Seminário marca 20 anos da ALANAC e aborda temas
Primeiro Seminário DINVET reuniu governo, empresas e especialistas em Brasília para discutir temas como regulação, produção nacional e tributação
A Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (ALANAC) realizou, na última terça-feira, 15, em Brasília, o I Seminário DINVET, encontro criado para marcar os 20 anos de atuação da entidade em defesa e desenvolvimento da indústria de saúde animal no país. A programação reuniu representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), executivos, empresários, especialistas e profissionais do setor para discutir os próximos passos de uma indústria diretamente ligada à produção de alimentos, à saúde dos animais e à competitividade do agronegócio brasileiro. A programação contou com a participação de representantes do governo, indústria e entidades ligadas ao comércio exterior e à cadeia farmacêutica.
Na abertura, o diretor-presidente da ALANAC, Fernando de Castro Marques, dividiu a mesa com Carlos Goulart, secretário de Defesa Agropecuária do MAPA. O ponto de partida do seminário foi justamente o papel da indústria de saúde animal diante de um mercado cada vez mais conectado às cadeias globais. A agenda seguiu com discussões sobre regulação, tributação, inovação, produção e exportações — temas que, juntos, definem a capacidade de as empresas desenvolverem produtos, colocá-los no mercado e competir fora do país.
ALANAC salienta a evolução em 20 anos
Em entrevista exclusiva ao Panorama Pet&Vet, Fernando de Castro Marques, destacou que os 20 anos de atuação da entidade na área veterinária foram acompanhados pela evolução do parque tecnológico e industrial brasileiro e pela ampliação da capacidade de produção local. Para ele, o setor chegou a um novo estágio de maturidade, com um marco regulatório alinhado a padrões internacionais e uma indústria preparada para atender às exigências de outros mercados.
“Hoje nossa indústria está preparada para atender e ser inspecionada por agências internacionais, com vistas a atender mercados fora do Brasil”, afirmou. Na avaliação do dirigente, o próximo passo é garantir mais agilidade e previsibilidade na análise de registros e inspeções pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), de modo que o ambiente regulatório não se transforme em um obstáculo ao desenvolvimento da indústria nacional. “O governo precisa ajudar analisando os processos com serenidade, porém com agilidade. É muito importante para o desenvolvimento do setor”, ressaltou.
Do desenvolvimento do parque industrial à pressão por agilidade
Na avaliação do secretário de Defesa Agropecuária do MAPA, o próximo passo passa por dar maior fluidez aos processos que permitam que novos produtos cheguem ao mercado. “O que a gente espera do governo é que tenha mais agilidade nos processos de avaliação dos registros para produção em território nacional”, afirmou.
Goulart relacionou essa discussão também à autonomia produtiva brasileira. “O Brasil é um grande mercado e nós temos que produzir em território brasileiro os nossos produtos. Isso é fundamental para o crescimento do nosso país, para ter menos dependência externa de suprimentos”.
A regulação como parte da estratégia industrial
A questão regulatória ganhou um espaço específico na programação. A mesa sobre Agenda Regulatória 2026 e 2027 – Produtos Veterinários foi conduzida por Leandro Barbieri, coordenador-geral da CGIPE/DSA/MAPA. Antes dela, a mesa-redonda “Futuro e Desafios” colocou frente a frente Marcelo de Andrade Motta, diretor do DSA/MAPA; Ricardo José Buosi, coordenador-geral da CGPE/DIPOA/MAPA; e Estanislau Steck, superintendente da SFA-SP/SE/MAPA, com mediação de Valdir Carlos Avino, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Pearson/Eurofarma Saúde Animal, e Vice-Presidente do Conselho Deliberativo da ALANAC.
O tema ganha dimensão prática quando se observa o volume de recursos associados a processos regulatórios que aguardam análise. Dados apresentados no contexto do seminário apontam 372 pedidos de registro inicial de produtos veterinários associados a aproximadamente R$ 1 bilhão em investimentos, além de 1.026 processos de alterações pós-registro, relacionados a cerca de R$ 300 milhões. Somados, os processos representam aproximadamente R$ 1,3 bilhão em investimentos vinculados a produtos em diferentes etapas regulatórias.
É nesse ambiente que surge também a discussão sobre a chamada licença tácita, mecanismo administrativo criado para processos que ultrapassaram os prazos previstos, sem eliminar a necessidade de análise técnica e sanitária. A medida passou a integrar o debate sobre previsibilidade regulatória e sobre a capacidade de transformar investimentos já realizados em produtos efetivamente disponíveis no mercado.
Uma indústria que quer produzir e vender para o mundo
Se a primeira parte da história foi marcada pela construção de capacidade produtiva, o novo capítulo envolve internacionalização. A programação do DINVET reservou uma mesa específica para “Expansão e Exportação – Mercado, Cenário e Internacionalização”, com participação de Clarissa Oliveira Franco, especialista em Negócios Internacionais da ApexBrasil; Sérgio Knorr Velho Coordenador-Geral da DIBEN/SDIC/MDIC; Ana Carolina Lamy, coordenadora da CINV/DPA/MAPA e Murillo Assis Pires, gerente de Exportação da Agener Saúde Animal/União Química. A mediação ficou a cargo de Norberto Prestes, presidente-executivo da ABIQUIFI.
A discussão sobre exportações mostra que competitividade não depende apenas da qualidade do produto final. Registro sanitário, capacidade industrial, tributação, ambiente regulatório e condições para inovação também entram na equação.
Foi justamente essa conexão entre diferentes políticas que apareceu na fala de Felipe Diniz, vice-presidente do Conselho Deliberativo da ALANAC, no encerramento do encontro. “O que ficou claro é que precisamos realizar esse debate entre empresas, autoridades e especialistas. Sem esse debate, a indústria de saúde animal não consegue avançar em decisões estruturais que dependem de regulamentação, tributação e inovação”.
A programação também incluiu um painel dedicado ao cenário tributário, mercado e impactos, conduzido por Carlos Fracola, assessor de Assuntos Econômicos e Tributários da ALANAC.
O desafio do próximo ciclo
Ao final do encontro, Henrique Tada, presidente-executivo da ALANAC, resumiu o propósito do primeiro DINVET como um ponto de partida para uma agenda que pretende continuar nos próximos anos. “Esse é o primeiro DINVET que celebra 20 anos de atuação em saúde animal, mas principalmente uma agenda de futuro para a indústria veterinária nacional”.
A realização do primeiro encontro também deixa uma indicação para o próximo ciclo. Nas palavras de Tada, a expectativa é que o DINVET tenha continuidade no ano seguinte. O desafio, até lá, será transformar parte das discussões feitas em Brasília em avanços concretos para uma indústria que, depois de duas décadas de construção, já discute não apenas como crescer no Brasil, mas como ocupar espaço maior no mercado internacional.