Fim da substituição tributária reduz pressão sobre capital de giro da cadeia pet
O fim da substituição tributária (ST) do ICMS em São Paulo pode trazer alívio financeiro para a cadeia pet, especialmente para distribuidores que operam com alto volume de estoque e ampla pulverização logística. A avaliação é de Diego Dahas, presidente da Andipet, em entrevista exclusiva ao Panorama Pet&Vet.
Segundo o executivo, a principal mudança está na redução da necessidade de antecipação tributária, que historicamente pressionava o capital de giro das empresas. “Sem a ST, deixamos de antecipar o imposto e passamos a pagar o ICMS no momento da venda, o que reduz significativamente o capital imobilizado em estoque”, analisa.
Na prática, a mudança altera a lógica financeira da operação, já que distribuidores deixam de carregar parte relevante do custo tributário antes mesmo da efetivação da venda.
Distribuição vê ganho imediato de eficiência financeira
Em um setor marcado por milhares de SKUs, alta rotatividade de produtos e operação logística complexa, a liberação de capital pode ampliar capacidade operacional e competitividade. Para Dahas, o modelo anterior também penalizava perdas estruturais da distribuição.
“Perdas por vencimento e avarias sempre existiram na operação, mas, no modelo de substituição tributária, o imposto já havia sido recolhido antecipadamente e não havia ressarcimento, gerando prejuízo direto”, ressalta.
Na avaliação da entidade, a nova sistemática melhora a previsibilidade de caixa e pode abrir espaço para investimentos em estoque, cobertura regional, estrutura comercial e atendimento ao varejo.
Mudança pode simplificar rotina de pequenos varejistas
O impacto tende a variar entre os diferentes elos da cadeia. Para pequenos pet shops, a mudança pode representar simplificação operacional, especialmente diante de erros fiscais recorrentes observados no modelo anterior. Segundo Dahas, falhas no lançamento tributário geravam distorções relevantes no mercado.
“Muitos lojistas, por desconhecimento ou falha operacional, acabavam lançando a venda de rações como ICMS normal, mesmo sendo mercadoria já sujeita à substituição tributária, ou seja, pagavam imposto duas vezes”, comenta.
Para grandes redes, a adaptação tende a ser menos complexa, considerando estruturas tributárias mais robustas e sistemas mais preparados.
Reforma tributária mantém preocupação no horizonte
Apesar da avaliação positiva sobre a mudança imediata, a Andipet mantém cautela em relação ao processo mais amplo de transição tributária. O setor precisará acompanhar de perto a implementação da reforma tributária nacional, especialmente diante de potenciais impactos operacionais sobre fluxo de caixa.
“O período de transição será longo, complexo e exigirá adaptação pesada das empresas em sistemas, processos fiscais, precificação, controles internos e gestão de caixa”, adverte. O executivo também destacou preocupação com o modelo de split payment, que poderá alterar novamente a dinâmica financeira das operações.
“Para operações que trabalham com estoque elevado, prazo, vencimentos, avarias e logística regional complexa, qualquer alteração no fluxo financeiro precisa ser observada com muito cuidado”, afirma.