OMS reconhece o Chile por controle de raiva transmitida por cães
País extingue contaminações de raiva transmitida por cães, após mais de cinco décadas sem casos dessa origem
por Luis Gustavo Chambrone em
e atualizado em
A combinação entre vacinação animal, vigilância epidemiológica e acesso à profilaxia pós-exposição levou o Chile a se tornar o primeiro país da América do Sul validado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) por eliminar a raiva transmitida por cães como problema de saúde pública.
O reconhecimento, anunciado em 14 de setembro de 2026, confirma mais de cinco décadas sem casos humanos associados à transmissão canina. O último registro desse tipo no país ocorreu em 1972.
A validação não significa que todas as formas de raiva foram erradicadas do território chileno. Casos transmitidos por outros animais, como morcegos, não impedem esse reconhecimento, cujo foco é a interrupção específica da transmissão de cães para humanos.
Vacinação e vigilância sustentaram o resultado
A estratégia chilena reuniu campanhas gratuitas de vacinação de cães e gatos, ações porta a porta, gestão direcionada da população canina e educação comunitária. O país também manteve diagnóstico laboratorial, monitoramento da circulação do vírus em animais e atendimento às pessoas potencialmente expostas.
Nos últimos anos, o programa reforçou a vigilância comunitária, a avaliação de risco e as atividades preventivas em áreas de fronteira com maior possibilidade de reintrodução do vírus.
Validação exige capacidade de evitar novos casos
Para obter o reconhecimento, o Chile apresentou à OMS um dossiê com evidências técnicas. A documentação foi analisada por um grupo internacional independente convocado pela Opas, pela OMS e pelo Centro Pan-Americano de Febre Aftosa e Saúde Pública Veterinária (Panaftosa).
A validação exige que o país comprove itens como a interrupção sustentada da transmissão da raiva por cães, ausência de mortes humanas dessa origem por pelo menos dois anos, vigilância epidemiológica ativa, além de dados gerais sobre vacinação e planos de ação em caso de reintrodução do vírus.
América reduz casos em mais de 98%
Os casos humanos de raiva transmitida por cães caíram mais de 98% nas Américas desde 1983. No cenário global, a doença ainda provoca cerca de 59 mil mortes humanas por ano, com 95% dos registros concentrados na África e na Ásia.
Cães respondem por aproximadamente 99% das transmissões humanas de raiva no mundo. Após o surgimento dos sinais clínicos, a doença é quase sempre fatal, mas pode ser prevenida com vacinação animal, tratamento rápido após a exposição e orientação da população.
Para veterinários, o resultado chileno reforça a participação da profissão na vacinação antirrábica, na vigilância de casos suspeitos, no controle populacional e na educação dos tutores. Essas frentes também integram o plano internacional Zero até 2030, voltado ao fim das mortes humanas por raiva transmitida por cães.