Faturamento não é lucro e empresas podem quebrar mesmo com receitas altas
Especialista do Sebrae-SP alerta que volume de vendas, sozinho, não garante saúde financeira e destaca os riscos de ignorar despesas e fluxo de caixa
Especialista do Sebrae-SP alerta que volume de vendas, sozinho, não garante saúde financeira e destaca os riscos de ignorar despesas e fluxo de caixa
No universo dos negócios, ainda é comum confundir faturamento com sucesso financeiro. Mas essa leitura superficial pode custar caro a pet shops e clínicas veterinárias de pequeno e médio porte.
Na percepção de Evandro Di Todaro, consultor de negócios do Sebrae-SP, olhar apenas para o volume de vendas é uma das armadilhas mais perigosas para empresários. E essa postura pode levar até mesmo empresas com receitas milionárias ao colapso.
“O faturamento é o valor total de tudo que a empresa vende em um determinado período, sem descontar custos e despesas. É o dinheiro bruto que entra no caixa”, explica. Na prática, trata-se de um indicador relevante, já que sinaliza a demanda pelos produtos ou serviços e a eficiência das estratégias comerciais. Um faturamento crescente, portanto, pode indicar que o negócio está no caminho certo – ao menos do ponto de vista de vendas. Mas essa é apenas uma parte da equação.
O verdadeiro indicador de saúde financeira é o lucro. “É o que sobra depois de pagar todas as contas. É o dinheiro que pode ser reinvestido, distribuído ou reservado”, afirma Di Todaro.
Os custos estão diretamente ligados à produção ou à prestação de serviços, como matéria-prima, mercadorias, salários da equipe operacional, entre outros. Já as despesas envolvem a manutenção da empresa, como aluguel, marketing, contas básicas e equipe administrativa. Quando esses elementos não são bem controlados, o resultado pode ser desastroso.
“Uma empresa pode faturar milhões e, ainda assim, não ser financeiramente saudável. Isso acontece quando o volume de vendas não é suficiente para cobrir os gastos ou quando a margem de lucro é muito pequena ou até negativa”, alerta o consultor.
Para ilustrar melhor esse contexto, ele usa a metáfora simples de um balde furado. O faturamento é a água que entra. Já os custos e despesas são os furos. “Se esses gastos estiverem em patamares elevados, o balde nunca enche. Ou seja, a operação não obtém lucratividade”, ressalta.
Entre os principais fatores que levam empresas com alto faturamento a quebrar estão custos elevados, má gestão do fluxo de caixa, endividamento excessivo e falta de controle financeiro. Vender muito a prazo, por exemplo, pode gerar um descompasso perigoso quando fornecedores exigem pagamento à vista.
Além disso, empréstimos com juros altos podem consumir toda a margem do negócio, enquanto a ausência de um controle rigoroso impede identificar onde estão os desperdícios. A precificação correta também se faz essencial neste contexto empresarial.
No fim das contas, o alerta é direto. É preciso alcançar o ponto de equilíbrio, que você pode entender mais sobre nesta reportagem.
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