Grupo +Pet acelera expansão e projeta 70 unidades até 2027
Rede aposta em M&A, integração padronizada e ganho de escala para ampliar presença no mercado veterinário
por Gabriel Sartini em
O Grupo +Pet acelera a estratégia de consolidação no mercado veterinário brasileiro e pretende encerrar 2026 com 24 unidades, antes de chegar a 70 operações até o fim de 2027. O plano combina novas unidades greenfield com a aquisição de hospitais já estabelecidos e sua integração ao ecossistema da companhia.
Para sustentar esse ritmo, o grupo vem profissionalizando áreas como gestão, recursos humanos, tecnologia, compras e processos. Segundo o diretor João Marcos Rios, o crescimento transformou o perfil da companhia, que nasceu com foco em hospitais veterinários e planos de saúde e passou a atuar também com M&A.
Em pouco mais de um ano, o grupo passou de cerca de 200 para quase 1.000 funcionários. Atualmente, trabalha na implantação de 11 unidades próprias e realiza entre uma e duas aquisições por mês. Nesse cenário, a capacidade de incorporar novas operações sem perder padrões comuns tornou-se um dos principais desafios da expansão.
M&A como motor de crescimento
Em um mercado ainda pulverizado na prestação de serviços veterinários, a aquisição de hospitais em funcionamento permite ampliar a presença regional e incorporar estruturas já operacionais. A decisão, porém, não considera apenas aspectos financeiros. Antes de concluir uma transação, o Grupo +Pet avalia o alinhamento do empreendedor com o modelo de negócio e a cultura da rede.
“Quando fazemos negociação com um hospital novo, antes de finalizar o negócio, perguntamos se o modelo da +Pet é algo que eles acreditam. A pessoa do outro lado tem que gostar do modelo, ela é quem vai disseminar esse modelo de gestão para os colaboradores. Depois a gente engloba e traz para dentro do ecossistema”, explica Rios.
Após a aquisição, a unidade passa por um processo de integração que envolve sistemas, formação das equipes, estrutura hierárquica, processos e política de preços. O ciclo leva aproximadamente 180 dias e reúne diferentes áreas da companhia.
Escala exige profissionalização
O avanço do número de unidades também muda a estrutura de gestão. Decisões antes concentradas nos sócios precisam ser transformadas em processos, indicadores e estruturas de governança.
“O nosso desafio é fazer essa empresa crescer nessa velocidade mantendo os KPIs que a gente tinha em 2020, quando o grupo tinha só uma ou duas unidades”, pontua.
Nesse modelo, a tecnologia tem papel importante na padronização. Segundo Rios, diferentes áreas da companhia estão organizadas em sistemas e bases de dados que permitem acompanhar operações, compras e expansão.
“Tudo o que a gente faz na empresa é inserido em um sistema que já tem uma IA atrelada. A parte operacional é muito organizada. Nossos dados de expansão e compras, tudo fica numa base de dados que é replicada sempre que uma nova unidade é agregada à rede”, afirma.
Os dados também são utilizados na operação hospitalar. No plano de saúde, por exemplo, o histórico dos atendimentos pode reunir informações sobre procedimentos, cirurgias e alergias, contribuindo para o atendimento do médico-veterinário.
Pessoas no centro da expansão
Com o crescimento no número de colaboradores, a gestão de pessoas ganhou peso na estratégia. Para a companhia, crescer geograficamente exige criar condições para atrair e reter profissionais.
“Numa empresa de prestação de serviço, o RH é uma das coisas mais importantes. Tem que ter produto bem feito, mas o RH é o coração do negócio”, destaca Rios.
O grupo mantém bancos de currículos e recrutamento contínuo nas unidades, buscando antecipar necessidades de contratação. Ao mesmo tempo, a padronização operacional busca controlar a complexidade e os custos associados à expansão.
Ganho de escala chega aos fornecedores
A expansão também amplia o poder de negociação do grupo com indústria, distribuidores e fornecedores de insumos. O maior volume de compras permite buscar acordos diretamente com fabricantes em determinadas categorias, com potencial de reduzir custos e aumentar a previsibilidade de abastecimento.
“Comprar para uma unidade traz pouco poder de barganha, mas quando se compra para uma rede, a margem melhora bastante. Quando você entra em um grupo, e a gente traz isso para os envolvidos nas fusões, você tem uma sinergia e negociação cada vez maior”, explica Rios.
O efeito da escala também alcança medicamentos e insumos médico-hospitalares, com condições de negociação que, em determinadas categorias, já se aproximam das obtidas por grandes empresas do varejo pet.
Acessibilidade como posicionamento
Mesmo com a expansão e o ganho de escala, o Grupo +Pet afirma manter como premissa a combinação entre qualidade e acessibilidade nos serviços veterinários.
“O objetivo é sempre trazer preço barato para o cliente, nossa prestação de serviços tem que ser cada vez melhor num preço cada vez mais acessível”, resume Rios.