Mercado pet brasileiro exporta mais inovação
Segmentos além do pet food ampliam participação nas vendas externas e impulsionam uma nova fase da indústria brasileira
O avanço de 12% das exportações do mercado pet brasileiro em 2025, na comparação com o ano anterior, evidenciou uma transformação que vai além do aumento das vendas. Embora o pet food ainda concentre a maior parte dos embarques, categorias de maior valor agregado – como pet care, dermatologia veterinária, cosméticos, higiene, nutracêuticos e soluções para grooming – ganham espaço e reposicionam o Brasil como fornecedor de inovação para o mercado global.
Estimativas da Abempet apontam que o montante gerado pelas exportações do setor girou em torno de US$ 650 milhões (R$ 3,6 bi) no ano passado, com o pet care já representando cerca de 11% do volume comercializado. O movimento acompanha tendências globais como a humanização dos animais de companhia, a premiumização do consumo e a crescente demanda por soluções voltadas ao bem-estar.
Internacionalização ganha maturidade
A participação recorde de mais de 60 empresas brasileiras na Interzoo 2026, realizada em Nuremberg (Alemanha) no último mês de maio, simboliza essa nova etapa da internacionalização. O interesse estrangeiro foi direcionado justamente para categorias de maior valor agregado, como cosméticos naturais, produtos sustentáveis, areias sanitárias e snacks funcionais.
“Devido à atual conjuntura comercial mundial, os compradores estão cada vez mais atentos a novos fornecedores e o Brasil entrou nesse radar”, contextualiza Luiz Paulo Almeida, sócio da Commpazz. Segundo o executivo, as empresas do país ficaram presentes em praticamente todos os pavilhões. “Os compradores tinham a sensação de estar sempre em contato com um produto brasileiro em qualquer parte da feira. Isso reforça a percepção de credibilidade”, acrescenta.
Tecnologia brasileira cruza fronteiras
Entre os principais exemplos desse novo posicionamento está a Pet Society. A empresa especializada em pet care, com sede em Guarulhos (SP), consolidou presença em 70 países e vem ampliando sua internacionalização apoiada em inovação, pesquisa e estrutura própria de distribuição.
O mais recente exemplo desse movimento da fabricante é a marca Soft Care, criada inicialmente para atender à dermatologia veterinária e que expandiu sua atuação para nutracêuticos e oftalmologia. Nos últimos cinco anos, a companhia investiu cerca de R$ 45 milhões em pesquisa e ampliação da capacidade produtiva, para abastecer a crescente demanda doméstica e também do mercado externo.
A empresa também aposta em uma estratégia logística para acelerar sua expansão global. Após estruturar operações próprias nos Estados Unidos e assumir integralmente as atividades no Japão, a Pet Society planeja instalar centros de distribuição na Europa e na Ásia. “A meta é ter estoque local e garantir entrega em até dois dias para os clientes europeus e asiáticos, um salto logístico que reduz custos e aumenta competitividade”, destaca o fundador e presidente executivo Luciano Fagliari.
Já a Bioclin, fabricante mineira de diagnósticos laboratoriais, intensificou sua presença em feiras internacionais e missões comerciais apoiadas pela Abimo e pela ApexBrasil. Atualmente, as exportações respondem por cerca de 8% do faturamento. “A América Latina é o principal destino dos kits diagnósticos, dada a proximidade cultural e econômica”, afirma o gerente comercial Neimar Barbosa.
Apoio acelera inserção internacional
O fortalecimento das exportações também tem sido impulsionado por iniciativas da ApexBrasil, que oferecem às empresas suporte antes, durante e após eventos internacionais. Além da estrutura de estandes, programas como o +Feiras incluem estudos de mercado, capacitações e rodadas de negócios, enquanto o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX) já apoiou cerca de 30 mil empresas brasileiras, das quais aproximadamente 20 mil são micro e pequenas.
“Trata-se de uma plataforma contínua de qualificação, calendário de negócios e posicionamento setorial que encurta o caminho entre o produto brasileiro e as gôndolas internacionais”, detalha Paula Caminha Soares, coordenadora da ApexBrasil.
Como parte do preparo para inserção do segmento no Exterior, a agência elabora um diagnóstico que avalia o nível de maturidade das indústrias. Na sequência mapeamos os mercados com menos restrições e regulamentações, além de prospectar distribuidores locais. “Se as empresas cumprirem seu dever de casa, em três meses contam com um plano de exportação delineado”, revela.