O banho e tosa é o departamento chamariz dos pet shops
Especialista explica porque tantas lojas fogem desse ponto-chave do negócio
por Regina Blessa em
Em alguns pet shops, o serviço de banho e tosa é a “vitrine” da loja. Principalmente em bairros populosos repletos de edifícios, os cães pequenos de companhia são, quinzenalmente, os clientes principais.
Muitas lojas têm agenda cheia e o seu faturamento, considerando apenas a demanda por banhos, atinge uma cifra satisfatória. Apesar disso, muitas outras lojas grandes e médias desistiram de trabalhar o serviço. A reclamação mais comum gira em torno do esforço necessário para gerenciar essa operação, sujeita a riscos, margens estreitas e carência de mão de obra.
Mas como algumas lojas obtêm faturamento elevado e registram clientela constante apesar dessas dificuldades? Tudo depende do local, do ponto, do ambiente correto, dos concorrentes próximos, da seleção e treinamento de pessoal e dos resultados, claro.
Para quem gosta de listas rápidas, aqui vão as dicas:
1 – Infraestrutura cara (para lojas pequenas)
- Localização do ambiente, espaço adequado, baias confortáveis, visibilidade do serviço pelos consumidores, higiene visível, banheiras, sopradores, exaustão e isolamento acústico adequado
- Usar bons produtos. “Enfeitinhos” não compensam produtos de qualidade duvidosa
2. Mão de obra difícil
- Tosador bom é um ativo raro, caro e rotativo
- Treinar leva tempo e é preciso ter um bom contrato para assegurar a retenção da equipe
3. Baixa margem real
- Parece serviço de valor alto, mas tem muito custo escondido: equipe, água, energia e produtos caros
- Precifique corretamente para não perder clientes
4. Questões sanitárias
- Controle de pulgas, fungos e contaminação cruzada é primordial. Tenha manutenção e limpeza rigorosa o tempo todo
5. Operação complexa
- Agenda, atrasos, faltas, encaixes urgentes de clientes e simpatia.
Tenha uma boa equipe e um bom gerente
6. Fluxo irregular
- Picos (fim de semana) e ociosidade na semana. Procure equilibrar equipe x demanda
7. Risco alto
- Cortes, queimaduras de secador, estresse do animal. Cuidado, porque qualquer incidente pode resultar em custo extra e queda na reputação
8. Cliente exigente
- Expectativa estética alta (“quero igual da foto”). Evite reclamações frequentes e retrabalho gratuito
9. Desalinhamento com o objetivo da rede
- Se algumas lojas são boas em varejo e não em serviço, é preciso analisar os porquês. Verificar o pessoal, a cultura e os processos diferentes, em detalhes, é outro requisito
Mas pesando os prós e os contras, devo ou não manter o serviço?
Mantenha o serviço se sua loja tiver:
- Agenda cheia (≥70% ocupação constante)
- Preço correto + tíquete médio alto (incluindo adicionais)
- Padrão operacional rígido e equipe estável
- Integração com o varejo (banho gera compra)
Desista de continuar ou abrir o serviço se sua loja apresentar:
- Rotatividade alta + reclamações frequentes
- Margem negativa recorrente
- Falta de espaço/estrutura adequada
- Se o espaço de área molhada é mal aproveitado e ocupa o m² onde poderia ser comercializado um produto com giro maior e menor risco, repense o serviço
Não se esqueça. Existem lojas fantásticas sem banho e tosa pela simples escolha de seus donos. E existem lojas com serviços fantásticos que expandem o negócio de olho no potencial desse serviço, inclusive por meio de franquias. Cada empreendedor deve seguir sua tendência profissional, sua experiência e se empreender para aprender a controlar todos os itens que fazem do seu PDV uma loja perfeita.