Comportamento do tutor pet molda decisões na indústria de cosméticos
Levantamento da Mintel mostra que tutores de animais de estimação valorizam certificações éticas e cruelty-free.
por Gabriel Sartini em
e atualizado em
Um levantamento da consultoria Mintel mostra que o comportamento de consumo dos tutores de animais de estimação vai além dos produtos voltados diretamente a cães e gatos. A pesquisa, realizada no Brasil, aponta que esse público exerce influência direta sobre decisões estratégicas em outros mercados, como o setor de beleza e cuidados pessoais.
Segundo o estudo, responsáveis por pets valorizam de forma cada vez mais intensa certificações éticas e o conceito de cruelty-free, que indica que produtos e ingredientes não foram testados em animais em nenhuma etapa do desenvolvimento.
Para empresas do ecossistema pet, o dado acende um sinal de atenção: tutores tendem a levar os valores de bem-estar animal para decisões de compra em categorias que vão além da nutrição e da medicina veterinária, ampliando o potencial de parcerias e ações de marketing cruzado entre marcas pet e outros segmentos de consumo.
Cruelty-free pesa mais na decisão de compra de tutores
De acordo com a Mintel, donos de animais de companhia atribuem maior importância a critérios éticos ao avaliar marcas de beleza limpa (clean beauty).
O levantamento mostra que 36% desse público citam “sem crueldade animal” como característica que define beleza limpa, contra 27% entre consumidores sem pets.
Além disso, 39% afirmam optar por produtos desse segmento porque as marcas apoiam causas com as quais se identificam, enquanto 32% dizem pesquisar ativamente certificações éticas e sustentáveis antes de decidir a compra.
Para a analista sênior de Beleza e Cuidados Pessoais da Mintel para a América Latina, Amanda Caridad, marcas que comunicam de forma clara selos que atestam a ausência de testes em animais ou de ingredientes de origem animal tendem a se destacar junto a esse público.
“O movimento clean beauty vem conquistando consumidores brasileiros que demonstram maior consciência sobre o impacto do consumo no meio ambiente e valorizam marcas alinhadas aos seus valores morais”, afirma a especialista.
Brasileiros cobram mais transparência das marcas
O comportamento do tutor pet está inserido em um cenário mais amplo de desconfiança do consumidor brasileiro em relação a discursos de sustentabilidade e ética corporativa.
De acordo com a Mintel, 80% dos consumidores acreditam que as marcas precisam fazer mais para comprovar que suas afirmações éticas são confiáveis. Além disso, 38% dos entrevistados consideram a comprovação científica um fator relevante na escolha de produtos de beleza limpa.
Caridad reforça que o principal obstáculo à compra de beleza limpa está na forma como as marcas comunicam seus benefícios, o que abre espaço para o uso de pesquisas e endossos de terceiros como estratégia de credibilidade.
Oportunidade para o setor pet e para marcas parceiras
Para gestores e estrategistas de marketing do setor pet, o dado da Mintel sinaliza uma oportunidade concreta. Campanhas colaborativas com marcas de beleza, moda ou cuidados pessoais que reforcem valores de bem-estar animal têm potencial de engajar um público já predisposto a associar consumo consciente à causa animal.
Empresas que atuam com produtos de higiene e estética pet também podem se beneficiar adotando, de forma transparente, certificações reconhecidas de não testagem em animais como diferencial competitivo diante de tutores cada vez mais atentos a esse critério.