IA começa a redesenhar vendas, atendimento e logística no mercado pet
Relatório da NielsenIQ mostra avanço global da inteligência artificial e de novos modelos digitais, movimento que pode acelerar transformações no ecossistema pet
por Henrique Almeida em
A inteligência artificial começa a influenciar diretamente a forma como consumidores descobrem, avaliam e escolhem produtos no varejo global, movimento que tende a acelerar mudanças também no mercado pet. É o que aponta o relatório The Commerce Revolution: Where East Meets West, da NielsenIQ (NIQ), que identifica a convergência entre novos modelos digitais, como social commerce, quick commerce e experiências baseadas em IA, com potencial de redefinir a jornada de compra.
Segundo o levantamento, formatos emergentes já impulsionam parte relevante do crescimento digital no mundo. Nos Estados Unidos, o social commerce avançou 62,9%, enquanto o quick commerce cresceu 62,2%, em ritmo superior ao e-commerce tradicional. Na Ásia-Pacífico, quase 60% dos consumidores já compram por meio desses canais, enquanto nos mercados ocidentais quase um terço afirma já ter adquirido produtos após descobri-los em plataformas sociais.
Mercado pet reúne condições ideais para capturar esse movimento
Embora o relatório tenha foco no varejo como um todo, a dinâmica conversa diretamente com o setor pet, que reúne características especialmente favoráveis à adoção da inteligência artificial.
O segmento opera com forte recorrência de consumo, especialmente em categorias como ração, antiparasitários, tapetes higiênicos, suplementos e produtos de higiene. “Isso pode criar um ambiente propício para sistemas inteligentes preverem recompra, personalizarem ofertas e anteciparem necessidades de consumo”, argumenta Marta Bowles, chefe do Centro de Excelência de Marketing Global da consultoria.
Na prática, a IA pode identificar padrões de compra, acionar campanhas automatizadas e sugerir reposição antes mesmo da decisão do consumidor.
Atendimento digital entra em nova fase
Outro impacto está no relacionamento com o consumidor. Com ferramentas de IA generativa, o atendimento tende a migrar de interações automatizadas simples para experiências mais contextualizadas e conversacionais. Em vez de buscas genéricas, consumidores passam a interagir com sistemas capazes de interpretar preferências e recomendar produtos com maior precisão.
“No mercado pet, essa tendência pode incluir desde recomendações nutricionais baseadas no perfil do animal até jornadas de compra mais inteligentes dentro do e-commerce e plataformas de delivery”, reforça.
Logística e estoque ganham eficiência com previsibilidade
A inteligência artificial também avança sobre a operação. Ao cruzar dados históricos, sazonalidade e comportamento de consumo, a tecnologia pode melhorar previsão de demanda, reduzir ruptura de estoque e otimizar distribuição.
No setor pet, esse ganho tende a ser especialmente relevante em categorias sensíveis a sazonalidade, como antiparasitários, dermatológicos e suplementos, além de operações ligadas à conveniência e entrega rápida.
IA pode mudar até a descoberta de produtos
O relatório da NIQ aponta que a tecnologia já começa a influenciar a descoberta e avaliação de itens no varejo digital, movimento que pode alterar a lógica tradicional de busca e marketing.
“Na prática, marcas e varejistas passam a disputar relevância não apenas em buscadores e marketplaces, mas também dentro de ecossistemas baseados em recomendação automatizada, social commerce e experiências mais conversacionais”, pontua.
Nova disputa envolve conveniência e confiança
A transformação abre oportunidades, mas também levanta debates. Se por um lado a IA pode acelerar conveniência, personalização e eficiência operacional, por outro amplia discussões sobre confiança, curadoria e limites quando decisões automatizadas se aproximam de temas ligados à saúde animal. Nesse cenário, o papel do médico-veterinário tende a continuar estratégico como principal referência técnica dentro da jornada de cuidado dos pets.