Em projeção, mercado de pet care se estrutura com inovação
Setor movimentou R$ 4,8 bilhões no primeiro semestre de 2026, e marcas apostam em portfólio sustentável e skin care como forma de consolidação
De acordo com dados da Abempet, o segmento de pet care movimentou R$ 4,8 bilhões no primeiro semestre deste ano, representando uma projeção de 5,34% se comparado ao mesmo período de 2025. O crescimento deve se manter aquecido, uma vez que os tutores têm investido cada vez mais em produtos ecológicos, serviços de higiene e opções qualificadas que promovam o bem-estar dos pets.
Novo mercado: de cosméticos veganos a tratamento contra alopecia
O mercado por sua vez responde com inovação como forma de garantir a fidelidade deste público, oferecendo um portfólio que se antecipe às necessidades do tutor.
“No pet care estamos vendo uma sofisticação enorme com cosméticos veganos, produtos prontos para uso, hidratações, tratamentos específicos, ozônio e até coloração de pelos. O banho e tosa está deixando de vender apenas limpeza. Está vendendo estética, experiência e bem-estar”, explica Ricardo Oliveira, consultor de negócios do setor pet.
A decisão de inovar ainda perpassa pela observação das mudanças do comportamento humano, entendendo que este público opta por marcas que compreendam algumas de suas próprias dores. Para a Vidáa Care, este tipo de olhar se traduziu em uma oportunidade de negócio.
“A veterinária Nathália Starek identificou uma brecha no setor que era a falta de produtos com fórmulas simples e ingredientes naturais para complementar os cuidados da alopecia X – que deu origem à empresa. Decidimos introduzir o conceito de skincare animal, desenvolvendo fórmulas naturais e eficazes voltadas prioritariamente para a saúde dos pets”, detalha Rodolfo Komatsu, sócio-fundador da fabricante.
Tendências baseada nas demandas dos tutores
Ainda que seja ponto de partida para muitas tendências, Ricardo Oliveira pondera que o mercado pet não pode simplesmente viver da cópia do comportamento humano, justamente porque cães, gatos e outras espécies têm necessidades próprias. Inspirada pela realidade atribulada dos tutores, a Aumigo Pet desenvolveu um aplicativo focado em facilitar a rotina de quem permanece muito tempo fora de casa.
A plataforma mantém serviços com indicações de hospedagem, pet sitter, passeio e creche, além de opções mais tradicionais como banho e tosa. “Para 2027, nossa intenção é direcionar os investimentos principalmente em experiência do usuário, inteligência de dados, automação e personalização”, antecipa Ana Paula Marozzi, CEO do app.
“Tendências do mercado skin care e hair care humano acabam sendo inspirações para o mercado pet, visto que os tutores cuidam dos pets assim como cuidam de si mesmos. Temos que avaliar se essas tendências que estão surgindo estão de acordo com as necessidades e dores do mercado, e qual é o grau de importância disso no dia a dia dos tutores”, pontua Cleiser Kurashima, diretora de marketing da Pet Society, empresa que trouxe para o mercado pet inovações como a Água Micelar e a máscara de hidratação Miracle Touch.
Em atuação há mais de 20 anos, a companhia é uma gigante do varejo pet care, acolhendo quatro grandes marcas (Ani+®, Beeps®, Megamazon® e Pet Society Super Premium®), com destaque para os produtos veganos, sem corantes e biodegradáveis da Megamazon, e os itens para se obter resultado de salão em casa da Pet Society Super Premium.
Mercado de animais não convencionais e marca própria
Uma das alternativas para pet shops e profissionais independentes empreenderem na área de pet care é justamente desenvolvendo marca própria, restringindo a comparação de preço e solidificando o posicionamento do negócio. “Acho uma oportunidade enorme. E hoje não é necessário construir uma fábrica. Existem indústrias especializadas em terceirização e private label, capazes de desenvolver produtos para outras marcas. Eu começaria com poucos produtos, escolhendo itens de alta recorrência e alinhados ao posicionamento da empresa”, diz Oliveira.
O consultor também reage ao preparo do setor nacional para atender pets não convencionais como chinchilas, tartarugas, hamsters e aves. “Existe um mercado crescente de aves, répteis, pequenos mamíferos e outros animais, mas a maioria dos pet shops brasileiros ainda está estruturada basicamente para cães e gatos. Precisa existir conhecimento técnico. Não adianta pegar um produto para cachorro, diminuir a embalagem e colocar um hamster no rótulo. Espécies diferentes têm necessidades diferentes”, finaliza.