Projeto une medicina veterinária e impressão 3D para criar próteses sob medida
Pesquisa da Unicentro e Cilla Tech Park prevê dez dispositivos para nove animais com limitações ortopédicas no Paraná
por Gabriel Sartini em
e atualizado em
A impressão 3D vem ganhando aplicação prática na medicina veterinária como alternativa para o desenvolvimento de órteses e próteses sob medida. No Paraná, uma pesquisa da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) em parceria com o Cilla Tech Park prevê a produção de dez dispositivos para nove animais com limitações ortopédicas, aproximando pesquisa acadêmica, estrutura tecnológica e atendimento clínico.
A iniciativa é coordenada pela professora Liane Ziliotto e utiliza a estrutura do Espaço Maker do Cilla Tech Park, localizado na Cidade dos Lagos, em Guarapuava (PR). O projeto busca desenvolver soluções com aplicação veterinária e ampliar o acesso a dispositivos personalizados para animais da comunidade.
Impressão 3D aplicada à rotina veterinária
Entre os pacientes está Matilda, uma gata que chegou à Clínica Escola Veterinária da Unicentro com apenas dois meses de idade após sofrer um traumatismo grave em uma das patas traseiras. A lesão levou à amputação dos dedos e comprometeu sua capacidade de locomoção.
A expectativa é que Matilda receba um dos dispositivos produzidos pelo projeto. O caso também está ligado diretamente à origem da pesquisa: o estudante de Medicina Veterinária e bolsista de iniciação científica Arthur Buaski já havia acolhido a gata e identificou nela uma possível paciente para a iniciativa.
Segundo o estudante, o projeto surgiu depois que ele conheceu um professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) que utilizava impressão 3D para planejamento cirúrgico e pretendia aplicar a tecnologia na produção de órteses e próteses veterinárias.
“Ele me deu a ideia inicial e, pelo fato de eu já ter a Matilda como uma possível participante, eu me animei. A partir daí fui atrás, planejei o projeto com a minha orientadora e, posteriormente, com o Cilla”, relata Arthur.

O desenvolvimento dos dispositivos exigiu aproximadamente três meses, seguidos de cerca de 30 dias para os ajustes finais, segundo Felipe Gorgo Kiçula, coordenador do Espaço Maker do Cilla Tech Park.
A produção sob medida pode ser utilizada em casos onde soluções ortopédicas precisam considerar as características anatômicas específicas de cada paciente. No projeto paranaense, a tecnologia é aplicada diretamente a animais que já apresentam limitações de mobilidade.
Universidade e estrutura tecnológica
A parceria entre a Unicentro e o Cilla Tech Park coloca a infraestrutura de fabricação digital em contato direto com uma demanda identificada na clínica veterinária universitária.
Para a professora Liane Ziliotto, a colaboração permitiu avançar da pesquisa acadêmica para uma aplicação concreta nos pacientes atendidos.
“Quando conhecemos o Cilla, encontramos um parceiro que tornou possível transformar a pesquisa em uma possibilidade terapêutica real aos nossos pacientes”, afirma.
Felipe Kiçula também destaca a proximidade entre universidades, laboratórios e hospitais proporcionada pela estrutura da Cidade dos Lagos como um fator para o desenvolvimento dos dispositivos.
“Essa proximidade com universidades, laboratórios e hospitais que o bairro planejado da Cidade dos Lagos nos proporciona, facilita essa integração e desenvolvimento de projetos 3D em diversas áreas”, diz.
O projeto utiliza um modelo de colaboração que reúne conhecimento veterinário, pesquisa científica e fabricação digital e transformou a experiência em uma possível frente de aplicação da manufatura aditiva na área de reabilitação e ortopedia veterinária.