NR-1 inclui riscos psicossociais no GRO e exige atenção de clínicas veterinárias
Revisão de processos, demandas e condições de trabalho ganham espaço na gestão de clínicas e hospitais veterinários
por Gabriel Sartini em
e atualizado em
A alteração foi estabelecida pela Portaria MTE nº 1.419/2024, que revisou o capítulo 1.5 da norma. O texto também reforçou a participação dos trabalhadores na identificação e percepção dos riscos e aperfeiçoou as etapas de identificação de perigos, avaliação e controle dos riscos ocupacionais.
Para o setor veterinário, a discussão chega a uma rotina marcada por plantões, atendimento de urgência, contato com situações de sofrimento animal, necessidade de decisões técnicas e integração entre diferentes profissionais. A avaliação, porém, deve considerar as condições reais de cada operação, e não presumir que determinada atividade represente automaticamente um risco psicossocial.
O que clínicas e hospitais precisam revisar
A nova redação foca na identificação, avaliação e prevenção dos fatores de risco relacionados ao trabalho, dentro do GRO.
Em uma clínica ou hospital veterinário, a análise pode alcançar situações como sobrecarga e excesso de demandas, distribuição de tarefas, comunicação entre plantões e profissionais, falta de suporte ou apoio às equipes e até pressão relacionada à organização ou ao ritmo de trabalho, além de casos de conflito ou assédio.
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) publicou em 2026 um manual de interpretação e aplicação do capítulo 1.5 e uma ferramenta de perguntas e respostas para orientar organizações e profissionais. Os materiais têm caráter orientativo e não substituem o texto da NR-1.
A orientação do MTE também indica que não existe uma única ferramenta obrigatória para avaliação dos riscos psicossociais. A metodologia deve ser adequada à realidade e à complexidade da organização e fazer parte de um processo de gerenciamento dos riscos ocupacionais.
Pressão ocupacional também afeta a medicina veterinária
A relevância do tema para a profissão aparece em pesquisas internacionais. Um estudo publicado na revista Veterinary Sciences analisou dois levantamentos realizados com veterinários de diferentes países europeus, reunindo 14.559 participantes em 2018/2019 e 12.393 em 2022/2023.
Nos dois estudos, aproximadamente 23% dos participantes disseram ter precisado de afastamento médico superior a 14 dias nos três anos anteriores por motivos relacionados a burnout, exaustão, fadiga por compaixão ou depressão.
Os resultados não permitem estimar a situação dos veterinários brasileiros, mas ajudam a dimensionar desafios ocupacionais presentes em uma profissão que envolve responsabilidade técnica, pressão decisória e contato frequente com situações emocionalmente desgastantes.
Liderança passa a ter impacto operacional
Para a PETFriendly Turismo, empresa especializada no planejamento e transporte de animais em viagens nacionais e internacionais, a atualização reforça a necessidade de acompanhar a organização do trabalho e a execução dos procedimentos.
Segundo Juliana Stephani, CEO da empresa, “Além das demandas técnicas da profissão, trabalhadores do setor podem lidar diariamente com situações emocionalmente desgastantes como contato com animais em sofrimento e necessidade de tomar decisões sob pressão”, pontua
Na avaliação da executiva, organização do trabalho, comunicação interna, distribuição de tarefas e suporte oferecido pelas empresas precisam fazer parte da prevenção.
Para o sócio-fundador do Grupo +Pet, Alan Mora, o crescimento da rede nos últimos seis anos trouxe a necessidade de estruturar liderança, treinamento e processos. “Quando começamos a fazer o diagnóstico de uma empresa, o que mais aparece é a necessidade de trabalhar a liderança”, explica o executivo, responsável também pelo programa Veterinário Empresário, que capacita profissionais da medicina veterinária para a gestão de clínicas e hospitais.
Na +Pet, a gestão foi organizada em três pilares: conhecimento técnico, comunicação e limpeza e organização. O modelo inclui onboarding, treinamentos, reciclagens, auditorias, troca de plantões e reuniões de alinhamento.
Para Mora, a sobrecarga também pode produzir efeitos sobre a operação. “Equipe sobrecarregada não significa equipe eficiente. A sobrecarga pode comprometer a qualidade do atendimento, aumentar riscos e impedir que o médico tenha tempo para conversar adequadamente com os responsáveis pelos pacientes e discutir exames, procedimentos e protocolos terapêuticos.”
STF suspende sanções por 90 dias
O cenário regulatório ganhou uma atualização em agosto. O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou por unanimidade a suspensão, por 90 dias, da aplicação de multas e outras sanções relacionadas aos dispositivos da NR-1 sobre riscos psicossociais. A decisão também abriu espaço para uma tentativa de conciliação sobre a aplicação das regras.
A medida não suspende a vigência da nova redação da NR-1. O próprio STF esclareceu que a decisão trata das sanções relacionadas aos dispositivos questionados, enquanto as regras gerais da norma permanecem aplicáveis.
Para empresas veterinárias, o cenário coloca a gestão do risco ocupacional em uma fase de acompanhamento regulatório. A suspensão temporária das sanções não elimina a necessidade de compreender a nova redação, revisar os processos internos e acompanhar as orientações oficiais que serão consolidadas durante o período de conciliação.
A agenda do próprio MTE reforça a prioridade dada ao tema. A Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho (Canpat 2026) tem como foco a prevenção dos riscos psicossociais no trabalho e inclui ações de orientação sobre a aplicação do novo capítulo da NR-1.
