Pet Food Institute mira mercado brasileiro com foco em qualidade e nutrição
Com 164,7 milhões de animais no país, PFI vê espaço para ampliar a oferta de produtos dos Estados Unidos no Brasil
por Gabriel Sartini em
Durante a Pet South America, o Panorama Pet&Vet participou de um encontro com a imprensa promovido pelo Pet Food Institute (PFI). Na ocasião, Daniel Nat-Davies, vice-presidente do instituto, e Giovana Oliveira, especialista de Comércio Exterior da entidade, apresentaram um panorama do mercado brasileiro e os principais eixos da atuação do PFI no país.
A conversa abordou o potencial de expansão da indústria de pet food, os padrões de qualidade adotados nos Estados Unidos, o cenário regulatório e as oportunidades para produtos importados. A estratégia também inclui ações de capacitação de médicos-veterinários e iniciativas de educação nutricional para tutores.
Brasil ganha relevância na estratégia do PFI
O tamanho da população de animais de companhia ajuda a explicar o interesse de empresas internacionais pelo Brasil. Segundo dados da Abempet (2025) e da pesquisa População Pet do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA 2024), o país reúne 164,7 milhões de animais de companhia.
Desse total, a população é formada por:
- 63,7 milhões de cães, alta de 2,4% em relação a 2023;
- 32,2 milhões de gatos, crescimento de 4,5%;
- 43,3 milhões de aves cantoras e ornamentais, alta de 1,2%;
- 22,6 milhões de peixes ornamentais, aumento de 1,8%;
- 2,9 milhões de répteis e pequenos mamíferos, crescimento de 3,6%.
No conjunto, a população pet brasileira cresceu 2,4% entre 2023 e 2024, movimento que mantém o país no radar de indústrias internacionais ligadas à nutrição animal.
O cenário também chama atenção quando analisado em escala global. Segundo o Euromonitor International, o mercado pet mundial movimenta atualmente cerca de US$ 300 bilhões, ou aproximadamente R$ 1,6 trilhão, considerando os valores apresentados pelo estudo.
O pet food representa 43% desse mercado, seguido por medicamentos, com 24%; acessórios e pet care, com 20%; serviços, com 10%; e criação e venda de animais, com 3%.
Para 2030, a consultoria projeta um mercado global entre US$ 500 bilhões e US$ 650 bilhões, equivalente a aproximadamente R$ 2,8 trilhões a R$ 3,56 trilhões. O crescimento anual estimado varia de 6,5% a 11,3%, dependendo do cenário considerado.
Esse ambiente amplia a relevância estratégica da nutrição animal, área que concentra boa parte da atuação do PFI.
Nutrição completa é prioridade para a indústria
Durante o encontro, Nat-Davies destacou a complexidade das necessidades nutricionais de cães e gatos. Segundo ele, assim como ocorre na alimentação humana, os animais de companhia dependem do fornecimento diário de cerca de 42 nutrientes essenciais para sustentar suas funções vitais e metabólicas.
“Nós garantimos que cada ração fabricada pelos nossos associados tenha o que o pet precisa de forma equilibrada e completa, essa é a parte mais importante do nosso trabalho”, esclarece Nat-Davies. “Sabemos que as coisas mudam, as pessoas encontram diferentes formas de usar os ingredientes, mas o básico é que nós damos aos pets aquilo que eles precisam de forma completa”.
A partir dessa perspectiva, o executivo afirma que a prioridade das indústrias associadas está na formulação de alimentos completos e balanceados, independentemente das tendências que surgem no mercado.
Segundo Nat-Davies, a adoção de uma dieta de alta qualidade pode produzir mudanças perceptíveis em dois a três dias, como melhora na vitalidade, na condição da pelagem e na disposição física dos animais.
Controle de qualidade aproxima padrões dos EUA e do Brasil
Outro ponto apresentado pelo PFI foi o sistema de controle aplicado à produção de pet food nos Estados Unidos. A indústria norte-americana trabalha com diferentes mecanismos regulatórios voltados à segurança dos alimentos e ao controle de riscos durante a fabricação.
