Bem-estar animal acelera profissionalização das creches para cães
Aumento da demanda por creches para animais de companhia leva setor a investir em protocolos de saúde e gestão de risco
por Gabriel Sartini em
e atualizado em
O mercado de creches para animais de companhia passa por um movimento de profissionalização, impulsionado pelo aumento da demanda e por tutores mais atentos à qualidade e à segurança dos serviços.
Desde o retorno ao modelo de trabalho presencial, cresce a procura por espaços que ofereçam não apenas estrutura física, mas também protocolos de saúde, manejo comportamental e gestão de riscos. Essa mudança eleva o nível de exigência sobre os estabelecimentos e requer dos empreendedores uma visão mais ampla do negócio.
Segundo o médico-veterinário comportamentalista e adestrador Marcelo Eckmann, os tutores estão mais interessados em entender como as creches para cães funcionam. “O perfil das famílias mudou. Hoje, vemos um perfil bem específico de pessoas que não querem apenas um local para o animal passar um tempo, elas querem conhecer o que está sendo proporcionado para o bem-estar dele”, garante.
Comportamento passa a fazer parte da gestão de riscos
Eckmann abordou o tema durante o PET Creche Summit, congresso dedicado ao mercado de creches caninas realizado dentro da PET South America, em São Paulo.
Durante a palestra, o especialista destacou que o acompanhamento comportamental não deve se restringir à avaliação feita no momento em que o animal ingressa na creche. Mudanças ao longo da permanência no estabelecimento também precisam ser monitoradas.
“O comportamento dos cachorros, por exemplo, muda. Uma briga pode afetar o grupo e, consequentemente, o negócio. Antecipar esse tipo de problema é fundamental”, avalia o profissional.
A abordagem transforma o manejo comportamental em uma ferramenta de gestão, e não apenas em um cuidado complementar prestado aos animais.
Conteúdo apresentado repercute entre gestores
As discussões do evento também tiveram impacto entre os empresários que participaram do congresso. Marco Oliveira, que acompanhou a palestra, afirmou que deve “revisar alguns protocolos, mas já fiquei feliz de ver que sigo muitas das dicas que foram dadas aqui”.
A empresária Gabriela Carneiro, que participa do PET Creche Summit com frequência, também destacou a aplicação prática dos conteúdos apresentados no evento. “Todo ano é um novo aprendizado e a gente sempre volta com novas ideias e novas intervenções para o nosso espaço. Ano passado já adotamos algumas sugestões e tivemos resultados positivos”, analisa.
Gestão vai além do manejo dos animais
O conteúdo do congresso também mostrou que a profissionalização das creches envolve outras áreas da administração. As palestras abordaram assuntos como gestão de crises e situações que podem afetar a operação, além de debater os direitos empresarias aplicáveis às atividades do segmento.
O congresso também abordou a saúde mental das equipes, considerando as exigências da rotina de trabalho e os processos voltados à organização e à segurança da prestação do serviço.
Profissionalização muda as exigências para novos negócios
O movimento observado no PET Creche Summit aponta para uma transformação na forma como o segmento é administrado. A estrutura física continua sendo importante, mas passa a dividir espaço com processos de saúde, protocolos de manejo, capacitação das equipes e gestão de riscos.
Para empreendedores que pretendem entrar no mercado, isso significa considerar esses aspectos desde o planejamento do negócio. A adoção de procedimentos claros pode contribuir tanto para a segurança dos animais quanto para a organização da operação e a qualidade do serviço oferecido aos tutores.