Brasil consolida-se como hub global pet com avanço de multinacionais e PMEs
Investimentos bilionários da indústria e a capacitação de pequenas empresas estão redesenhando o papel do Brasil no comércio exterior
por Gabriel Sartini em
e atualizado em
O Brasil está consolidando seu papel como um dos principais polos globais de exportação do mercado pet ao combinar escala industrial, inovação tecnológica e a crescente internacionalização de PMEs e pettechs.
Como terceiro maior mercado pet do mundo, com cerca de 96 milhões de animais, o país se beneficia de investimentos robustos de multinacionais e de programas estruturantes como o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), da ApexBrasil, que prepara pequenas empresas para competir globalmente.
Esse movimento tende a criar um ecossistema completo de exportação. Enquanto grandes indústrias estruturam cadeias produtivas e logísticas, negócios menores tentam ocupar nichos de alto valor agregado, como suplementos, higiene e tecnologia veterinária.
A participação recorde de mais de 60 empresas brasileiras na Interzoo 2026, realizada em Nuremberg (Alemanha) no último mês de maio, simboliza essa nova etapa da internacionalização. O interesse estrangeiro foi direcionado justamente para categorias de maior valor agregado, como cosméticos naturais, produtos sustentáveis, areias sanitárias e snacks funcionais.
“Devido à atual conjuntura comercial mundial, os compradores estão cada vez mais atentos a novos fornecedores e o Brasil entrou nesse radar”, contextualiza Luiz Paulo Almeida, sócio da Commpazz.
Brasil se fortalece como hub exportador da América Latina
A estratégia da Nestlé Purina exemplifica como o Brasil se tornou peça-chave na geopolítica do setor pet. O investimento de R$ 2,5 bilhões na nova fábrica de Vargeão (SC), somado à modernização da planta de Ribeirão Preto (SP), amplia significativamente a capacidade produtiva e reforça o país como plataforma exportadora.
A operação se apoia em três pilares centrais. A empresa aposta em escala e complementaridade industrial com duas plantas especializadas elevando eficiência e competitividade. A multinacional também aposta no conceito de Indústria 4.0, com automação, inteligência artificial e rastreabilidade digital.
Com isso, a Purina se mantém com destaque na exportação, abastecendo mercados como Chile, Colômbia, Argentina e, em breve, o México.
Além disso, a expansão acompanha tendências estruturais da região, como o crescimento acelerado da população de gatos, o avanço de alimentos úmidos (+14,1% em faturamento) e a forte demanda por produtos premium e funcionais.
Rota das PMEs e Pettechs: internacionalização via PEIEX
Enquanto multinacionais consolidam infraestrutura, pequenas e médias empresas ganham acesso ao mercado internacional por meio de iniciativas como o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), da ApexBrasil.
O programa atua diretamente na preparação “da porta para dentro”, oferecendo diagnóstico gratuito de potencial exportador, consultoria individualizada, capacitação em precificação internacional e orientação sobre exigências sanitárias e operacionais. Cerca de 30 mil empresas brasileiras já foram beneficiadas, das quais aproximadamente 20 mil são micro e pequenas.
Além disso, empresas qualificadas ampliam sua visibilidade em plataformas como a Buy Brazil, uma vitrine digital internacional, e a Exporta Mais Brasil, rodada de negócios com compradores globais. “Trata-se de uma plataforma contínua de qualificação, calendário de negócios e posicionamento setorial que encurta o caminho entre o produto brasileiro e as gôndolas internacionais”, detalha Paula Caminha Soares, coordenadora da ApexBrasil.
Esse suporte tem permitido que pet techs e PMEs de segmentos como petiscos naturais, suplementos e higiene superem barreiras históricas, como burocracia e desconhecimento do comércio exterior.
Exigências globais unem o gigante e o pequeno exportador
Apesar das diferenças de escala, multinacionais e PMEs convergem em requisitos essenciais para competir globalmente, como a conformidade sanitária rigorosa tanto no Brasil quanto nos mercados de destino.
Outros aspectos levados em conta pelos mercados importadores de produtos brasileiros estão a variedade no portfólio premium e funcional, como foco em saúde e bem-estar animal, além de pontos como a sustentabilidade e rastreabilidade na cadeia produtiva e capacidade operacional consistente para atender à demanda externa.
Esses fatores refletem uma mudança estrutural no consumo global, com tutores mais exigentes e foco crescente em nutrição avançada e qualidade de vida dos pets.
Explorar programas de internacionalização como o PEIEX também é importante para pequenos e médios negócios para reduzir riscos e acelerar a entrada no exterior. Mas isso pode não ser o suficiente se as empresas não trabalharem para fortalecer suas presenças digitais globalmente, ampliando os canais de acesso a compradores de diferentes idiomas.
A combinação entre capital multinacional e inovação das PMEs posiciona o Brasil como protagonista na cadeia global do setor pet. O próximo passo para o B2B nacional é transformar essa vantagem estrutural em competitividade sustentável no cenário internacional.