Como a dinâmica afetiva movimenta o mercado pet
Segmento de luxo, alimentos de alta qualidade e produtos de identificação movimentam tendência no mercado
por Luis Gustavo Chambrone em
e atualizado em
O mercado pet vive um contexto de constante expansão, com o desenvolvimento de produtos cada vez mais personalizáveis, exclusivos e que integram a identidade do tutor com a de seu animal.
De acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet), o setor movimentou cerca de R$ 77,96 bilhões no Brasil em 2025.
Esse número, representado por um crescimento anual de 3,45%, é resultado da recente mudança de perspectiva afetiva entre pets e seus tutores.
Pets cada vez mais como membros da família
Os constantes mecanismos de convívio diário, ditados por novas questões sociais, demandas psicológicas, espaços menores – quando juntos às mudanças de objetivo de vida – reformularam a relação entre os tutores e seus pets.
Muitos tutores, amparados pela noção da senciência animal, possuem uma relação muito mais estreita com seus animais, muitas vezes considerados como membros da família e preferidos a filhos.
Esse fenômeno aparece no levantamento State of Pets, realizado pela Harris Poll, em que 83% dos entrevistados declararam considerar seus animais de estimação como membros da família, tratando-os como filhos.
A pesquisa também revelou que quatro em cada 10 americanos preferem ter um pet a um filho.
Impacto no mercado dos artigos de luxo
Essa dinâmica provoca uma necessidade de adaptação do mercado, levando muitas marcas a apostarem em produtos voltados para esse público. Na prática, cada vez mais materiais que geram identificação – e possuem alto custo – ganham espaço nas prateleiras.
O mercado da moda é um dos que mais investe do setor pet atualmente. Nos últimos anos, a indústria da moda enxergou nos animais de companhia a oportunidade de expandir seu portifólio, principalmente quando o assunto é luxo e geradores de identificação.
Setor de luxo em um mercado promissor
Grandes marcas globais da moda de luxo já atuam nesse mercado com produtos para pets. Nomes como Dolce & Gabbana, Hermès e Louis Vuitton apresentam portifólios compostos de perfumes, roupas ou acessórios para que seus consumidores possam promover materiais da marca a seus animais.
Em entrevista ao Valor Econômico, Valeska Nakad, especialista em branding de luxo e coordenadora do curso de design de moda do Centro Universitário Belas Artes, essa estratégia permite às marcas que seus produtos deixem de ser apenas acessórios, para se tornarem suas próprias extensões estéticas.
Esse fenômeno muda o conceito de luxo, que para Nakad, está deixando de ser sobre exclusividade, e se torna cada vez mais um produto que promove experiências inovadoras e afetivas.
“Quando uma maison como Gucci, Louis Vuitton, Prada ou Dolce & Gabbana cria coleções específicas para animais, ela não está apenas vendendo acessórios. Está expandindo seu universo, permitindo que todos os elementos da vida do consumidor expressem os valores da marca”, afirma a especialista.
Essa dinâmica de relação entre marca e consumidor é uma marca do novo contexto afetivo entre o tutor e seu pet. O luxo, quando trazido para a vida do animal de estimação, comunica a intensidade afetiva escolhida pelo tutor.
“Ao comprar uma coleira da Hermès ou uma cama assinada pela Gucci, o tutor não está apenas adquirindo um objeto caro. Está comunicando que o animal ocupa o mesmo lugar de cuidado atenção e investimento destinado aos demais membros da família”, completa Nakad.
Reação do mercado pet tradicional
Ainda que esse fenômeno represente um segmento de luxo, o mercado pet já toma medidas parecidas em seu setor geral. Diversas marcas investem cada vez mais em produtos personalizados, únicos, de alta qualidade ou que transmitam a conexão entre tutor e animal
A Adidas apostou nessa ideia recentemente com o lançamento de uma linha pet para a Copa do Mundo. Colocar uma camisa de futebol do seu país é o ato de maior conexão existente no ambiente do esporte. Quando se passa essa tradição ao animal, também é transmitido o valor sentimental e afetivo.Produtos de segmento Premium e Super Premium também crescem com constância no mercado. Dados sobre vendas de produtos em super mercados revelam que alimentos naturais de alta qualidade seguem como tendência de consumo entre os novos tutores.