Clínicas, hospitais veterinários e empresas do setor pet precisam considerar os riscos psicossociais relacionados ao trabalho dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) desde a entrada em vigor da nova redação da NR-1, em maio desse ano. Na prática, a mudança leva para a gestão ocupacional fatores como sobrecarga, excesso de demandas, assédio, falta de suporte e problemas relacionados à organização do trabalho.
A alteração foi estabelecida pela Portaria MTE nº 1.419/2024, que revisou o capítulo 1.5 da norma. O texto também reforçou a participação dos trabalhadores na identificação e percepção dos riscos e aperfeiçoou as etapas de identificação de perigos, avaliação e controle dos riscos ocupacionais.
Para o setor veterinário, a discussão chega a uma rotina marcada por plantões, atendimento de urgência, contato com situações de sofrimento animal, necessidade de decisões técnicas e integração entre diferentes profissionais. A avaliação, porém, deve considerar as condições reais de cada operação, e não presumir que determinada atividade represente automaticamente um risco psicossocial.
O que clínicas e hospitais precisam revisar
A nova redação foca na identificação, avaliação e prevenção dos fatores de risco relacionados ao trabalho, dentro do GRO.
Em uma clínica ou hospital veterinário, a análise pode alcançar situações como sobrecarga e excesso de demandas, distribuição de tarefas, comunicação entre plantões e profissionais, falta de suporte ou apoio às equipes e até pressão relacionada à organização ou ao ritmo de trabalho, além de casos de conflito ou assédio.
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) publicou em 2026 um manual de interpretação e aplicação do capítulo 1.5 e uma ferramenta de perguntas e respostas para orientar organizações e profissionais. Os materiais têm caráter orientativo e não substituem o texto da NR-1.
A orientação do MTE também indica que não existe uma única ferramenta obrigatória para avaliação dos riscos psicossociais. A metodologia deve ser adequada à realidade e à complexidade da organização e fazer parte de um processo de gerenciamento dos riscos ocupacionais.
Pressão ocupacional também afeta a medicina veterinária
A relevância do tema para a profissão aparece em pesquisas internacionais. Um estudo publicado na revista Veterinary Sciences analisou dois levantamentos realizados com veterinários de diferentes países europeus, reunindo 14.559 participantes em 2018/2019 e 12.393 em 2022/2023.
Nos dois estudos, aproximadamente 23% dos participantes disseram ter precisado de afastamento médico superior a 14 dias nos três anos anteriores por motivos relacionados a burnout, exaustão, fadiga por compaixão ou depressão.
Os resultados não permitem estimar a situação dos veterinários brasileiros, mas ajudam a dimensionar desafios ocupacionais presentes em uma profissão que envolve responsabilidade técnica, pressão decisória e contato frequente com situações emocionalmente desgastantes.
Liderança passa a ter impacto operacional
Para a PETFriendly Turismo, empresa especializada no planejamento e transporte de animais em viagens nacionais e internacionais, a atualização reforça a necessidade de acompanhar a organização do trabalho e a execução dos procedimentos.
Segundo Juliana Stephani, CEO da empresa, “Além das demandas técnicas da profissão, trabalhadores do setor podem lidar diariamente com situações emocionalmente desgastantes como contato com animais em sofrimento e necessidade de tomar decisões sob pressão”, pontua
Na avaliação da executiva, organização do trabalho, comunicação interna, distribuição de tarefas e suporte oferecido pelas empresas precisam fazer parte da prevenção.
Para o sócio-fundador do Grupo +Pet, Alan Mora, o crescimento da rede nos últimos seis anos trouxe a necessidade de estruturar liderança, treinamento e processos. “Quando começamos a fazer o diagnóstico de uma empresa, o que mais aparece é a necessidade de trabalhar a liderança”, explica o executivo, responsável também pelo programa Veterinário Empresário, que capacita profissionais da medicina veterinária para a gestão de clínicas e hospitais.
Na +Pet, a gestão foi organizada em três pilares: conhecimento técnico, comunicação e limpeza e organização. O modelo inclui onboarding, treinamentos, reciclagens, auditorias, troca de plantões e reuniões de alinhamento.
Para Mora, a sobrecarga também pode produzir efeitos sobre a operação. “Equipe sobrecarregada não significa equipe eficiente. A sobrecarga pode comprometer a qualidade do atendimento, aumentar riscos e impedir que o médico tenha tempo para conversar adequadamente com os responsáveis pelos pacientes e discutir exames, procedimentos e protocolos terapêuticos.”
STF suspende sanções por 90 dias
O cenário regulatório ganhou uma atualização em agosto. O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou por unanimidade a suspensão, por 90 dias, da aplicação de multas e outras sanções relacionadas aos dispositivos da NR-1 sobre riscos psicossociais. A decisão também abriu espaço para uma tentativa de conciliação sobre a aplicação das regras.
A medida não suspende a vigência da nova redação da NR-1. O próprio STF esclareceu que a decisão trata das sanções relacionadas aos dispositivos questionados, enquanto as regras gerais da norma permanecem aplicáveis.
Para empresas veterinárias, o cenário coloca a gestão do risco ocupacional em uma fase de acompanhamento regulatório. A suspensão temporária das sanções não elimina a necessidade de compreender a nova redação, revisar os processos internos e acompanhar as orientações oficiais que serão consolidadas durante o período de conciliação.
A agenda do próprio MTE reforça a prioridade dada ao tema. A Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho (Canpat 2026) tem como foco a prevenção dos riscos psicossociais no trabalho e inclui ações de orientação sobre a aplicação do novo capítulo da NR-1.