratamento e fazer o tutor entender a importância de tomar todas as medidas”, afirma Mariana.
Ela cita como exemplo os casos de alergia alimentar. “O tutor tem que entender que determinados alimentos não podem ser oferecidos para o pet, mas isso nem sempre é seguido”, acrescenta.
A mesma lógica vale para banhos, medicamentos, controle de ectoparasitas e suplementação. Mariana esclarece que “o tutor tem que entender a importância de cada passo do tratamento e cabe ao veterinário explicar por que está prescrevendo, por que o banho tem que ser periódico e por que o suplemento vai ser usado por determinado período”.
A praticidade da administração pode ser uma aliada da adesão. Dependendo do caso e da região afetada, produtos tópicos também podem apresentar desafios de aplicação.
“A pomada vai depender da região e da quantidade. O gato geralmente vai se lamber e remover o produto, os cães também fazem isso. Existem produtos tópicos que podem ser usados, mas o veterinário vai avaliar o que é mais viável para aquele animal”, complementa.
Barreira cutânea ganha importância no cuidado contínuo
Nesse contexto, a manutenção da barreira cutânea vem ganhando espaço nas estratégias de prevenção e controle. “Quanto mais íntegra estiver a pele, menos alérgenos vão penetrar. É uma ferramenta que, a longo prazo, funciona como uma salvaguarda”, explica a médica veterinária.
Foi com essa proposta que a Biofarm lançou neste ano o Dermofarm Pro Pasta, suplemento voltado ao suporte da integridade da barreira cutânea. A formulação reúne colágeno, zinco, biotina, ômegas 3, 6 e 9, além de prebióticos e probióticos. Para Mariana, um dos diferenciais está na combinação de componentes em uma única apresentação.
“Sempre pensamos em soluções unificadas para facilitar a aderência. Não é necessária a aplicação de probiótico separada da de ômega, por exemplo. Quanto mais prático for o tratamento, maior a aceitação e menor o nível de estresse do animal”, argumenta.
A apresentação em pasta também busca facilitar a rotina do tutor. “É um produto palatável, o que facilita o momento da administração”, acrescenta.
Saúde intestinal amplia a abordagem dermatológica
A atenção à barreira cutânea acompanha uma tendência de abordagem mais integrada da saúde animal. De acordo com Mariana, a relação entre saúde intestinal e saúde da pele vem sendo cada vez mais discutida na dermatologia veterinária.
Alterações na saúde intestinal podem interferir em processos relacionados à digestão e à absorção de nutrientes importantes para o organismo.
“Se o animal está em um processo de disbiose intestinal, boa parte do que foi suplementado pode não ser absorvida da maneira correta”, comenta Mariana.
Dermatologia abre espaço para categorias especializadas
O avanço das estratégias de cuidado contínuo também movimenta uma categoria que envolve suplementos, dermocosméticos, shampoos, hidratantes e alimentos específicos.
“Detectamos uma evolução na oferta de dermocosméticos, xampus, sprays e hidratantes, com formulações que estimulam os efeitos de longo prazo”, detalha. Para clínicas, pet shops e distribuidores, esse movimento amplia a importância de conhecer a categoria e trabalhar em sintonia com a orientação veterinária. O lojista pode contribuir oferecendo alternativas adequadas, mas deve respeitar a prescrição e evitar substituir a avaliação profissional.
Na visão de Mariana, a tendência é de uma dermatologia veterinária cada vez mais orientada para prevenção, manutenção da barreira cutânea, praticidade e cuidado integrado. “Soluções completas precisam acompanhar essa evolução e atender diferentes perfis de pacientes”, conclui.