Estudo analisa longevidade de cães de porte gigante
Resultado revela questões de tempo de vida e predisposições a doenças a animais desse porte
por Luis Gustavo Chambrone em
e atualizado em
Com a proposta de compreender melhor a saúde e a longevidade de cães de porte gigante, um estudo britânico do Royal Veterinary College (RVC) descobriu que esses animais têm maior predisposição a determinadas doenças.
O levantamento investigou 28.345 animais de 29 raças a partir de dados de clínicas veterinárias de atendimento primário participantes do programa VetCompass, referentes a 2019
Publicado na revista Companion Animal Health and Genetics, o estudo analisou o perfil desses animais no Reino Unido. As raças mais comuns na amostra foram Dogue de Bordeaux (18%), Malamute do Alasca (13%) e Akita (10%), enquanto o peso corporal médio foi de 49 kg.
Cães de raças gigantes apresentam mais doenças registradas
A investigação revelou que esses animais apresentam mais doenças registradas e menor longevidade quando comparados aos cães em geral. Em uma amostra aleatória de 4.316 cães de raças gigantes, 74% apresentaram pelo menos uma doença registrada naquele ano.
O percentual é superior ao observado em levantamentos anteriores sobre a população canina em geral. Dados anteriores do VetCompass indicaramque 66% dos cães, considerando todas as raças, apresentaram ao menos uma doença registrada.
Cães gigantes enfrentam desafios no cuidado preventivo
Segundo os autores, os números podem indicar maior vulnerabilidade a ocorrência de problemas de saúde entre cães desse porte. Entretanto, os pesquisadores também levantamoutraquestãorelacionadaaos cuidados preventivos desses animais.
Tutores de cães de porte gigante podem estar menos habituados a manter medidas preventivas devido a barreiras logísticas, financeiras e de acesso à assistência veterinária.
Entre os problemas de saúde registrados, os mais frequentes foram relacionados a condições auditivas, dermatológicas e musculoesqueléticas.
Diferença entre raças molossoides e não molossoides
Em relação aos problemas de saúde, o estudo também identificou diferenças entre cães de raças molossoides e não molossoides.
Os cães de raças molossoides apresentaram mais registros de alopecia, cistos cutâneos, claudicação, otite externa, secreção auricular e entrópio. Por outro lado, tiveram menos registros de excesso de peso ou obesidade, diarreia, agressividade, doença dentária e doença periodontal.
Além disso, cães de raças molossoides apresentaram menor longevidade mediana, de 8,42 anos, ante 9,97 anos entre os demais cães de raças gigantes.
Principais causas de morte
Entre os cães que morreram durante o período analisado, a idade mediana ao óbito foi de 8,9 anos, abaixo dos 12 anos observados para a população canina em geral em estudo anterior.
A investigação também identificou as principais causas de morte. Neoplasias, colapso e cardiopatias estiveram entre as causas mais frequentemente registradas.
Para os autores, os resultados levantam questões sobre a qualidade de vida e os limites da seleção de animais para portes corporais extremos.