Exportações pet crescem 12% e ampliam presença global do Brasil
Participação recorde na Interzoo 2026, abertura de novos mercados e avanço das PMEs reforçam tendência de internacionalização do setor
por Juliana de Caprio em
As exportações brasileiras de produtos pet cresceram 12% em 2025, consolidando um movimento que vem ganhando força nos últimos anos e que tem levado cada vez mais empresas a buscar oportunidades fora do mercado doméstico. Em um cenário de desaceleração do ritmo de crescimento interno, a internacionalização passa a ser vista por fabricantes como uma importante estratégia para ampliar faturamento, diversificar mercados e fortalecer marcas.
O avanço ocorre em paralelo ao aumento da presença brasileira em feiras internacionais e programas de promoção comercial. Um dos principais exemplos foi a Interzoo 2026, realizada em Nuremberg, na Alemanha, que contou com participação recorde de mais de 60 empresas brasileiras.
Para Luiz Paulo Almeida, sócio da Commpazz, o interesse internacional pelos produtos brasileiros ficou evidente durante o evento. “Devido à atual conjuntura comercial mundial, os compradores estão cada vez mais atentos a novos fornecedores e o Brasil entrou nesse radar. Com grande variedade de produtos e um mercado consolidado, o país soube captar a atenção nessa edição da Interzoo”, afirma.
Entre as categorias que mais despertaram interesse dos compradores internacionais estão areias sanitárias para gatos, cosméticos pet com ingredientes naturais, produtos sustentáveis e snacks naturais.
Brasil ganha visibilidade internacional
Além do número recorde de expositores, a presença brasileira chamou atenção pela forma como as empresas foram distribuídas ao longo dos pavilhões da feira.
Segundo Almeida, diferentemente de edições anteriores, as marcas brasileiras não ficaram concentradas em uma única área, ampliando sua exposição aos visitantes internacionais.
“As empresas brasileiras ficaram presentes em praticamente todos os pavilhões. Os compradores tinham a sensação de estar sempre em contato com um produto brasileiro em qualquer parte da feira. Isso transmite credibilidade e reforça a força do país no cenário internacional”, explica.
O executivo destaca ainda que a própria organização da Interzoo ampliou o protagonismo do Brasil na programação do evento, incluindo ações de networking, apresentações culturais e debates dedicados ao mercado pet nacional.
Tendência estrutural
Na avaliação do setor, o crescimento das exportações não representa um movimento pontual. O especialista indica que a indústria brasileira vem atuando no mercado internacional com cada vez mais força nos últimos cinco anos. O momento é muito propício para focar nas exportações, principalmente porque o mercado nacional vem ajustando suas taxas de crescimento e a inserção em mercados do Exterior surge como alternativa para diversificar fontes de receita.
Para ele, a consolidação desse avanço dependerá da capacidade das empresas de desenvolver projetos estruturados e de longo prazo. “Se tivermos uma visão de médio e longo prazo, a tendência é uma consolidação cada vez mais forte dos produtos brasileiros no exterior”, acrescenta.
Nos últimos anos, iniciativas como rodadas internacionais de negócios, missões comerciais e programas de apoio à exportação têm contribuído para aproximar fabricantes brasileiros de distribuidores e compradores de diferentes regiões do mundo.
Novos mercados entram no radar
Historicamente, a América do Sul foi a principal porta de entrada para empresas brasileiras interessadas em exportar. No entanto, esse cenário começa a se diversificar.
Segundo Almeida, a participação crescente em eventos internacionais tem ampliado a visibilidade do setor em regiões antes menos exploradas. “Quando uma empresa expõe no Oriente Médio ou na Ásia, novos mercados passam a conhecer os produtos brasileiros e novos compradores chegam à mesa de negociação”, explica.
Para empresas mais maduras, mercados fora do eixo tradicional Américas-Europa aparecem como as oportunidades mais promissoras. Já para organizações que estão iniciando sua jornada internacional, América do Sul, Estados Unidos e Europa continuam sendo os destinos mais recomendados.
PMEs ampliam presença
Outro movimento observado nos últimos anos é o aumento da participação de pequenas e médias empresas no comércio exterior. De acordo com Almeida, programas desenvolvidos em parceria entre a Commpazz e a ApexBrasil têm contribuído para ampliar o acesso dessas empresas aos mercados internacionais.
“Os últimos dois anos têm sido fantásticos para as pequenas e médias empresas que buscam exportar. Os compradores internacionais estão em busca de novidades e inovação, e muitas vezes encontram isso justamente nas PMEs”, afirma.
Além do apoio institucional, o executivo aponta que a reputação construída por grandes exportadores brasileiros tem ajudado a abrir portas para novos participantes. “A marca Brasil contribui para que empresas iniciantes estabeleçam conexões mais rapidamente com potenciais clientes”, destaca.
Segundo ele, a continuidade da participação em feiras internacionais também tem papel decisivo para consolidar relacionamentos e gerar confiança junto aos compradores.
Com crescimento consistente das exportações, maior visibilidade internacional e aumento da participação de empresas de diferentes portes, a internacionalização deixa de ser uma oportunidade pontual para se consolidar como um dos principais vetores de expansão da indústria pet brasileira.