Mercado pet e veterinário contrata, mas não retém profissionais
A cada 100 contratações no setor, clínicas, hospitais e pet shops demitem 96 colaboradores
As duas imagens acima vêm sendo rotineiras em clínicas, hospitais veterinários e pet shops, mostrando como a rotatividade de mão de obra compromete a expansão do setor. De acordo com indicadores do Portal Salário referentes aos últimos 12 meses até abril de 2026, as empresas do setor ampliam a geração de empregos formais, mas perdem profissionais praticamente na mesma proporção. Para cada 100 contratados, 96 são desligados.
Na área de atividades veterinárias (CNAE 7500-1/00), foram registradas 21.904 contratações com carteira assinada, contra 20.157 desligamentos. O resultado mantém a rotatividade próxima de 48%, indicando que quase metade do quadro de trabalhadores formais é substituída ao longo de 12 meses.
No caso de clínicas e hospitais, pressão de custos, jornadas intensas e disputa regional por profissionais ajudam a explicar o fluxo constante de entrada e saída de trabalhadores. Houve 6.748 movimentações formais no período, com rotatividade de 48,8%.
Contratações x demissões – mai/2025 a abr/2026

Cargos de apoio reproduzem o mesmo padrão
Nos segmentos ligados ao varejo e à cadeia de suprimentos, o comportamento também indica alta dependência de reposição constante de mão de obra. O comércio varejista de animais vivos, artigos e alimentos para pets (CNAE 4789-0/04) registrou 51.353 contratações e 50.284 desligamentos.
Na cadeia de abastecimento, o comércio atacadista de alimentos para animais (CNAE 4623-1/09) contabilizou 9.807 colaboradores recrutados e 9.387 demissões, enquanto o varejo de medicamentos veterinários (CNAE 4771-7/04) somou 14.184 admissões e 13.694 desligamentos.
Rotatividade percentual por segmento

Limitação financeira e falta de maturidade explicam os números
Especialistas apontam que o fenômeno vai além da expansão do mercado e está ligado à dificuldade de cultivar talentos em um ambiente de margens pressionadas e baixa maturidade de gestão. Para Ricardo de Oliveira, CEO e mentor de negócios da Fórmula Pet Shop, o problema reflete uma fragilidade organizacional ainda comum no setor.
“Muitas pequenas e médias empresas não mantêm processos estruturados nem liderança consolidada. Isso gera sobrecarga nas equipes e acelera a saída de profissionais”, atesta. O cenário também é reforçado por dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), segundo os quais 69% das empresas brasileiras relatam dificuldades para contratar e reter mão de obra qualificada.
Pressão por mobilidade profissional amplia o desafio
Além das questões estruturais das empresas, o comportamento dos profissionais também contribui para a alta rotatividade. Pesquisa da Robert Half indica que 61% dos colaboradores pretendem buscar novas oportunidades em 2026, motivados principalmente por crescimento na carreira, remuneração e qualidade de vida.
Para piorar o quadro, 28% dos entrevistados chegam a avaliar uma transição de carreira para outras áreas. Fatores financeiros (63%), qualidade de vida (39%) e realização pessoal (29%) são as principais motivações.
“Esses fatores têm impacto direto em setores de serviços intensivos como o pet, onde a combinação de demanda crescente e condições operacionais desafiadoras acelera a movimentação de equipes. Bem-estar, desenvolvimento e flexibilidade são as palavras da vez”, admite Fernando Mantovani, diretor geral da Robert Half na América do Sul.