Pesquisa mostra que 24% dos brasileiros já viajaram de avião com pets
por Gabriel Sartini em
e atualizado em
Pesquisa divulgada pela KAYAK aponta que 24% dos brasileiros viajaram de avião com seus pets nos últimos dois anos, enquanto 18% pretendem repetir a experiência nos próximos 12 meses.
O dado indica que a jornada do tutor não termina na compra da passagem. Dependendo da rota, o transporte pode envolver avaliação das condições de saúde do animal, emissão de documentos sanitários, comprovação de vacinação e cumprimento de regras específicas das companhias aéreas e dos países de destino.
Para o setor veterinário, esse movimento tende a ampliar a procura por atendimentos relacionados ao planejamento de viagens. A orientação antecipada também pode reduzir o risco de incompatibilidade entre documentos, exigências sanitárias e condições de transporte próximas à data do embarque.
Regras das companhias aéreas são o maior obstáculo
A pesquisa aponta que 35% dos brasileiros consideram as regras, restrições e a burocracia das companhias aéreas como a principal dificuldade para viajar com pets.
O estresse que a viagem pode causar ao animal aparece na sequência, citado por 34% dos entrevistados. Já os custos com taxas aéreas, certificados veterinários, seguros e caixas de transporte foram mencionados por 32%.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) reúne orientações gerais sobre o transporte aéreo de animais, mas as condições comerciais e operacionais são definidas pelas próprias companhias. Fatores como peso do animal, dimensões do recipiente de transporte, rota, tipo de aeronave e disponibilidade do serviço no voo podem alterar as condições de embarque.
Companhias adotam regras diferentes para transporte de pets
As principais companhias aéreas que operam no mercado brasileiro possuem critérios próprios para o transporte de animais.
Na Azul, é permitido o transporte regular de animais na cabine dentro dos limites de peso e dimensões estabelecidos pela companhia, considerando o peso somado do pet e da caixa de transporte.
A GOL também mantém serviço específico para o transporte de cães e gatos, com regras próprias para viagens na cabine e, em determinadas operações, no compartimento apropriado da aeronave.
Já a LATAM oferece modalidades de transporte que podem variar de acordo com fatores como rota, duração do voo, tipo de aeronave, porte do animal e disponibilidade do serviço.
Como as políticas podem ser atualizadas, o tutor deve confirmar as condições diretamente com a companhia antes de comprar a passagem e reservar o transporte do animal.
Documentação coloca médicos veterinários no centro do planejamento
A viagem com animais de companhia também exige atenção às normas sanitárias. Nos deslocamentos nacionais, cães e gatos devem cumprir os requisitos de documentação aplicáveis à rota e às condições de transporte, incluindo, quando exigido, atestado de saúde emitido por médico veterinário regularmente inscrito no CRMV e comprovação de vacinação.
Nas viagens internacionais, a preparação pode ser ainda mais complexa. O deslocamento entre países pode exigir documentos sanitários específicos, como o Certificado Veterinário Internacional (CVI) ou o Passaporte para Trânsito de Cães e Gatos, além do cumprimento das exigências determinadas pelo país de destino.
Nesse ponto, o planejamento ganha importância porque os requisitos podem envolver prazos mínimos para vacinação, exames laboratoriais, tratamentos preventivos e emissão da documentação. O início tardio do processo pode comprometer a data prevista para a viagem.
Planejamento antecipado reduz riscos no embarque
Para clínicas e hospitais veterinários, o crescimento das viagens com pets surge como oportunidade de estruturar serviços específicos de orientação ao tutor. O atendimento pode incluir avaliação clínica, revisão do histórico sanitário, conferência documental e esclarecimentos sobre as condições exigidas para o deslocamento.
A demanda também pode abrir espaço para a criação de um serviço especializado de planejamento de viagens com animais, principalmente para estabelecimentos que atendem tutores com frequência de deslocamentos nacionais e internacionais.
Para os médicos veterinários, o desafio é transformar uma necessidade crescente dos tutores em um serviço técnico e estruturado, baseado nas exigências atualizadas de cada viagem e nas condições sanitárias de cada paciente.
A pesquisa online do KAYAK foi realizada com a The Ripple Effect entre 2.000 adultos acima dos 18 anos no Brasil que viajaram a lazer dentro ou fora do país nos últimos dois anos e que também pretendem viajar nos próximos 12 meses. O trabalho de campo foi realizado entre 15 e 18 de maio de 2026.