PETSA e PET VET 2026: o que esperar da edição que marca 25 anos de história
O evento celebra a evolução e a constante transformação do mercado pet
por Guilherme Martinez em
e atualizado em
Faltando poucas semanas para agosto, sinto o mesmo frio na barriga de sempre. Já perdi a conta de quantas edições da Pet South America e da PET VET acompanhei de perto, mas confesso que essa de 2026 tem um gosto especial. Estamos completando 25 anos de PETSA como a cara do mercado pet nacional. E isso não é força de expressão. É o tipo de marca que só se constrói com tempo, entre erros, acertos e muita conversa com quem realmente faz o setor acontecer todos os dias.
Entre os dias 12 e 14 de agosto, o Distrito Anhembi voltará a receber os dois eventos lado a lado, mantendo uma tradição consolidada no setor. E é justamente essa proximidade física entre PETSA e PET VET que, na minha visão, conta boa parte da história do nosso mercado – produto, indústria, varejo, distribuição e o profissional veterinário caminhando no mesmo espaço, quase sempre nas mesmas conversas de corredor.
Uma edição que carrega peso simbólico
Quando um evento chega aos 25 anos, existe umatentação natural de fazer uma edição ‘comemorativa’ no sentido raso da palavra, com balões e discurso de efemérides. Não é esse o caminho que escolhemos. Prefiro pensar nesse aniversário como um convite para reafirmar compromissos com a qualificação do visitante, com o conteúdo dos congressos e com a curadoria de quem expõe. Se o setor pet brasileiro amadureceu nos últimos anos, o evento que se propõe a representá-lo também precisa amadurecer junto.
Isso significa, na prática, seguir investindo em rodadas de negócios qualificadas, em experiências que vão além do estande e em conteúdo que ajude o pequeno e o médio empresário a se posicionar melhor num mercado mais seletivo. Não é sobre lotar corredores, é sobre gerar negócio de verdade para quem viaja de outro estado, ou até de outro país, para estar lá.
PET VET: o encontro que fala a língua do veterinário
Se a PETSA é a vitrine do mercado pet como um todo, a PET VET é, para mim, o ponto de encontro mais genuíno do setor veterinário na América Latina. O Congresso PET VET, realizado em parceria com a ANMV, segue sendo o carro-chefe de conteúdo técnico. Além disso, as renovações de parceria com entidades como ABHV e ABIMO mostram algo que valorizo bastante: a feira não quer apenas vender estandes, mas construir relações de longo prazo com quem fortalece a cadeia de saúde animal no Brasil.
Tenho conversado com muitos veterinários nos últimos meses, e um tema recorrente é a necessidade de qualificação em um mercado que recebeu, nos últimos anos, uma enxurrada de profissionais formados em ritmos bastante diferentes. A PET VET, para mim, tem o papel de ser um contraponto e um espaço onde conteúdo feito por veterinário para veterinário realmente importa.
O poder dos eventos paralelos
Se você me perguntar o que mais me anima nessa edição, provavelmente não vou falar só do salão principal. É nos eventos paralelos que sinto o pulso mais fino do mercado. O Pet Comportamento e o Pet Creche continuam trazendo pautas que cresceram muito de relevância: behaviorismo animal e o mercado de creches caninas deixaram de ser nicho para virar linha de negócio séria.
O Pet Desenvolve chega falando diretamente com quem vive o dia a dia de gestão e liderança, algo que considero essencial justamente num momento em que o setor desacelerou e passou a exigir mais eficiência do que euforia.
E, claro, temos o Petfood Forum Brasil, que reúne a indústria de alimentação pet num encontro exclusivo. Sendo o segmento de pet food a locomotiva do faturamento do setor, ter esse fórum dentro do guarda-chuva da PETSA faz todo sentido estratégico. É impossível falar da indústria pet brasileira sem dar protagonismo a quem fabrica os alimentos que chegam diariamente à casa dos tutores.
O que eu, pessoalmente, espero de agosto
Depois de tantos anos nessa cadeira, aprendi a não tratar cada edição como repetição da anterior. O contexto de 2026 é diferente do ano passado: o mercado desacelerou, ficou mais seletivo, mais criterioso com investimento. Isso, na minha leitura, torna o evento ainda mais relevante, e não menos. Quando o crescimento deixa de ser automático, quem sobe no palco, quem senta na roda de negócios e quem participa dos congressos passa a valer mais.
Vou estar lá caminhando pelos corredores, ouvindo expositores, visitantes, congressistas e profissionais da imprensa. É desse contato direto que nascem os temas que viram coluna, e é por isso que sigo achando esse momento do calendário um dos mais ricos do ano para quem, como eu, vive o setor pet e veterinário de dentro.