Localização estratégica fortalece liderança brasileira no mercado sul-americano de pet food
Empresas brasileiras dominam o ranking com estratégias logísticas que aproximam a produção das matérias-primas e os principais mercados consumidores
por Luis Gustavo Chambrone em
O mercado pet sul-americano mantém uma trajetória de expansão, com o Brasil ocupando posição central no desenvolvimento da indústria regional. Atualmente, o país detém o posto de terceiro maior mercado pet do mundo e concentra as cinco maiores empresas de alimentos para animais de companhia da América do Sul.
Dados do levantamento Top Companies 2026, da Pet Food Industry, mostram que as dez empresas do ranking faturaram, juntas, R$ 15,18 bilhões em 2025. Desse total, cerca de 82% correspondem à receita das cinco líderes brasileiras.
Mais do que o tamanho do mercado, porém, outro fator ajuda a explicar a força dessas companhias: a estrutura construída para aproximar a produção das principais fontes de matérias-primas e, ao mesmo tempo, garantir acesso eficiente aos mercados consumidores.
Empresas apostam em localização e proximidade à matéria-prima
As principais fabricantes se concentram estrategicamente próximas às suas fontes de matéria-prima, conectadas a polos agrícolas, produtores de grãos e cadeias de proteínas animais.
A lógica é reforçada pela posição do Brasil como uma das principais potências globais do agronegócio. A disponibilidade de matérias-primas como milho, soja e ingredientes de origem animal cria condições favoráveis para a produção de alimentos destinados a cães e gatos.
Essa estratégia também contribui para reduzir custos logísticos, acelerar o recebimento de insumos e tornar o escoamento da produção mais eficiente.
Liderança da PremieRpet evidencia estratégia de conexão
Líder do ranking sul-americano, a PremieRpet mantém fábricas dedicadas à produção de alimentos para pets na região central do estado de São Paulo, área marcada pela intensa atividade agrícola e pela proximidade com a capital paulista, um dos principais polos comerciais e de infraestrutura do país.
A empresa também possui fábricas no Paraná, estado reconhecido pela elevada produção de soja e milho, ingredientes utilizados na fabricação dos alimentos da marca.
Segundo Fernando Suzuki, diretor comercial da PremieRpet, a disposição operacional é um fator central para garantir eficiência ao longo de toda a cadeia produtiva.
“Nossa operação foi desenhada estrategicamente para garantir eficiência de ponta a ponta. Tanto o polo de Dourado (SP) quanto a planta de Porto Amazonas (PR) estão próximos a grandes produtores das matérias-primas, facilitando o recebimento de insumos e o escoamento rápido da produção.”
Para o executivo, a integração entre as etapas de captação de insumos, produção e distribuição contribui para o desenvolvimento da operação e reflete diretamente no relacionamento com os lojistas.
“Ao estarmos instalados próximos às fontes de ingredientes e contarmos com centros de distribuição regionalizados, reduzimos o tempo de frete, protegendo nossas margens operacionais. Na ponta do prazo de entrega, essa capilaridade viabiliza um sistema de abastecimento altamente planejado e ágil, reduzindo o tempo de trânsito e garantindo que o lojista mantenha suas gôndolas sempre abastecidas de forma eficiente”, completa Fernando.
Com o maior faturamento registrado no setor sul-americano, a empresa apresentou resultados que ultrapassam os R$ 4,14 bilhões, segundo a Pet Food Industry – os números não foram confirmados pela empresa.
BRF Pet segue tendência de integração com a cadeia de proteínas
A BRF Pet, com faturamento de R$ 3,96 bilhões, aparece na segunda posição do ranking divulgado pela Pet Food Industry.
O desempenho da companhia também evidencia a estreita relação entre a indústria de pet food e a cadeia de produção de proteínas de origem animal, um dos principais pilares do agronegócio brasileiro.
A proximidade com essa cadeia produtiva representa uma vantagem estratégica para empresas que utilizam ingredientes de origem animal em seus produtos.
Special dog integra cadeias para otimizar operações
A Special Dog Company, terceira colocada no ranking com um faturamento de R$ 1,92 bilhão, é outro exemplo da concentração da indústria de alimentos para pets no interior paulista.
Fundada em Santa Cruz do Rio Pardo (SP) em 2001, a empresa permanece sediada no município, em uma localização que oferece acesso à forte base agropecuária do oeste paulista e do Paraná, além de estar conectada por rodovias aos principais mercados consumidores do Sudeste.
