Tendências humanas redefinem marketing de alimentos para pets
Nutrição, bem-estar, transparência e conveniência influenciam cada vez mais as decisões de compra dos tutores e impulsionam transformações na indústria pet
por Juliana de Caprio em
As tendências de consumo que moldam os mercados de alimentos, saúde e bem-estar para humanos estão influenciando cada vez mais o desenvolvimento e a comunicação de produtos para animais de estimação. Segundo especialistas do setor, os tutores passaram a aplicar aos pets os mesmos critérios utilizados em suas próprias decisões de compra, impulsionando mudanças na indústria de alimentos para cães e gatos.
De acordo com a Associação Americana de Produtos para Animais de Estimação (APPA), o mercado de cuidados com animais de estimação deverá movimentar US$ 165 bilhões (R$ 837,5 bilhões) em 2026. O crescimento é atribuído não apenas ao aumento da população pet, mas também à integração cada vez maior dos animais na rotina e na dinâmica familiar.
Nesse contexto, atributos como nutrição funcional, transparência, qualidade dos ingredientes, conveniência e bem-estar ganharam relevância na avaliação dos produtos. Segundo Satoru Wakeshima, sócio da consultoria CBX, e Jessica Scholl, diretora de design da The JM Smucker Company, os consumidores passaram a enxergar os cuidados com os pets sob a mesma ótica aplicada à alimentação e à saúde humana.
Premiumização baseada em valor
O movimento também tem redefinido o conceito de premiumização dentro do mercado pet. Em vez de associar valor apenas ao posicionamento de marca, os consumidores buscam benefícios tangíveis e justificativas claras para preços mais elevados.
Ingredientes diferenciados, fórmulas exclusivas, processos produtivos específicos e parcerias entre marcas são algumas das estratégias utilizadas para reforçar a percepção de qualidade. Termos como “cozido lentamente”, “seco ao ar” e “prensado a frio” passaram a ocupar espaço semelhante ao observado em categorias de alimentos premium para consumo humano.
Segundo os especialistas, o objetivo é transmitir atributos relacionados a cuidado, segurança e funcionalidade, especialmente em um cenário de maior seletividade nos gastos das famílias.
Relação emocional influencia decisões de compra
O estudo também aponta que os momentos de alimentação e oferta de petiscos assumiram um papel cada vez mais importante na relação entre tutores e animais de estimação.
Dados do Pew Research Center mostram que 97% dos tutores norte-americanos consideram seus animais parte da família. Para mais da metade dos entrevistados, os pets ocupam posição equivalente à de outros membros familiares.
Essa proximidade tem ampliado o valor emocional associado às decisões de compra. Produtos voltados para recompensa, bem-estar e experiências compartilhadas ganham espaço à medida que os tutores buscam formas de fortalecer o vínculo com seus animais.
Segundo os autores, esse comportamento ajuda a explicar o crescimento de categorias como petiscos funcionais, suplementos e alimentos premium.
Embalagens e comunicação seguem tendências do varejo humano
Outra transformação observada está relacionada à identidade visual das marcas. Elementos tradicionalmente utilizados em produtos de consumo humano passaram a ser adotados também na indústria pet.
Embalagens minimalistas, cores naturais, fotografias que destacam ingredientes e mensagens relacionadas à saúde intestinal, digestibilidade e processamento reduzido tornaram-se cada vez mais frequentes nas prateleiras.
De acordo com os especialistas, essa aproximação facilita a compreensão dos benefícios pelos consumidores e fortalece a percepção de qualidade dos produtos.
Novas oportunidades para a indústria
A convergência entre os mercados humano e pet também tem impulsionado o surgimento de novas categorias e experiências. Produtos inspirados em alimentos consumidos por pessoas, suplementos voltados à saúde preventiva, serviços premium de higiene e hospedagens adaptadas para animais estão entre os segmentos que registram expansão.
Para os autores, a tendência reflete uma mudança estrutural na forma como os consumidores enxergam os animais de estimação. Mais do que companhia, os pets ocupam um papel central na vida familiar, influenciando hábitos de consumo e criando oportunidades para marcas que consigam atender às novas expectativas dos tutores.