Pet food deve movimentar R$ 94,78 bilhões na América Latina até 2035
Relatório projeta crescimento de 44% em dez anos
por Gabriel Sartini em
O mercado latino-americano de alimentos para pets deve movimentar US$ 18,47 bilhões (R$ 94,78 bilhões) em 2035, contra US$ 12,84 bilhões (R$ 65,87 bilhões) em 2025 – um crescimento de 44% em dez anos. Os dados são de relatório de 2026 da Claight Expert Market Research, que projeta uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 3,7% para o período.
Para a indústria e o canal de distribuição, o número consolida o pet food como uma das categorias de consumo mais resilientes da região, com implicações diretas sobre planejamento de capacidade industrial, logística e portfólio de produtos de maior valor agregado.
Brasil concentra a maior fatia regional
O relatório aponta o Brasil como principal mercado da América Latina, concentrando quase 60% das vendas regionais de pet food. A expansão, no entanto, não se limita ao território brasileiro. O México aparece como polo de inovação e investimentos industriais, enquanto Argentina e Colômbia ampliam a oferta de produtos premium e sustentáveis.
O levantamento trazido pelo PetFood Fórum Brasil também aponta que o Chile avança em regulamentações voltadas à transparência da rotulagem. Já o Peru ganha espaço no desenvolvimento de alimentos com proteínas vegetais.
O cenário indica uma indústria regional cada vez mais diversificada, com diferentes países contribuindo para a evolução tecnológica e comercial do setor.
Crescimento não representa ‘teto’ para linhas de alto valor agregado.
Para Fernando Suzuki, representante da PremieRpet, o volume projetado para a região não deve ser lido como limite de mercado, mas como reflexo da maturidade do consumidor em relação à nutrição Super Premium. Segundo o executivo, a empresa amadurece essa leitura como parte de sua estratégia de posicionamento no Brasil, apontado no relatório como o terceiro maior mercado pet global.
“Não enxergamos esse número como um ‘teto’, mas como o reflexo do amadurecimento do responsável, que entende a nutrição Super Premium como saúde preventiva”, ressalta.
Como exemplo de investimento alinhado a esse potencial, a companhia cita o aporte de R$ 1,1 bilhão em seu complexo industrial em Porto Amazonas (PR). Somada à planta de Dourado (SP), a estrutura consolida capacidade para produzir 1 milhão de toneladas de alimentos por ano.
Premiumização sustenta demanda por alimentos funcionais
A humanização dos animais de companhia segue como principal motor de crescimento do setor. O relatório destaca que mais de 75% dos lares chilenos contam com animais de estimação, cenário que favorece a demanda por ingredientes de maior qualidade e dietas inspiradas na alimentação humana.
Além de produtos gourmet, cresce a oferta de alimentos funcionais voltados à saúde digestiva, pele, articulações e envelhecimento saudável, bem como dietas personalizadas a partir de testes genéticos e do microbioma intestinal dos animais.
Na leitura de Suzuki, produtos de alto valor agregado são aqueles que elevam o padrão de qualidade de todo o mercado. Segundo ele, a marca GoldeN, líder do segmento no Brasil, passou a adotar antioxidantes naturais em todo o portfólio de alimentos secos, incluindo também as marcas PremieR e Nattu.
“GoldeN passou a ser a única do segmento premium especial no Brasil a utilizar esses antioxidantes naturais em todo o seu portfólio de alimentos secos”, destaca o executivo, citando ainda a linha PremieR Nutrição Clínica, desenvolvida com apoio do Centro de Desenvolvimento Nutricional (CDN) da companhia.
Gatos aceleram crescimento e ganham portfólio dedicado
Os alimentos para cães seguem respondendo pela maior parte das vendas na região, impulsionados por linhas premium, dietas sem grãos e produtos voltados à prevenção de doenças. Já os alimentos para gatos apresentam o ritmo de crescimento mais acelerado, liderado por Argentina e Chile, favorecidos pelo aumento da população felina em áreas urbanas.
A PremieRpet aponta movimento semelhante no mercado brasileiro: segundo pesquisa da marca GoldeN sobre adoção via ONGs, os gatos já são os animais mais adotados no país, em 41% dos casos. Como resposta, a companhia lembra da aquisição da Progato, especializada em higiene felina, ampliando a atuação para além da nutrição.
“Entendemos que o cuidado felino é um ecossistema. É assim que nos adaptamos, olhando para a espécie de forma integral, oferecendo bem-estar, higiene e nutrição de excelência para os felinos”, afirma Suzuki.
Snacks e comércio eletrônico ampliam frentes de crescimento
A ração seca segue como o principal formato comercializado na região, mas os snacks representam o segmento de maior crescimento, impulsionados pela busca por benefícios como saúde bucal e controle do estresse. No varejo, supermercados continuam liderando as vendas, enquanto o comércio eletrônico ganha participação.
O levantamento da Claight Expert Market Research cita mais de R$ 923,4 milhões de vendas online de alimentos para pets na América Latina. O crescimento reflete expansão de assinaturas, recomendações personalizadas e novos modelos de relacionamento entre fabricantes e consumidores.
Brasil segue como hub produtivo diante da descentralização regional
Apesar da diversificação de papéis entre países da região, a PremieRpet afirma manter o Brasil como centro de produção e exportação, com presença em nove países da América Latina.
A fábrica de Porto Amazonas, com 92 mil m² de área construída, tem estrutura já preparada para absorver a expansão regional sem necessidade de fragmentar a produção.
Canal especializado segue central na estratégia comercial
Diante do avanço do e-commerce e de clubes de assinatura, a companhia afirma não tratar o comércio digital como concorrente do canal especializado (pet shops e médicos veterinários), mas como frente complementar.
“O digital resolve a logística e a recompra, mas quando o assunto é saúde, longevidade e nutrição, a recomendação que educa e fideliza o tutor nasce com quem é especializado no tema”, conclui Suzuki.
Sustentabilidade ganha peso na formulação de produtos O relatório também aponta o fortalecimento de iniciativas ligadas à economia circular, embalagens sustentáveis e proteínas alternativas. Embora proteínas de origem animal permaneçam predominantes nas formulações, ingredientes vegetais e novas matérias-primas começam a ganhar espaço entre consumidores que buscam produtos mais sustentáveis ou voltados a necessidades nutricionais específicas.