Proteína de insetos ganha espaço no Brasil e cresce 10% ao ano
Mercado de nutrição pet brasileiro do segmento foi avaliado em R$ 19 milhões em 2025 e deve alcançar R$ 46,8 milhões até 2034
por Juliana de Caprio em
e atualizado em
A proteína de insetos vem ganhando espaço na nutrição pet brasileira e deve registrar crescimento anual de 10,36% até 2034. Segundo levantamento da Deep Market Insights, o mercado nacional de alimentos para animais de estimação à base de insetos foi avaliado em US$ 3,7 milhões (R$ 19,1 milhões) em 2025 e a expectativa é que alcance US$ 9,03 milhões (R$ 46,8 milhões) nos próximos nove anos.
O avanço é impulsionado pela busca por ingredientes alternativos que combinem valor nutricional e menor impacto ambiental. Embora ainda represente uma pequena parcela do mercado pet, a proteína de insetos começa a atrair o interesse de fabricantes e consumidores em diferentes segmentos.
Apesar das perspectivas positivas, o setor ainda enfrenta desafios para ampliar sua participação no mercado. Segundo Bruno Multedo, cofundador e CEO da Lets Fly, produtora dos petiscos Comida de Dragão, a principal barreira continua sendo a percepção dos consumidores. “A barreira psicológica envolvendo os insetos é o nosso principal desafio. A maioria recebe a proposta com estranheza”, diz.
Além da questão cultural, a capacidade produtiva também limita o crescimento do segmento. Mauro Ávila, CMO da Ybynsect, empresa especializada na produção industrial de tenébrio molitor, afirma que a demanda já supera a oferta disponível. “Mais empresas e grandes players do mercado procuram a proteína de insetos como ingrediente-chave, mas ela ainda está longe de se consolidar e competir diretamente com as proteínas tradicionais na alimentação pet”, avalia.
Segundo o executivo, o Brasil detém condições favoráveis para a produção em larga escala, incluindo disponibilidade de matéria-prima, custos competitivos e clima adequado. No entanto, a falta de automação e o acesso limitado a tecnologias especializadas dificultam a expansão das operações.
“Hoje temos mais de 30 toneladas de demanda reprimida da farinha de tenébrio porque nossa operação não consegue atender completamente o mercado”, afirma. Além dos benefícios nutricionais, a sustentabilidade é um dos fatores que fortalecem o potencial de crescimento da categoria.
De acordo com Multedo, a produção de proteína de insetos demanda menos recursos naturais quando comparada às fontes convencionais. “Quando você compara com o gado, precisamos de 15 mil litros de água a menos por quilo de proteína produzida. Também utilizamos 3.140 vezes menos área para produzir a mesma quantidade de proteína”, destaca.
Para os especialistas, a expansão do mercado dependerá da combinação entre investimento, inovação e informação. A expectativa é que o avanço das pesquisas, a ampliação da oferta e o interesse crescente por soluções sustentáveis contribuam para consolidar a proteína de insetos como uma alternativa cada vez mais relevante na nutrição pet brasileira.