Marcas próprias renovam olhar sobre gestão na distribuição pet
Tendência ganha força no mercado e já representa um crescimento de 10,9% em volume e 11,9% em valor no acumulado
por Elói Assis em
e atualizado em
As marcas próprias deixaram de ocupar um espaço secundário no mercado e passaram a fazer parte das estratégias de empresas que buscam diferenciação, margem e maior controle sobre seus portfólios. No Brasil, os números mostram a força desse movimento: segundo dados da NielsenIQ apresentados no PL Connection 2026, as marcas próprias cresceram 10,9% em volume e 11,9% em valor no acumulado até junho deste ano, enquanto as marcas de fabricantes avançaram 0,7% em volume e 5,7% em valor.
No mercado pet, a tendência também ganha força. O 2026 Private Label Pet Market Report, da ADM, que reúne pesquisas de consumo e dados de mercado de fontes como Numerator, PLMA, Innova e Morning Consult, mostra que as vendas em unidades de marcas próprias no segmento de pet care avançaram 5,4%. O levantamento combina indicadores sobre o comportamento dos tutores com dados do varejo dos Estados Unidos e da América do Norte. O resultado reforça uma mudança importante: as marcas próprias já não estão restritas a produtos básicos e começam a conquistar espaço em categorias mais sofisticadas.
Marca própria pode ser instrumento de diferenciação
Para a distribuição pet, esse movimento representa uma oportunidade que vai além da ampliação do catálogo. Ao desenvolver ou comercializar produtos de marca própria, o distribuidor pode criar diferenciação, explorar novas categorias e construir alternativas mais alinhadas às necessidades de seus clientes. Mas essa estratégia também amplia a responsabilidade sobre a operação.
A fabricação pode ser própria ou terceirizada. No segundo modelo, bastante relevante para empresas que buscam escala e flexibilidade, o parceiro assume a produção, mas o distribuidor continua responsável por decisões fundamentais: custos, volumes, prazos, qualidade, abastecimento e posicionamento comercial.
É preciso estabelecer lógica de apresentação de produtos
Isso exige uma visão mais precisa do portfólio. A distribuição pet trabalha com milhares de SKUs e categorias que apresentam comportamentos muito diferentes. Alimentos, medicamentos, produtos de higiene, acessórios e itens de cuidado possuem demandas, margens, necessidades de armazenamento e velocidades de giro próprias.
Por isso, uma marca que apresenta bom desempenho em determinado canal ou região pode ter outro comportamento em uma operação diferente. Um produto pode ter alta saída entre pet shops, mas menor aderência em clínicas e hospitais veterinários. Da mesma forma, um faturamento expressivo não necessariamente significa maior rentabilidade quando entram na conta descontos, custos logísticos e outras despesas.
Conexão de informações de vendas à logística
É nesse ponto que os dados passam a ter valor estratégico. Ao conectar informações de vendas, compras, estoque, preços, clientes e logística, o distribuidor consegue entender não apenas quanto vende, mas como cada produto performa e onde estão as oportunidades. Essa visão permite ajustar compras, identificar mudanças na demanda e direcionar investimentos para categorias com maior potencial.
O estoque é um dos melhores exemplos. Garantir disponibilidade é essencial para manter o nível de serviço, mas excesso significa capital imobilizado e, em produtos com validade, pode gerar perdas. Com informações sobre giro, histórico de vendas e comportamento de compra, a decisão sobre quanto comprar e quando repor deixa de depender exclusivamente de estimativas.
A mesma inteligência pode ser aplicada à relação com os clientes. Por estar próximo de diferentes pontos da cadeia, o distribuidor reúne informações valiosas sobre o comportamento de pet shops, clínicas, hospitais veterinários e outros estabelecimentos. Entender essas movimentações ajuda a identificar demandas ainda pouco atendidas e pode orientar tanto a composição do mix quanto o desenvolvimento de novos produtos de marca própria.
Marcas próprias representam oportunidade de distribuição
As marcas próprias podem, portanto, abrir uma nova frente de crescimento para a distribuição pet. Mas seu potencial não está apenas no produto ou na capacidade de encontrar um fabricante competitivo. Está na habilidade de conectar estratégia comercial, conhecimento do cliente e eficiência operacional.
À medida que essa tendência avança, o diferencial estará menos em simplesmente ter uma marca própria e mais em saber geri-la. Do desenvolvimento à venda, da compra ao estoque, cada etapa precisa contribuir para um mesmo objetivo: transformar uma oportunidade de mercado em um negócio rentável e sustentável.
O avanço das marcas próprias não muda apenas o que chega às prateleiras. Ele também muda o papel de quem está por trás delas. Para a distribuição pet, é uma oportunidade de transformar conhecimento sobre o mercado em decisões mais inteligentes e fazer da gestão um dos principais motores dessa nova fase.