Mercado pet europeu avança com inovação e sustentabilidade
Mudanças no comportamento dos tutores e avanço de exigências regulatórias ditam caminhos do setor
por Juliana de Caprio em
O mercado pet europeu passa por um processo de transformação impulsionado por mudanças no perfil dos consumidores, maior exigência regulatória e busca por soluções mais personalizadas. Entre os principais movimentos observados estão o avanço da nutrição individualizada, o fortalecimento de práticas sustentáveis e a crescente demanda por transparência em toda a cadeia de produção.
A Europa segue como o segundo maior mercado global de pet care, respondendo por cerca de 30% das vendas mundiais do segmento. Segundo dados apresentados durante o Petfood Forum Europe 2026, as vendas globais do setor devem atingir US$ 224,5 bilhões (R$ 1.129,9 bilhões) em 2026, enquanto países do Leste Europeu apresentam perspectivas de crescimento superiores às regiões mais maduras do continente.
Entre as principais tendências destacadas por especialistas do setor está a chamada nutrição de precisão. A demanda por fórmulas desenvolvidas de acordo com raça, porte, estilo de vida, idade e necessidades específicas dos animais tem ampliado o espaço para produtos personalizados e soluções nutricionais direcionadas.
Outro fator relevante é o fortalecimento da humanização dos pets. Consumidores têm buscado produtos com ingredientes considerados premium, formatos menos processados e alegações que se aproximam dos padrões utilizados na alimentação humana. Ingredientes human-grade, alimentos freeze-dried, air-dried e assados aparecem entre as categorias que ganham relevância no mercado internacional.
Sustentabilidade e transparência
A sustentabilidade também se consolida como um dos pilares estratégicos para a indústria pet europeia. A pressão por embalagens recicláveis, rastreabilidade de ingredientes, redução de impactos ambientais e comunicação mais transparente tem aumentado diante das exigências dos consumidores e do avanço das regulamentações ambientais no continente.
Especialistas apontam que o mercado vive uma transição em que declarações genéricas sobre sustentabilidade passam a perder espaço para métricas concretas e comprovações mais detalhadas sobre origem, produção e impacto ambiental dos produtos.
Ao mesmo tempo, cresce a procura por ingredientes alternativos, proteínas inovadoras e soluções associadas ao bem-estar animal e à economia circular.
Consolidação e novos modelos
Além das mudanças ligadas ao consumo, o mercado europeu registra avanço da consolidação empresarial, expansão de marcas próprias e crescimento de modelos baseados em assinatura, recorrência e integração de serviços. Discussões recentes do setor apontam aumento dos investimentos em saúde animal, suplementos, alimentação funcional e ecossistemas que unem varejo, atendimento veterinário e tecnologia.
A digitalização também segue ganhando espaço. Ferramentas de inteligência artificial, análise de dados e personalização da jornada de compra aparecem entre os recursos utilizados para ampliar a conexão com consumidores e fortalecer estratégias de fidelização.
Perspectivas para o setor
Mesmo diante de um cenário de maior cautela econômica, especialistas avaliam que a relação cada vez mais próxima entre tutores e animais continuará sustentando a demanda por produtos e serviços de maior valor agregado. O desafio para empresas do setor será equilibrar qualidade, inovação, transparência e acessibilidade em um mercado cada vez mais competitivo.