Mercado pet desacelera e tem pior resultado desde 2019
O mercado pet brasileiro desacelerou em 2025 e registrou o crescimento mais baixo desde 2019. Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet), o setor avançou 3,45% no período, alcançando receita de R$ 77,96 bilhões. O resultado, mesmo com crescimento, é inferior às projeções iniciais da entidade, que estimava, ao menos, R$ 78 bilhões.
O desempenho, considerado fraco pela entidade, sucede um 2024 já considerado desafiador. “O setor pet segue sólido, mas os resultados de 2025 refletem os desafios como o câmbio elevado, retração no consumo e o peso da alta tributação sobre os produtos e serviços do setor”, comenta Caio Villela, CEO da Abempet.
Pet food e petshops como destaque
O segmento de pet food teve posição dominante nos dados, respondendo por mais da metade da receita total (53,1%), com R$ 41,4 bilhões. Na sequência aparecem a comercialização de animais por criadores, com R$ 8,5 bilhões (11%), serviços veterinários, com R$ 8,2 bilhões (10,6%) e serviços clínicos, que somaram R$ 8,1 bilhões (10,5%) no ano. No varejo, pequenos e médios pet shops continuam sendo protagonistas, concentrando quase metade do faturamento do setor, com R$ 37,4 bilhões (48,1%). Clínicas e hospitais veterinários aparecem em segundo lugar, enquanto pet shops (mega store) ocupam a terceira posição.
Resultado por canal de venda

O comércio eletrônico (8,1%) segue relevante, embora também tenha mostrado sinais de desaceleração. No e-commerce, lojas virtuais especializadas lideram, seguidas por pet shops (megastores) e vendas online de estabelecimentos menores. “Apesar da relevância crescente do digital, esse crescimento mais tímido é uma preocupação. O consumidor está mais criterioso, o que reforça a necessidade de estratégias eficientes para manter a competitividade”, declara Villela.
Indústria
Em 2025, o volume produzido pela indústria ficou próximo de 4 milhões de toneladas, praticamente estável em relação ao ano anterior (0,12%) e bem abaixo da capacidade instalada do país, estimada em mais de 9 milhões de toneladas.
A ausência de benefícios específicos na reforma tributária recente é vista como um fator que limita o acesso da população a produtos e serviços voltados aos animais de estimação.
Estudos apresentados pela entidade indicam que uma eventual redução de impostos, por meio de uma reforma no país, poderia ampliar significativamente a produção e o consumo, além de gerar efeitos positivos na arrecadação. A lógica, segundo o levantamento, seria de um ciclo virtuoso. Preços mais baixos aumentariam o acesso, estimulando a demanda e, consequentemente, elevando a base de arrecadação.
Diante desse cenário, a perspectiva para 2026 permanece cautelosa. Caso variáveis como câmbio e carga tributária se mantenham nos níveis atuais, a expectativa é de um novo ano de crescimento moderado.