JPMorgan mantém cautela com resultados do Grupo Petz Cobasi
Banco vê perspectivas operacionais positivas para a companhia, mas aponta desafios na integração das redes e forte concorrência no mercado pet
por Juliana de Caprio em
O JPMorgan atualizou suas projeções para o Grupo Petz Cobasi (AUAU3) e manteve uma visão cautelosa para a companhia, mesmo diante de perspectivas positivas para crescimento, geração de caixa e captura de sinergias após a fusão entre as duas redes. A avaliação foi divulgada após a incorporação dos resultados do primeiro trimestre de 2026 e das demonstrações financeiras combinadas da empresa.
Segundo o banco, o grupo apresenta uma configuração operacional sólida para 2026, com expectativa de crescimento de receita em patamar próximo a dois dígitos, ganhos de eficiência operacional e manutenção de uma posição financeira robusta, sustentada por caixa líquido. Apesar disso, a recomendação para as ações permaneceu neutra.
O principal ponto de atenção para os analistas continua sendo a integração entre Petz e Cobasi. O JPMorgan destaca que a companhia possui potencial para gerar entre R$ 200 milhões e R$ 260 milhões em sinergias adicionais de Ebitda ao longo dos próximos cinco anos, resultado de iniciativas ligadas à redução de custos, otimização de despesas e racionalização da presença física das operações.
No entanto, o banco avalia que boa parte desse potencial ainda precisará ser comprovada na prática. O relatório ressalta que o mercado costuma adotar uma postura conservadora diante de processos de fusão e aquisição, especialmente em setores varejistas, onde a captura de sinergias frequentemente enfrenta desafios de execução.
Mercado competitivo
Outro fator que contribui para a cautela é o ambiente competitivo do setor pet. Apesar da criação da maior empresa do segmento no país, a participação de mercado combinada do Grupo Petz Cobasi permanece relativamente limitada, enquanto marketplaces e plataformas digitais seguem pressionando preços e margens do varejo especializado.
A empresa resultante da fusão reúne aproximadamente 520 lojas, além de clínicas veterinárias, hospitais e serviços de banho e tosa. A estratégia omnichannel também permanece como um dos pilares da operação, com cerca de 40% das vendas ocorrendo por canais digitais.
Produtividade e expansão
O JPMorgan observa que a produtividade das lojas começou a apresentar sinais de estabilização após o ajuste registrado nos anos posteriores à pandemia. A recuperação dos volumes de vendas e os reajustes moderados de preços contribuíram para esse movimento, indicando uma possível normalização das operações do setor.
Para 2026, a expectativa é de crescimento de 9% nas vendas brutas da companhia, impulsionado tanto pelas lojas físicas quanto pelo e-commerce. O canal digital deve avançar cerca de 12% e ampliar sua participação na receita total do grupo.
Em relação à expansão, o grupo deverá encerrar o ano com redução líquida da área de vendas em razão do fechamento de 26 lojas exigido pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) como condição para aprovação da fusão. A partir dos próximos anos, porém, a expectativa é de retomada do ritmo de crescimento com cerca de 30 inaugurações anuais.
Sinergias seguem no radar
O processo de integração também tem sido acompanhado por outras instituições financeiras. Em análises recentes, bancos destacaram oportunidades relacionadas à venda cruzada de produtos e serviços, ganhos logísticos, eficiência operacional e otimização da expansão de lojas.
Mesmo reconhecendo o potencial de valorização das ações, o JPMorgan considera que ainda existem alternativas mais atrativas no setor varejista brasileiro, especialmente em empresas com menor complexidade operacional e sem processos de integração de grande porte em andamento. Por isso, o banco optou por manter sua recomendação neutra para os papéis da companhia.