Gestão e representatividade ganham peso no mercado veterinário
Com mercado mais complexo e pulverizado, entidade patronal defende maior participação dos empreendedores nas negociações trabalhistas
por Flávia Lelis em
e atualizado em
O Sindhosvet-SP, entidade patronal que representa os empregadores do segmento veterinário no estado de São Paulo, busca ampliar sua atuação junto aos gestores. Rubem Montoni Junior, presidente da entidade, abordou como os serviços veterinários acompanharam a mudança na relação dos tutores com os animais.
“A partir do momento que o pet, tanto o cão quanto o gato, saiu do quintal e veio para dentro de casa, houve uma aceleração do mercado veterinário. As pessoas começaram a precisar mais da prestação de serviço”, analisa.
Para ele, no entanto, a expansão trouxe também maior complexidade para quem administra uma operação. “Hoje o gestor está falando de pessoas, de finanças, de segurança jurídica e também de problemas sanitários. A gestão é muito complexa”, destaca.
Gestão de pessoas no centro da operação
Um dos principais pontos de atuação do sindicato está justamente na relação entre empregadores e colaboradores. A entidade participa das negociações das convenções coletivas de trabalho e busca estabelecer condições que conciliem os interesses das duas partes sem comprometer a capacidade financeira dos negócios.
“O impacto das negociações é particularmente significativo para estabelecimentos de pequeno e médio porte, nos quais a folha de pagamento representa parcela importante dos custos”, reforça.
Além da negociação coletiva
Para Ana Paula Braga, secretária executiva do Sindhosvet-SP, um dos desafios é justamente fazer com que os empresários compreendam que a entidade não atua somente nos períodos de dissídio ou definição de convenções coletivas.
Há uma série de iniciativas voltadas à qualificação e ao suporte aos negócios. Entre elas está um programa de treinamento desenvolvido em conjunto com o sindicato dos médicos veterinários, destinado a recém-formados. A proposta permite que esses profissionais adquiram experiência dentro das clínicas e hospitais, com mentoria, carga horária específica e passagem por diferentes setores.
“Às vezes o médico veterinário jovem e recém-graduado encontra dificuldade para ingressar no mercado. O empreendedor se pergunta por que vai contratar alguém sem experiência pelo mesmo valor de um profissional mais experiente. O programa ajuda justamente nessa entrada”, explica Ana Paula.
O sindicato também prevê palestras e ações de orientação em temas que afetam diretamente a gestão dos estabelecimentos, incluindo questões tributárias. A entidade mantém ainda suporte jurídico e orientação em assuntos contábeis e trabalhistas.
Um mercado que exige equilíbrio
O desafio, segundo os representantes da entidade, é construir um ambiente em que a valorização dos profissionais caminhe junto com a sustentabilidade financeira das empresas. Benefícios como vale-alimentação, vale-refeição, transporte e cesta básica, além dos reajustes salariais, fazem parte das negociações e impactam diretamente os custos das clínicas e hospitais.
Para Ana Paula, conhecer as regras e participar das discussões é essencial para o empresário. “Aquele empreendedor que está mais avançado às vezes tem condições de dar um benefício a mais, fora da convenção, porque já está em um nível maior. Mas nós fazemos a força de um conjunto nessas negociações”, afirma.
Hoje, segundo dados apresentados pela entidade, existem cerca de 25 mil estabelecimentos veterinários no estado de São Paulo, mas menos de 10% estariam associados ao sindicato e menos de 1% seriam contribuintes. Para a entidade, o baixo nível de participação representa uma oportunidade de ampliar a representatividade justamente em um momento de transformação do setor.
“A CCT não representa somente um dissídio. Existe uma série de questões que precisam ser equilibradas para que a clínica consiga contratar, manter seus colaboradores e continuar crescendo”, reforça Montoni Junior.
A aposta do Sindhosvet-SP é que o fortalecimento da representação patronal acompanhe a profissionalização do próprio mercado. “Estamos aqui para amparar todo empregador na área veterinária”, conclui o presidente.