Mercado pet cresce três vezes acima da economia em SP
Setor impulsiona empregos e reforça protagonismo no varejo paulistano
Levantamento do Sindilojas-SP indica que o mercado pet cresce em ritmo mais de três vezes superior ao da economia na capital paulista. O desempenho reflete a combinação entre aumento da base de tutores, maior vínculo emocional com os animais e ampliação do consumo de produtos e serviços.
Entre janeiro de 2020 e janeiro de 2026, o número de empregos formais no setor teve incremento de 55,2%, passando de 11.798 para 18.313 postos de trabalho. Os dados são baseados no Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego. No mesmo período, o volume de profissionais admitidos em regime CLT na cidade de São Paulo aumentou 17,8%.
Consumo emocional sustenta expansão
O avanço do mercado pet está diretamente ligado à mudança no comportamento dos consumidores. Cães e gatos passaram a ocupar um papel central nas famílias, o que eleva o tíquete médio e amplia a demanda por itens de maior valor agregado, como rações premium, medicamentos e serviços especializados.
Segundo o presidente do Sindilojas-SP, Aldo Macri, esse movimento ajuda a explicar a resiliência do setor. “O segmento tem apresentado uma evolução consistente porque atende a uma demanda emocional. Mesmo em momentos de aperto, o consumidor evita cortar gastos com seus animais de estimação”, analisa.
Varejo e serviços puxam geração de empregos
Outro vetor relevante dessa expansão está na diversificação das atividades. O crescimento não se limita ao varejo de produtos, mas se estende a banho e tosa, clínicas veterinárias e soluções de bem-estar animal. Cerca de 10,8 mil microempreendedores individuais atuam em atividades relacionadas ao setor no município, incluindo prestadores de serviços, cuidadores e pequenos comerciantes.
“Há uma cadeia bastante diversificada, que vai do pequeno empreendedor até grandes redes, gerando empregos e movimentando diferentes frentes do varejo”, ressalta.
Estabilidade recente preocupa
Embora o resultado seja expressivo no cômputo geral, o extrato do último ano acende um sinal amarelo. A criação de 238 vagas formais em 2025 representou o menor índice desde 2020. O indicador vai ao encontro do balanço divulgado pela Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet).
O setor pet avançou 3,45% no período, alcançando receita de R$ 77,96 bilhões. O faturamento foi inferior às projeções iniciais da entidade, que estimava R$ 78 bilhões.
Gatos podem ser alavancas para o setor
Para Macri, o mercado felino tende a ser o principal motor do segmento. No Brasil, estima-se que até 2030 a população de gatos aumente 19%, de acordo com o IBGE. Ela não apenas cresce mais do que a de cães, como avança em ritmo mais acelerado.
“Esse crescimento é consequência da verticalização urbana e da maior demanda por imóveis menores, da aderência ao estilo de vida atual dos responsáveis por pets e do menor custo para manter o animal, em comparação a cães de médio e grande porte”, comenta.