Entre eles está a atuação da Association of American Feed Control Officials (AAFCO), responsável por estabelecer parâmetros nutricionais e referências para ingredientes utilizados em alimentos para animais. Também integra esse sistema a Food Safety Modernization Act (FSMA), legislação que estabelece requisitos relacionados à prevenção e ao controle de riscos na cadeia de produção.
A fiscalização federal envolve a Food and Drug Administration(FDA), uma espécie de Anvisa dos Estados Unidos. Em situações que exigem a retirada de produtos do mercado, são adotados procedimentos de recall, acompanhados também pelas autoridades estaduais.
Para produtos importados que chegam ao Brasil, entram em cena ainda as exigências e a fiscalização do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Assim, os alimentos destinados ao mercado nacional estão sujeitos às regras brasileiras de importação e controle sanitário, além dos procedimentos adotados no país de origem.
Estratégia brasileira mira qualidade, não volume
Apesar do tamanho do mercado nacional, o PFI afirma que sua estratégia no Brasil não está concentrada exclusivamente na expansão de volumes. O foco apresentado por Nat-Davies está na oferta de produtos de alta qualidade e na disseminação de conhecimento técnico sobre nutrição animal.
“Nós temos muita produção de pet food nos EUA, e o Brasil é um mercado enorme. As importações por aqui ainda são pequenas, mas é um mercado que possui consumidores que podem se beneficiar dos produtos dos EUA”, assegura o representante do PFI.
O instituto mantém programas de apoio às exportações desde 1993, com suporte do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Em 2022, a parceria com a consultoria River Global ampliou a atuação no Brasil, incluindo pesquisas sobre o perfil dos tutores e o ambiente regulatório nacional.
A estratégia combina a presença de empresas internacionais que já possuem produção instalada no país com a tentativa de ampliar a entrada de produtos importados de maior valor agregado.
Um exemplo é a Nestlé Purina, uma das principais associadas do PFI e empresa que já mantém operação industrial no Brasil. Paralelamente, a entidade identifica oportunidades para produtos importados destinados a nichos específicos.
Segundo Nat-Davies, embora as importações ainda representem uma parcela pequena do mercado total, existe uma parcela crescente de tutores disposta a investir em produtos superpremium associados à saúde preventiva.
Capacitação de médicos-veterinários entra na agenda
A atuação do PFI no Brasil também inclui educação e capacitação técnica. Com programas apoiados pelo USDA, a entidade desenvolve iniciativas voltadas tanto aos tutores quanto, principalmente, aos médicos-veterinários.
Nat-Davies ressalta que a nutrição animal é uma área técnica em constante evolução e que a formação universitária nem sempre oferece aprofundamento suficiente no tema. Por isso, o instituto busca complementar esse conhecimento por meio de intercâmbio com especialistas internacionais.
A iniciativa inclui a realização de palestras no Brasil para profissionais locais, com conteúdo relacionado a boas práticas de orientação nutricional e aos avanços no campo da alimentação de cães e gatos.
Para clínicas e hospitais veterinários, esse movimento acompanha uma demanda cada vez maior por decisões nutricionais individualizadas, especialmente à medida que a alimentação passa a ser considerada parte importante do cuidado preventivo e do manejo de diferentes condições de saúde.
Educação nutricional também chega aos tutores
Além da agenda comercial e técnica, Giovana Oliveira apresentou a dimensão social da atuação do PFI no país. O instituto apoia e divulga o trabalho de organizações dedicadas ao resgate e à reabilitação de cães e gatos, ajudando a ampliar o alcance de campanhas de adoção responsável.
A entidade também trabalha com educação direcionada aos tutores. A iniciativa considera o fato de que parte da população brasileira está vivendo pela primeira vez a experiência de cuidar de um animal de companhia e pode ter dúvidas sobre alimentação e cuidados básicos.
Nesse contexto, o PFI produz materiais e vídeos de linguagem acessível, com o objetivo de facilitar a compreensão de conceitos relacionados à nutrição animal e oferecer orientações práticas sobre alimentação balanceada.
A estratégia apresentada durante o encontro com a imprensa combina três frentes: a busca por espaço para produtos norte-americanos no mercado brasileiro, a disseminação de conhecimento técnico sobre nutrição de cães e gatos e ações de educação voltadas a profissionais e tutores.