As operações da Special Dog se expandem conforme a empresa aumenta seu tamanho no mercado. Para Priscila Manfrim, diretora administrativa da Special Dog Company, a localização das operações desempenha papel importante no equilíbrio entre o acesso competitivo às matérias-primas e a capacidade de atender os clientes com agilidade e flexibilidade.
“A expansão operacional nos permite manter uma boa conexão com polos relevantes de fornecimento de matérias-primas, especialmente em estados como Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Ao mesmo tempo, estamos posicionados de maneira favorável para atender mercados consumidores importantes, com destaque para o interior do Estado de São Paulo.”
Segundo a executiva, no entanto, a localização estratégica precisa estar associada a outras iniciativas para gerar ganhos operacionais. “O posicionamento é combinado com um trabalho contínuo de planejamento de cargas, consolidação de volumes, otimização das rotas e melhor utilização da capacidade dos veículos.
A frota própria, orientada por dados, também tem um papel relevante nesse conjunto, permitindo o acompanhamento da operação, o ajuste da programação ao longo da semana e ampliando a capacidade de adaptação ao cliente. “Conseguimos ajustar as necessidades da operação e responder às mudanças de demanda, buscando manter o padrão de qualidade e o nível de serviço que oferecemos aos clientes”, completa a executiva.
Resultado aparece na produtividade e na redução da frota
Na avaliação da empresa, a eficiência logística permite produzir mais em prazos cada vez mais otimizados, contribuindo para o controle de custos e o aprimoramento do atendimento aos clientes.
Uma localização estratégica permite que um sistema de distribuição funcione de maneira mais enxuta, com frotas menores e extremamente eficientes, além de prazos de entrega mais curtos.
“Existe um ganho financeiro decorrente dessa eficiência, mas existe também um ganho relacionado à capacidade de resposta e à utilização mais eficiente da estrutura existente”, complementa.
Segundo dados da empresa, a produtividade aumentou 18% em relação ao ano anterior, mesmo com uma frota menor. Até o ano passado, a operação contava com 185 caminhões. Neste ano, o número caiu para 162 veículos, uma redução de aproximadamente 12% no tamanho da frota.
Adimax amplia presença para aproximar produção e consumo
Com faturamento de R$ 1,61 bilhão, segundo aPet Food Industry,a Adimax ocupa a quarta posição do ranking. Sua complexidade estrutural revela também uma estratégia de desenvolvimento no mercado. A empresa iniciou suas operações em Salto de Pirapora (SP) e, apesar de continuar no Estado paulista, ampliou os pontos de produção fabril.
Segundo Éric Barros, gerente de Suprimentos da Adimax, a estratégia foi desenvolvida com foco na proximidade dos grandes centros consumidores, contribuindo para uma operação logística mais eficiente e maior agilidade no atendimento às demandas do mercado. Atualmente, a empresa mantém fábricas em São Paulo, Paraná, Bahia, Pernambuco, Minas Gerais e Goiás.
Além disso, a localização permite maior controle na cadeia de produção, fornecimento e conexão com fornecedores, o que permite analisá-los com mais critério e evitar problemas durante o processo produtivo. “Consideramos aspectos como capacidade de fornecimento, qualidade, confiabilidade, condições comerciais, localização e riscos associados à operação”, aponta o executivo.
De acordo com Barros, a empresa busca identificar, antecipar e mitigar potenciais riscos ao negócio, aumentando a resiliência da cadeia de suprimentos.
Essa rede multipolar conecta a produção de alimentos para pets a algumas das principais regiões agrícolas do Brasil e, ao mesmo tempo, aproxima as unidades fabris dos grandes mercados consumidores do Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste.
Total Alimentos fecha representação do domínio brasileiro
Fechando o domínio brasileiro no Top 5 está a Total Alimentos, que registrou receita de R$ 984,2 milhões, conforme os dados revelados pelo levantamento.
A empresa, mesmo em um momento de reconstrução e reconquista de mercado, acompanha as outras grandes brasileiras no setor com robustas estruturas automatizadas e estrategicamente posicionadas na região de Três Corações (MG).
Em julho de 2025, a multinacional norte-americana ADM (Archer Daniels Midland) fechou a fábrica da Total Alimentos. Entretanto, em janeiro deste ano, o cenário mudou quando a Agronorte, uma empresa do agronegócio de Tocantins, comprou a planta industrial e reativou o complexo.
Com a aquisição, a marca voltou a operar, retomando a produção de rações e reiniciando a contratação de mão de obra na região.