Pet shops: tecnologia para conter o avanço dos supermercados
por Flávia Lelis em
e atualizado em
A presença de produtos pet nos supermercados amplia a concorrência em um mercado em expansão e leva as lojas especializadas a repensar suas estratégias comerciais. Segundo pesquisa da Associação Paulista de Supermercados (APAS), 54% dos consumidores têm o hábito de comprar produtos para animais de estimação em supermercados. Entre esse público, 39% já deixaram de comprar em um estabelecimento por não encontrar o item desejado. Os dados evidenciam a importância da disponibilidade de produtos na decisão de compra e abrem espaço para discutir como o varejo pode responder às expectativas dos consumidores.
O movimento ocorre em um segmento que segue em crescimento. Em 2025, o mercado pet registrou alta de 12,8% em valor e 12,3% em volume, na comparação com o ano anterior, segundo os dados divulgados pela APAS. A alimentação para gatos se destacou, com avanço de 26,2% no volume comercializado, enquanto a ração para cães cresceu 10%. A diferença entre as categorias reforça que compreender as particularidades da demanda é importante para definir estratégias de abastecimento e composição do sortimento.
Para Elói Assis, diretor-executivo para produtos de distribuição e varejo da TOTVS, a tecnologia pode contribuir para que os pet shops identifiquem oportunidades a partir do comportamento de seus clientes, em vez de concentrar a disputa apenas nos preços. “O pet shop não precisa competir com o supermercado apenas pelo menor preço. Sua vantagem está em conhecer melhor o consumidor, oferecer um sortimento adequado às necessidades de cada animal e construir um relacionamento que vá além da compra pontual”, afirma.
Dados ajudam a orientar decisões de negócio
Nesse cenário, integrar informações comerciais e operacionais permite transformar os registros do dia a dia em decisões mais precisas. Ao cruzar dados de vendas, estoque e compras, os gestores conseguem identificar quais itens têm maior saída, quais permanecem mais tempo nas prateleiras e como ajustar o abastecimento à demanda. Sistemas de gestão, como o VarejOnline by TOTVS, apoiam esse acompanhamento e permitem analisar a operação de forma integrada.
A análise também ajuda a identificar diferenças no comportamento de compra entre categorias e perfis de consumidores. Em vez de trabalhar com um sortimento uniforme, o estabelecimento pode direcionar suas compras de acordo com a demanda observada, priorizando os itens mais relevantes para seu público. Essa leitura é especialmente importante em um mercado no qual as necessidades variam conforme o tipo e o porte do animal, os hábitos dos tutores e a faixa de preço dos produtos.
A gestão de estoque também influencia a experiência de compra e o resultado financeiro. A falta de um item habitual pode levar o consumidor a procurar outro estabelecimento, enquanto o excesso de mercadorias com baixo giro compromete recursos que poderiam ser destinados a produtos com maior demanda. “Manter a disponibilidade dos produtos sem imobilizar capital desnecessariamente em estoque é um diferencial importante para a saúde financeira da empresa”, destaca Assis.
Competir exige olhar além do preço
A disputa com os supermercados reforça a importância de acompanhar indicadores que permitam avaliar o desempenho do negócio para além do faturamento. Giro e cobertura de estoque, índice de ruptura, margem por categoria, tíquete médio e frequência de compra ajudam a entender quais decisões contribuem para os resultados e onde existem oportunidades de melhoria.
Essas informações podem orientar desde a negociação com fornecedores até a definição de promoções e a composição do sortimento. Uma oferta que aumenta o volume vendido, por exemplo, nem sempre representa um bom resultado se reduzir excessivamente a margem. Da mesma forma, ampliar a variedade de produtos sem considerar a demanda pode elevar os custos sem gerar retorno proporcional.
Para Assis, o uso estratégico dessas informações permite que o varejo especializado tome decisões mais alinhadas às características de sua operação e de seu público. Com os supermercados ampliando sua participação na categoria, conhecer os hábitos de compra, acompanhar a demanda e equilibrar disponibilidade e rentabilidade tornam-se aspectos importantes para os pet shops definirem como querem competir e ocupar seu espaço no mercado.