Congresso em São Paulo discute gestão e faturamento de veterinários autônomos
Encontro organizado pelo Casal Vet reúne mais de 550 profissionais de 17 estados para debater faturamento, gestação e atuação domiciliar na veterinária
por Gabriel Sartini em
e atualizado em
O 3º Congresso Nacional de Veterinária Domiciliar e Autônomo começou nesta segunda-feira (dia 10), no Spazio Itália, em Santo Amaro, na capital paulista, e segue até esta terça-feira (dia 11).
Organizado pelo Casal Vet, o evento reúne mais de 550 participantes vindos de 17 estados brasileiros, além de visitantes da Colômbia, para dois dias de imersão voltados a médicos-veterinários que atuam de forma autônoma ou no atendimento domiciliar.
A programação foi estruturada em cinco pilares — marketing, atendimento, vendas, técnica clínica e inovação — somando 11 palestras ao longo dos dois dias, além de arena de exposição e espaços de networking.
Na abertura, porém, ficou evidente um traço que distingue o congresso de outros encontros do setor: o protagonismo dado ao tema faturamento, com relatos de veterinários autônomos e domiciliares que multiplicaram sua renda a partir das edições anteriores do evento.
“Mundo Paralelo”: o tema por trás do congresso
O nome escolhido para a edição deste ano, “O Mundo Paralelo da Veterinária“, resume o diagnóstico apresentado pelos organizadores logo na abertura.
De um lado, uma parcela significativa dos médicos-veterinários brasileiros fatura menos de R$ 4 mil por mês. De outro, há especialistas que cobram mais de R$ 500 por consulta e conseguem multiplicar o faturamento mensal em até cinco ou seis vezes apostando no atendimento domiciliar — uma modalidade que vem crescendo no país desde a Resolução CFMV n° 1.690/2026, que regulamentou o atendimento domiciliar de animais de pequeno porte.
Andressa Adrielly Alves Araújo, cofundadora do Casal Vet ao lado de Fabrício Araújo Gomes, usou a abertura para reforçar a leitura de que a formação técnica, por si só, não é mais suficiente para garantir espaço num mercado cada vez mais concorrido.
Segundo ela, entender-se apenas como “veterinário” significa competir diretamente com os mais de 18 mil profissionais que se formam todos os anos no país, o que torna essencial desenvolver formas de se diferenciar dentro da própria categoria.
Fabrício, por sua vez, chamou atenção para uma lacuna que considera estrutural na formação dos médicos-veterinários brasileiros: a de que as faculdades cumprem seu papel ao formar bons clínicos, mas nem sempre preparam os alunos para empreender.
O argumento dialoga com dados do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), que contabilizava 580 cursos de Medicina Veterinária ativos no Brasil até o fim de 2025 e mais de 217 mil profissionais registrados, um retrato do tamanho da concorrência que os novos profissionais encontram ao entrar no mercado.
Faturamento e técnica dividem o palco
Apesar do peso dado às discussões sobre gestão e faturamento, a programação não deixou de lado o conteúdo técnico. Segundo Fabrício, a programação foi desenhada para responder às áreas em que, na avaliação dele, os profissionais mais precisam evoluir para se manter competitivos.
A fala dos dois fundadores do Casal Vet convergiu para um mesmo ponto: o de que o congresso se propõe a ser mais do que um espaço de atualização técnica. “Queremos que os veterinários tenham o senso da dúvida, que sintam que é possível mudar de vida”, ressaltou Fabrício durante a abertura.
Andressa destacou o papel do Congresso na construção desse cenário: “estamos construindo um dos maiores movimentos de valorização da Medicina Veterinária brasileira”.
O 3º Congresso Nacional de Veterinária Domiciliar e Autônomo segue nesta terça-feira com a sequência da programação técnica e de gestão no Spazio Itália, em São Paulo.