Quatro em cada 10 americanos preferem ter pet a um filho, aponta pesquisa
Levantamento revela mudanças nos hábitos dos consumidores e preocupações das novas gerações
por Luis Gustavo Chambrone em
e atualizado em
Em vários países considerados desenvolvidos, a queda nas taxas de natalidade tem se revelado um fenômeno constante. Questões financeiras, avanços na medicina preventiva, mudanças de objetivo e participação cada vez maior das mulheres no mercado de trabalho estão entre os principais fatores responsáveis por esse movimento.
Em contrapartida, a população de animais de estimação segue em expansão em diversos mercados. Esse crescimento está associado à mudança na relação entre humanos e pets, cada vez mais vistos como membros da família, além dousode pets como alternativa para acompanhamentos de pessoas com questões de saúde – tanto físicas como psicológicas.
Essa mudança de comportamento aparece de forma clara no levantamento State of Pets, realizado pela Harris Poll, em que 83% dos entrevistados declararam considerar seus animais de estimação como membros da família, tratando-os como filhos.
Pesquisa mostra mudança nas prioridades familiares
A pesquisa da Harris Poll divulgada em julho ouviu 2.070 adultos nos Estados Unidos. O levantamento revelou que 40% dos americanos escolheriam ter um animal de estimação em vez de um filho no futuro.
Outros 39% disseram que gostariam de ter ambos, enquanto 21% responderam que prefeririam ter apenas filhos.
Segundo Libby Rodney, diretora de estratégia e futurista da Harris Poll, o fenômeno reflete uma transformação que vai além do vínculo afetivo com os animais
“Os tutores mais jovens estão reduzindo gastos com refeições fora de casa, viagens e até consultas médicas para investir mais em seus animais. Isso vai além do aspecto emocional. Trata-se de uma geração que vê no pet o único dependente que realmente consegue sustentar financeiramente”, avalia.
Gerações mais jovens impulsionam a tendência
A mudança é ainda mais evidente entre a Geração Z e os Millennials. Segundo a pesquisa, 55% dos entrevistados dessas faixas etárias disseram já ter considerado construir a vida em torno de um animal de estimação em vez de ter filhos.
Esse comportamento acompanha transformações mais amplas nos hábitos de consumo das novas gerações. Mudanças na escolha de espécies, a busca por produtos premium, serviços especializados, bem-estar animal e mais disposição para investir na qualidade de vida dos pets tem influenciado o desenvolvimento do mercado em diferentes países.
Mudanças no hábito de consumo
Os tutores mais jovens continuam investindo mais em categorias como seguros para pets, treinamento, roupas e bem-estar animal. Dos entrevistados, 77% disseram manter um orçamento exclusivo para seus animais, percentual superior aos 56% registrados entre as gerações X e Baby Boomer.
Entretanto, o aumento do custo de vida também tem mexido com a forma como os tutores administram seus custos mensais. Mais da metade dos entrevistados da Geração Z e dos Millennials (54%) mostra preocupação com a capacidade de manter cuidados de qualidade para seus animais.