Proteína de insetos enfrenta desafios para avançar na nutrição pet
Altos custos, crescimento abaixo do esperado e dificuldades operacionais freiam expansão de um ingrediente visto como promissor no pet food
por Juliana de Caprio em
A proteína de insetos, apontada nos últimos anos como alternativa sustentável para a alimentação animal, passa por um momento de reavaliação no mercado global. Apesar do potencial nutricional e ambiental atribuído ao ingrediente, altos custos de produção, barreiras regulatórias e uma adoção mais lenta do que o esperado tem limitado seu avanço na indústria de pet food.
No início da década, projeções indicavam forte expansão do segmento. Estimativas apontavam que o mercado global de proteína de insetos poderia ultrapassar US$ 4 bilhões (R$ 20,1 bilhões) até 2032. Entretanto, os volumes efetivamente comercializados ficaram abaixo das expectativas, e parte das empresas que lideraram a corrida por escala industrial enfrentou dificuldades financeiras.
Um dos casos mais emblemáticos foi o da francesa Ÿnsect, uma das principais referências mundiais na produção de proteína de insetos. A empresa entrou em liquidação judicial no fim de 2025 após enfrentar problemas técnicos, elevados custos operacionais e dificuldades para captar novos recursos, mesmo após receber mais de US$ 600 milhões (R$ 3.016,4 milhões) em investimentos.
Segundo especialistas ouvidos pela Petfood Industry, o principal desafio continua sendo econômico. Embora a tecnologia tenha avançado significativamente, a proteína de insetos ainda apresenta custo superior ao de ingredientes tradicionais, como farelo de soja e farinha de peixe. Além disso, a produção demanda instalações altamente automatizadas e intensivas em capital.
Mercado pet sustenta demanda
Apesar das dificuldades, o segmento pet continua sendo um dos principais mercados para a proteína de insetos. Especialistas apontam que a categoria encontra espaço especialmente em dietas premium, produtos voltados à sustentabilidade e formulações para animais com sensibilidades alimentares.
A indústria também tem avançado em pesquisas sobre digestibilidade, genética dos insetos e eficiência produtiva. No entanto, ainda existem discussões relacionadas aos níveis ideais de inclusão do ingrediente nas formulações, além de questionamentos sobre custos, disponibilidade e escalabilidade.
Apesar do cenário mais cauteloso, analistas não descartam o potencial de longo prazo da categoria. O setor continua atraindo investimentos em regiões como a África, onde novas fazendas de criação de insetos surgem impulsionadas pela demanda por fontes alternativas de proteína e por iniciativas ligadas à economia circular.
Para especialistas, o futuro da proteína de insetos dependerá da capacidade da indústria de reduzir custos, ampliar a escala de produção e consolidar uma proposta de valor clara para fabricantes e consumidores. O consenso é que o ingrediente permanece promissor, mas o crescimento deverá ocorrer de forma mais gradual do que as projeções iniciais indicavam.