Condenar ou abraçar a geração Z? O desafio real dos empresários nas clínicas veterinárias
Especialista discute como gestores podem transformar diferenças geracionais em oportunidades de desenvolvimento e retenção de talentos
Especialista discute como gestores podem transformar diferenças geracionais em oportunidades de desenvolvimento e retenção de talentos
por Marco Antonio Gioso em
Muito tem se falado sobre a geração Z, jovens nascidos entre 1996 e 2010, que estão chegando em peso ao mercado de trabalho. Em clínicas e hospitais veterinários não é diferente. Mas o que mais se ouve nos bastidores da liderança são críticas. “Não têm comprometimento”, “não sabem ouvir”, “são mimados”, “querem crescer rápido demais”, “são frágeis emocionalmente” e “não têm resiliência para lidar com pressão”.
Essas críticas não surgem do nada. A maioria desses jovens foi criada em um ambiente profundamente digital, com pouca interação física no ambiente familiar ou escolar. Muitos pais, despreparados para lidar com esse novo mundo, não impuseram limites claros, talvez nem soubessem como e hoje vemos os reflexos disso em jovens que se expressam com intensidade, opinam sobre tudo, contradizem lideranças e têm dificuldade em aceitar hierarquia.
Mas diante disso, empresários e gestores têm duas opções. Ou passam os próximos anos reclamando, ou arregaçam as mangas e fazem alguma coisa. A escolha é simples e estratégica.
Se sabemos que a base da criação desses jovens foi frágil em termos de autoridade e estrutura, então é justamente isso que o ambiente corporativo deve oferecer. O jovem da geração Z precisa de regras claras, desde o primeiro dia. Precisa de um manual por escrito, com vídeos explicativos se for o caso, onde entenda o que se espera dele, quais os limites, e como funcionam os processos.
A empresa assume o papel que os pais, muitas vezes, não cumpriram. O de estabelecer limites e direcionamento. Mas isso não é tudo. Existe uma chave poderosa para desbloquear o melhor dessa geração. Perguntar se ele quer mesmo ser desenvolvido. Simples assim. Olhar nos olhos e dizer, “você quer ser treinado, mesmo que tenha saído de uma faculdade fraca ou não tenha experiência?”
Esse jovem, ao contrário do que parece, não quer ser abandonado. Ele quer ser conduzido. Quer sentir que alguém acredita nele e está disposto a caminhar junto. O desafio é você, empresário, ser tolerante o suficiente para investir tempo na educação corporativa. No fundo, você também deve aprender a orientar, saber quais os estímulos behavioristas que geram respostas positivas. O desapego do passado, de sua criação, não entra nesta equação tanto quanto você gostaria.
A geração Z talvez não seja pior nem melhor. Ela é diferente. E se você, empresário, gestor ou líder, souber usar isso a seu favor, terá nas mãos uma geração intuitiva, criativa, veloz, inquieta e cheia de sede por sentido. Basta deixar de condenar e começar a orientar.
Professor livre docente pela USP, tem MBA em marketing pela FIA e certificação pela Global Coach Group Leadership. Assessor e consultor especializado no atendimento a clínicas e pet shops, além de palestrante internacional.
Marco Antonio Gioso possui 5 conteúdos publicados no Panorama Pet&Vet. Confira!
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