América Latina impulsiona demanda por alimentos premium para pets
Recuperação econômica, urbanização e humanização dos animais ampliam oportunidades de crescimento no mercado regional
por Juliana de Caprio em
e atualizado em
A América Latina vem consolidando sua posição como um dos mercados mais promissores para a indústria global de alimentos para animais de estimação. Impulsionada pela recuperação econômica, pela crescente humanização dos pets e pela busca por produtos de maior valor agregado, a região tem registrado aumento consistente no consumo de alimentos industrializados para cães e gatos.
Dados do Serviço Agrícola Estrangeiro (FAS), do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), apontam que a América do Sul e o Caribe representam atualmente o terceiro maior mercado para exportações americanas de alimentos para pets. Em 2024, a região importou US$ 162 milhões (R$ 833,20 milhões) em produtos dos Estados Unidos, alta de 11% em relação ao ano anterior.
O crescimento acompanha um cenário econômico mais favorável em diversos países latino-americanos, marcado pela redução da inflação, queda das taxas de juros e aumento do consumo das famílias. Com maior poder de compra, os tutores passaram a investir mais em saúde, bem-estar e alimentação de seus animais de estimação.
Humanização impulsiona produtos premium
Um dos principais motores desse avanço é a humanização dos animais de estimação. Segundo dados da Euromonitor citados pelo relatório, 74% dos tutores latino-americanos consideram seus pets membros da família, o maior percentual entre todas as regiões analisadas.
Esse comportamento tem estimulado a procura por alimentos com ingredientes de maior qualidade, formulações funcionais, opções naturais e produtos alinhados às demandas de sustentabilidade. Embora a ração seca permaneça como a principal categoria do mercado, os alimentos úmidos vêm registrando crescimento acelerado.
A urbanização também influencia as transformações do setor. Atualmente, 82% da população da América Latina vive em áreas urbanas, favorecendo a adoção de cães e gatos de menor porte e ampliando a demanda por produtos adaptados a diferentes estilos de vida.
Brasil está entre os mercados de maior potencial
Entre os países com maior potencial de crescimento, o Brasil aparece como um dos destaques. Além de possuir a terceira maior população de animais de estimação do mundo, o país ainda apresenta espaço para expansão do consumo de alimentos industrializados.
Segundo o levantamento, muitos tutores brasileiros ainda utilizam alimentação não industrializada, cenário que abre oportunidades para fabricantes ampliarem sua presença no mercado. A tendência é reforçada pelo avanço da demanda por produtos premium à medida que as condições econômicas se tornam mais favoráveis.
Peru e República Dominicana também aparecem entre os mercados mais promissores. No Peru, o crescimento da população de gatos e a maior conscientização sobre saúde animal têm impulsionado a procura por produtos premium e gourmet. Já na República Dominicana, a expectativa é de crescimento anual de 12% para o mercado pet nos próximos anos.
Tutor mais seletivo puxa demanda
Ricardo de Oliveira, empresário com atuação na América do Sul e CEO da consultoria Fórmula Pet Shop, Ricardo de Oliveira, empresário com atuação na América do Sul e CEO da consultoria Fórmula Pet Shop, humanização dos pets, urbanização e melhora gradual do ambiente econômico realmente formam uma combinação favorável para o crescimento do consumo de alimentos industrializados, principalmente nas linhas de maior valor agregado. Mas demanda não significa, automaticamente, aumento de lucro para a indústria e para o varejo.
“O mercado premium vai crescer na América Latina. O problema é que muitos leem esse movimento como se bastasse colocar um saco de ração mais caro na prateleira e esperar o faturamento subir. Premiumização impõe posicionamento claro, execução comercial e capacidade de educar o cliente”, reforça.
No Brasil, isso fica ainda mais evidente. “Temos uma das maiores populações pet do mundo e, ao mesmo tempo, um mercado extremamente heterogêneo. Existe espaço para produtos premium, naturais, funcionais e mais sofisticados? Sem dúvida. Mas também existe um consumidor pressionado por renda, um varejo ainda pouco profissionalizado em várias regiões e uma operação que, muitas vezes, não sabe transformar tendência em margem”, avalia.
Na prática, a oportunidade não está apenas em vender “ração premium”, e sim em construir um ecossistema de valor ao redor dela – com sortimento inteligente, equipe treinada para argumentar benefício, exposição correta, mix coerente, CRM, recorrência e uma experiência de compra que justifique o preço.
Perspectivas seguem positivas
O relatório destaca que a combinação entre recuperação econômica, urbanização e humanização dos animais deve continuar sustentando a expansão do mercado latino-americano de alimentos para pets.
Além do aumento da população pet, o setor se beneficia de uma mudança no perfil de consumo dos tutores, cada vez mais atentos à qualidade nutricional dos produtos e dispostos a investir em soluções que contribuam para a saúde e o bem-estar dos animais. Nesse cenário, a América Latina segue ampliando sua relevância para a indústria global pet e se consolidando como uma das regiões com maior potencial de crescimento para os próximos anos.