Fundador da Petz critica Selic a 14,5% e diz que juros pressionam varejo
Executivo afirma que taxa básica elevada compromete resultados operacionais e dificulta crescimento das empresas
O cenário de juros elevados no Brasil segue pressionando o varejo, na avaliação de Sergio Zimerman, fundador e presidente do Conselho do Grupo Petz Cobasi. Em entrevista ao programa Hot Market, da CNN Brasil, o executivo classificou a taxa Selic em 14,5% ao ano como “trágica” e afirmou que o atual patamar compromete a sustentabilidade financeira das empresas do setor.
Segundo Zimerman, o custo do capital tem consumido a capacidade operacional de varejistas, especialmente em um ambiente de crédito restrito e menor apetite por expansão.
“Essa taxa, a segunda taxa mais alta do mundo, ela é trágica. Você tem quase 10% de juros reais. Que negócio sustenta pagar esse tipo de juros? Você tem varejistas que trabalham o ano inteiro para pegar todo o resultado operacional e ir para o sistema financeiro, para o pagamento dos juros”, afirmou.
O executivo defendeu que a manutenção prolongada de juros elevados tem ampliado a pressão sobre a economia real e dificultado a retomada do crescimento.
Juros elevados pressionam operação do varejo
Na entrevista, Zimerman afirmou que o atual cenário se tornou insustentável para parte das empresas, especialmente aquelas que dependem de financiamento para sustentar operação, expansão ou capital de giro.
“Isso é insustentável. Por algum tempo pode ser, mas por tanto tempo assim está matando a economia, asfixiando a economia”, disse.
A fala ocorre em um momento de atenção para empresas do varejo, que convivem com crédito mais caro, pressão sobre margens e desaceleração no consumo. Em negócios com forte dependência de capital, o custo financeiro tende a impactar diretamente a rentabilidade.
Executivo questiona política monetária diante de inflação de custos
Zimerman também levantou questionamentos sobre a eficácia da política monetária em cenários em que a inflação é impulsionada por fatores externos, como aumento no custo de matérias-primas ou tensões geopolíticas.
Segundo ele, manter a Selic em patamares elevados pode reduzir demanda, mas não necessariamente resolve pressões inflacionárias ligadas a custos.
“Quando você tem uma inflação que não é de demanda, é uma inflação de custos, por outras razões, um fator externo como a guerra, você manter a taxa nas alturas, você está simplesmente destruindo ainda mais, asfixiando ainda mais a economia”, afirmou.
O empresário também mencionou a meta de inflação brasileira, hoje centrada em 3%, e questionou se o parâmetro ainda reflete o cenário econômico global após os impactos provocados pela pandemia.
Debate sobre juros e crescimento econômico
Durante a entrevista, Zimerman também defendeu uma visão mais ampla sobre os efeitos da política monetária na atividade econômica.
“Me parece faltar uma visão mais integrada sobre o que é crescimento econômico, o que é deixar o paciente vivo e do que é taxa de juros a pretexto de controlar a inflação a qualquer preço”, comentou.
O executivo também argumentou que, mesmo com eventual redução da Selic para patamares menores, a renda fixa continuaria atrativa para investidores, sem necessariamente provocar uma migração imediata para outros ativos.