CBD avança como terapia complementar para cães com epilepsia
Estudo indica redução na frequência das convulsões quando o canabidiol é associado ao tratamento convencional
por Juliana de Caprio em
O canabidiol (CBD) vem ganhando espaço como uma alternativa complementar no tratamento da epilepsia canina. Estudos recentes apontam que a substância pode contribuir para reduzir a frequência das convulsões em cães que não apresentam resposta satisfatória aos medicamentos anticonvulsivantes tradicionais.
A epilepsia está entre as doenças neurológicas mais comuns em cães, afetando entre 1% e 5% da população canina. O tratamento convencional é baseado principalmente em medicamentos como fenobarbital e brometo de potássio. Apesar da eficácia em muitos casos, cerca de um terço dos animais continua apresentando crises recorrentes mesmo com a terapia adequada.
Nesse cenário, o CBD tem despertado o interesse da comunidade científica. Diferentemente do tetrahidrocanabinol (THC), composto psicoativo da cannabis, o canabidiol não provoca efeitos intoxicantes e atua sobre o sistema endocanabinoide, responsável por regular funções como dor, inflamação e atividade neurológica.
O principal estudo sobre o tema foi conduzido pela Faculdade de Medicina Veterinária e Ciências Biomédicas da Universidade Estadual do Colorado e publicado em 2019 no Journal of the American Veterinary Medical Association. A pesquisa avaliou cães com epilepsia idiopática que já recebiam tratamento anticonvulsivante e observou redução média de 33% na frequência das convulsões entre os animais tratados com óleo de CBD em comparação ao grupo placebo.
Embora o canabidiol não tenha eliminado completamente as crises, os pesquisadores consideraram os resultados promissores. O tratamento também apresentou boa tolerabilidade, sendo a principal alteração observada uma elevação discreta da enzima hepática fosfatase alcalina.
Estudos publicados posteriormente ampliaram essas evidências, avaliando doses mais elevadas e períodos maiores de tratamento. Os resultados reforçam o potencial do CBD como terapia complementar e sugerem que a substância pode atuar em conjunto com medicamentos convencionais, permitindo, em alguns casos, a redução das doses dos anticonvulsivantes e de seus efeitos adversos.
Apesar do avanço das pesquisas, especialistas ressaltam que o canabidiol não deve substituir os tratamentos já estabelecidos. A recomendação é que seu uso seja sempre acompanhado por um médico-veterinário, responsável por avaliar a condição clínica do animal, possíveis interações medicamentosas e a dosagem mais adequada.
Outro ponto de atenção é a qualidade dos produtos disponíveis no mercado. Como o segmento ainda apresenta diferentes níveis de regulamentação, especialistas orientam que os tutores optem por produtos desenvolvidos especificamente para animais, com testes laboratoriais independentes e certificado de análise que comprove a concentração de CBD.
O interesse pelo canabidiol também tem impulsionado novas pesquisas em medicina veterinária. Com o aumento das evidências científicas e o avanço das discussões regulatórias em diferentes países, a expectativa é de que o composto continue sendo avaliado como uma alternativa complementar para o manejo da epilepsia canina e de outras condições neurológicas.