Capacidade ociosa deve elevar pressão sobre fabricantes de pet food
Expansão acelerada da produção durante a pandemia pode levar setor a disputar mercado por diferenciação
por Juliana de Caprio em
e atualizado em
O ciclo de investimentos que impulsionou a indústria global de alimentos para animais de estimação nos últimos anos começa a trazer novos desafios para os fabricantes. Após uma série de aportes em fábricas e ampliação da capacidade produtiva durante e após a pandemia, empresas do setor agora enfrentam o risco de operar em um cenário de excesso de oferta.
A avaliação é de que parte das capacidades projetadas para atender ao forte crescimento registrado durante a covid-19 está entrando em operação em um momento de desaceleração da demanda, aumentando a pressão sobre margens e competitividade.
O movimento ganhou força em 2020, quando grandes empresas anunciaram investimentos expressivos para ampliar sua produção. Entre os exemplos estão os aportes realizados pela Nestlé Purina PetCare nos Estados Unidos, além de dezenas de novos projetos industriais concluídos entre 2020 e 2022. A tendência continuou nos anos seguintes, com mais de US$ 1,5 bilhão (R$ 7,8 bilhões) destinados a novas unidades e expansões produtivas entre 2023 e 2024.
Com mais capacidade disponível no mercado, fabricantes passam a disputar espaço de forma mais intensa. O impacto pode ser ainda mais relevante no segmento de alimentos úmidos, que concentrou parte significativa dos investimentos recentes.
Além da pressão sobre preços, o cenário favorece o avanço das marcas próprias. Com maior disponibilidade de produção, indústrias podem direcionar parte de sua capacidade para esse segmento, que vem ganhando participação ao oferecer formulações e padrões de qualidade cada vez mais próximos aos das marcas tradicionais.
Nesse contexto, a diferenciação tende a se tornar mais importante do que a escala produtiva. Entre as estratégias consideradas essenciais estão o fortalecimento das relações com fornecedores, investimentos em pesquisa e desenvolvimento, validação científica dos benefícios dos produtos e maior conhecimento sobre o comportamento dos consumidores.
Outro fator destacado é a necessidade de ampliar a integração de dados. A combinação de informações provenientes de e-commerce, programas de fidelidade, serviços veterinários e canais de relacionamento pode ajudar fabricantes a compreender melhor a jornada de compra e desenvolver estratégias mais assertivas de retenção e recompra.
A construção de operações omnicanal também aparece como prioridade. Com consumidores transitando entre redes sociais, marketplaces, clínicas veterinárias e lojas especializadas, a presença integrada em diferentes pontos de contato passa a ser vista como uma vantagem competitiva.
Para o setor, a próxima fase do mercado tende a ser marcada menos pela capacidade de produzir em larga escala e mais pela habilidade de entregar valor, inovação e conexão com os tutores de pets.